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17 Abril de 2012 | 08h28 - Actualizado em 17 Abril de 2012 | 08h28

Rei Juan Carlos de Espanha é alvo de duras críticas por caçar elefantes

Botswana

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Madrid - O rei Juan Carlos de Espanha foi alvo, segunda-feira, de duras críticas, por parte dos que o acusam de caçar elefantes no Botswana, no momento em que o seu país atravessa uma grave crise económica, escreve Lloyd Parry, para a AFP.


    
              
O monarca, de 74 anos, teve que ser levado com emergência e submetido, neste final de semana, a uma cirurgia no quadril, em consequência de uma queda, e se recuperava num hospital de Madrid.


              
O interesse para o seu estado de saúde foi ofuscado pelas críticas, após informações de que estava a caçar elefantes.


              
A Casa Real não confirmou que o rei estivesse em Botswana quando ocorreu o acidente. A informação foi divulgada pelas autoridades do governo.


              
"Tinha licença para caçar elefantes", declarou à AFP o porta-voz do governo, Jeff Ramsay. "Entendo que sofreu a queda quando já estava num chalé, não no terreno", acrescentou.


              
Uma foto de Juan Carlos de 2006, posando, com a escopeta na mão, diante de um elefante morto nesse país de África e publicada em vários jornais espanhóis no domingo contribuiu para alimentar o escândalo.


              
A actriz francesa, conhecida por seu trabalho de defesa dos animais, Brigitte Bardot, escreveu uma carta aberta ao rei fustigando a caça de elefantes.

"É um acto indecente, repugnante e fico indignada por ser com uma pessoa de sua posição", afirmou. "O senhor não vale mais que os caçadores ilegais que pilham e saqueiam a natureza, é a vergonha da Espanha", acrescentou.


              
"Não desejo ao senhor um pronto restabelecimento, porque isso o levaria a prosseguir com as suas estadas mortíferas em África ou em outro local", inflamou-se ela.


              
A organização espanhola Pacma considerou "inaceitável que Juan Carlos vá à África caçar elefantes enquanto o governo impõe duras medidas de austeridade e faz cortes no orçamento que tornam a vida dos cidadãos cada vez mais difícil".


              
A aventura representa uma despesa "de sete a 20.000 euros para cada animal abatido", acrescentando que "o custo médio de um safári é de 35.000 euros".


              
O fórum social europeu Actuable divulgou na internet um abaixo-assinado, de mais de 40.000 pessoas, pedindo que o rei deixe imediatamente o posto de presidente de honra da filial espanhola da ONG World Wildlife Fund (WWF).


              
A WWF anunciou, por sua vez, no twitter, que "fará chegar à Casa Real os comentários, além de reiterar o seu compromisso com a protecção dos elefantes".


              
Alguns chegaram até a evocar a possibilidade de demissão, e talvez abdicação, de um rei que vinha sendo até aqui quase intocável, encarnando a transição democrática após o fim da ditadura do general Franco, em 1975.


              
Tomás Gómez, líder dos socialistas madrilenos, somou-se às críticas emitidas por grupos políticos de esquerda na reprovação feita pela imprensa espanhola.
              


"Chegou o momento de a Casa Real escolher entre as obrigações e as sujeições das responsabilidades públicas e a abdicação, que lhe permita desfrutar de uma vida diferente", afirmou.


              
"Esse comportamento não é o que nós, espanhóis, esperávamos da Casa Real em momentos de crise. É pouco edificante", acrescentou.


              
Outras duas ONGs de defesa dos animais, 'Igualdad Animal y Equanimal', pediram, num comunicado, manifestações hoje (terça-feira) diante do hospital San José de Madrid, onde o rei convalesce.


              
A família real espanhola vem sendo objecto de críticas e escândalos há alguns meses, marcados por um suposto caso de corrupção que envolve um dos genros do rei, o duque de Palma e ex-campeão olímpico de handebol Iñaki Urdangarín.


              
A cirurgia de sábado foi a quarta submetida pelo rei, em dois anos.


              
O médico, Angel Villamor, afirmou que poderá receber alta nesta semana, uma vez que "já consegue caminhar e sentar-se sozinho".


              

Em 2009, um tribunal decidiu arquivar as acusações contra os autores de uma caricatura que representava Juan Carlos numa caçada na Rússia, onde teria matado um urso de circo, depois de beber vodka.