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03 Março de 2011 | 17h08 - Actualizado em 03 Março de 2011 | 17h08

CPJ acusa apoiantes de Gbagbo e de Ouattara de atacar imprensa

Côte d'Ivoire

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Nova Iorque -  Os apoiantes do Presidente ivoiriense cessante, Laurent Gbagbo, e do Presidente eleito, Alassane Ouattara, escolheram como alvo os médias rivais partidários e os seus jornalistas na sua luta pelo poder, denunciou hoje (quinta-feira) o Comité para a Protecção dos Jornalistas (CPJ).


Segunda-feira, Marcel Legré, maquinista na tipografia "La Refondation", a empresa editora do diário pró-Gbagbo "Notre Voie", foi morto por um grupo de pessoas no subúrbio de Koumassi, em Abidjan, a capital económica, segundo jornalistas locais.


As relações entre Marcel Legré e o jornal eram conhecidos no bairro, declarou ao CPJ Guillaume Gbato, jornalista do “Notre Voie”, acrescentando que o bairro de Koumassi é o bastião de numerosos apoiantes de Ouattara.


No mesmo dia, nove diários pró-Ouattara suspenderam as suas publicações por duração indeterminada, invocando "ameaças e perseguições" por parte das forças de segurança e da administração de Gbagbo, segundo informações noticiadas pela imprensa.


A Côte d’Ivoire está mergulhada num impasse político e militar tenso desde a  publicação dos resultados contestados da segunda volta das eleições presidenciais de 28 de Novembro de 2010 entre Gbagbo e Ouattara.


Ouattara continua refugiado num hotel em Abidjan sob a guarda dos capacetes azuis da Organização das Nações Unidas (ONU).


As tensões étnicas crescentes e os confrontos sangrentos em Abidjan entre as forças leais a Gbagbo e os rebeldes próximos de Ouattara ameaçam fazer eclodir novamente a guerra civil que dividiu em 2002 o país em duas zonas, o norte controlado pelos rebeldes e o sul sob controlo do Governo, segundo a imprensa.


"A situação é cada vez mais perigosa para os médias e os jornalistas na Côte d’Ivoire face às represálias exercidas pelos campos de Gbagbo e de Ouattara", deplorou o coordenador do CPJ para África, Mohamed Keïta.


Sexta-feira,  o Conselho Nacional da Imprensa (controlado por Gbagbo), o órgão oficial regulador da imprensa escrita, decidiu suspender o diário "Le Nouveau Réveil " pró-Ouattara, por seis edições a partir da sua edição de 22 de Fevereiro.


O motivo da suspensão são alegações, segundo as quais, as forças fiéis a Gbagbo utilizaram granadas propulsadas por foguetão contra os apoiantes de Ouattara durante uma manifestação organizada na véspera.


O Conselho considerou que as fotos dos manifestantes mortos divulgadas pelo jornal para ilustrar o artigo eram "horríveis e chocantes" e pretendiam " justificar a violência e a incitação à revolta", segundo o responsável do CPJ.


O editor-chefe do "Le Nouveau Réveil", Denis Kaz Zion, negou estas alegações.


Domingo, homens armados destruíram o edifício que acolhe um transmissor da Radiodifusão da Televisão Ivoiriense (RTI) no bairro de Abobo em Abidjan -  um bastião de Ouattara palco de controntos mortais, segundo a imprensa.


Um técnico não identificado faz parte das três vítimas deste ataque, segundo a secção local do CPJ.


A destruição do transmissor pôs fora de antena a RTI durante algumas horas, segundo as mesmas fontes.


O conselho infligiu igualmente multas de um a dois milhões de francos CFA (entre dois e quatro mil e 100 dólares americanos) aos diários pró-Ouattara "Le Patriote", "Nord-Sud" e "Le Jour" por ter divulgado as mesmas fotos.


As empresas editoras "Mayama Editions" e "Production" (editora do "Le Patriote"), "Editions Le Néré" (editora do "Le Jour Plus") e "Nord Sud Comunications" têm 30 dias para pagar as multas.


O CPJ disse estar igualmente preocupado pelo rumo dos jornalistas Aboubacar Sanogo e Yayoro Charles Lopez Kangbé da "TV Notre Patrie" controlada pelos rebeldes que passaram 20 dias nas mãos da Polícia Militar sem acusação e teriam sido objecto de torturas antes de ser julgados.


Eles não foram oficialmente inculpados, mas um magistrado em Abidjan rejeitou quinta-feira o seu pedido de liberdade provisória, ao passo que eles são acusados de ter atentado contra a segurança do Estado, segundo o Comité Ivoiriense para a Protecção e Defesa dos Jornalistas.