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27 Outubro de 2007 | 13h28

Moçambique: Centenas acorrem à inauguração primeiro mega-shopping

Maputo

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Maputo, 27/10 - Centenas de pessoas acorreram hoje à inauguração do primeiro mega-shopping de Moçambique, em Maputo, "inundando" as dezenas de lojas que aí funcionam e obrigando alguns comerciantes a limitarem a entrada de visitantes devido à enchente.

Os clientes, de diferentes idades e proveniências, esperaram mais de uma hora pela abertura de portas ao público defronte do maior centro comercial do país, o Maputo Shopping Center, de quatro andares, onde estão localizadas as 180 lojas, 30 escritórios, 14 restaurantes, duas salas de cinema e uma zona de jogos.

Apesar da concentração logo no princípio da tarde de hoje, o hipermercado abriu as portas por volta das 15h30, um atraso de meia hora, tendo sido invadido de seguida pelos clientes ansiosos e muitos curiosos que pretendiam observar atentamente por dentro o edifício de arquitectura oriental localizado na baixa da capital moçambicana.

O colorido edifício de cores exuberantes, portas de madeira maciça com dragões esculpidos e a mesquita com espaço para 200 pessoas, serviu, por algumas horas, de espaço de lazer para estrangeiros e moçambicanos, alguns destes habituados a contemplar aquele tipo de lojas apenas na vizinha África do Sul.

Apesar da afluência, alguns proprietários de lojas mostravam-se desapontados com a atitude curiosa mas pouco consumista dos visitantes, aliás, uma situação agravada pelo receio de eventuais roubos e assaltos, mesmo perante a vigilância dos guardas.

O director executivo do Mr. Price, uma loja para classe média vocacionada na venda de roupa, Daniel Neto, manifestou-se desapontado com a enchente dos que só "foram apreciar", tornando o negócio pouco lucrativo.

"Há muito gente, mas pouco dinheiro (...) e é preciso ter muito cuidado com a miudagem", comentou à Agência Lusa o português Daniel Neto, também sócio-gerente de outra loja que abriu as portas a 09 de Maio, dia em que o mega shopping foi oficialmente inaugurado pelo Presidente moçambicano, Armando Guebuza.

Comparando o movimento com os dias normais, Neto considerou que hoje o negócio esteve estacionário, mas "a um bom nível".

"Nos dias normais, quando tenho muita gente tenho tido o dobro (das receitas), mas mesmo assim acho que é um bom dia. O negócio está estacionário a um bom nível", disse.

Se por um lado as pessoas não tinham a pretensão de comprar os produtos, por outro, a vontade de apreciar não faltou, de tal forma que proprietários das lojas deram ordens aos guardas para que a entrada às lojas fosse de forma faseada.

Em diversos estabelecimentos comerciais, dezenas de pessoas perfilavam na porta aguardando a sua vez de entrar para apreciar, mas a ansiedade de uns impelia-os a desrespeitarem as filas, furando o esquema montado.

Os preços dos produtos comercializados nas lojas do Maputo Shopping Center não são para a maioria dos cidadãos moçambicanos carenciados, conforme reconheceu Humberta Amaral, supervisora geral da Dormiflex, uma loja dedicada a venda de mobílias de casa.

"Tenho a consciência de que uma loja deste nível não é para toda a gente", aliás, "os nossos clientes são da classe média", disse.

Para o sucesso do negócio, aquela instituição de capitais portugueses apostou em convidar os habituais clientes, embora Amaral acredite numa evolução nos próximos tempos, apegando-se à crença de Moçambique estar a tornar-se numa sociedade de consumo.

"Fizemos convite aos nossos clientes que acreditamos que queiram vir deixar dinheiro, mas acredito que no futuro haverá mais gente a vir comprar, porque todo o ser humano é consumista", afirmou.

O fraco movimento nas vendas no primeiro dia do acesso livre ao público no Maputo Shopping Center foi extensivo às lojas de comercialização de material escolar, nomeadamente livros.

O director comercial da livraria "Livros e Etc", do grupo português Escolar Editores, Paulo Guerreiro, também lamentou a fraca adesão do público à compra de produtos, embora tenha considerado "normal" por se tratar do primeiro dia.

"Há gente a visitar a livraria, mas há apenas mais curiosidade das pessoas", disse.