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17 Julho de 2007 | 17h25

Guiné-Bissau: CEMGFA diz-se disposto a esquecer acusações de Mário Sá Gomes se este pedir desculpa

Bissau

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Bissau, 17/07 - O Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA) da Guiné-Bissau está disposto a "esquecer" as acusações do activista dos Direitos Humanos, Mário Sá Gomes, desde que este retire tudo o que respeita ao tráfico de droga no país, fez saber hoje, terça-feira, a imprensa.

A fonte indica que no final de um encontro com o CEMGFA, Mamadu Queita, porta-voz do Movimento Nacional da Sociedade Civil para a Paz, Democracia e Desenvolvimento, afirmou que o general Tagmé Na Waié está disposto a "esquecer tudo" desde que Mário Sá Gomes "vá pessoalmente ao quartel do Estado-Maior e lhe peça desculpa".

Na semana passada, Mário Sá Gomes, Presidente da Associação Guineense de Defesa de Vítimas do Erro Judicial, acusou o general Tagmé Na Waié de ter perdido o controlo e o comando das Forças Armadas guineenses no combate ao tráfico de drogas na Guiné-Bissau.

Na altura, Mário Sá Gomes instou o Presidente João Bernardo "Nino" Vieira a demitir Tagmé Na Waié do cargo de CEMGFA, bem como todas as chefias dos três ramos das Forças Armadas e a proceder uma profunda reforma nos serviços da segurança.

Receando pela integridade física do activista dos Direitos Humanos, devido aos rumores de iniciativas isoladas de soldados no sentido de capturar Sá Gomes, uma delegação das organizações da sociedade civil guineense esteve hoje reunida com o general Tagmé Na Waié, para tentar ultrapassar a crise.

As organizações da sociedade civil, Liga Guineense dos Direitos Humanos, Wanep (Rede Oeste Africana para a Edificação da Paz) e o Movimento Nacional da Sociedade Civil para Paz, Democracia e Desenvolvimento, pretendem que o CEMGFA deixe o caso sob a alçada do Ministério Público.

De acordo com Mamadú Queita, o general Na Waié "está disposto a retirar a acção judicial" no Ministério Público desde que Mário Sá Gomes retire o que disse contra si e a instituição militar.

O CEMGFA considera "graves" as declarações de Mário Sá Gomes contra a instituição que dirige, mas admitiu esquecer o assunto "em nome da paz e da tranquilidade" do país, afirmou Mamadú Queita.

"As declarações de Mário Sá Gomes são graves contra a instituição militar, pois põem em causa o Estado-Maior General das Forças Armadas, mas estou disposto a esquecer tudo desde que ele retire o que disse", referiu Mamadu Queita, citando o general Tagmé Na Waié.

Segundo este responsável da sociedade civil, Mário Sá Gomes até pode ser responsabilizado pelas suas declarações, se for o caso, devendo o processo seguir os trâmites normais, através dos órgãos judiciais.

Mamadú Queita, citado pela Lusa, indicou que Mário Sá Gomes está em lugar seguro, em Bissau, mantendo contactos com a Liga Guineense dos Direitos Humanos.

Instado a dizer em que dia Mário Sá Gomes será conduzido ao Estado-Maior General para apresentar desculpas ao CEMGFA, Mamadú Queita indicou que ainda não existe nenhuma data marcada.

Entretanto, o representante do secretário-geral das Nações Unidas na Guiné-Bissau, Shola Omorigie, afirmou hoje, em conferência de imprensa, que está a acompanhar a polémica que envolve Mário Sá Gomes, afastando a hipótese deste obter refúgio na sede da ONU, em Bissau.