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02 Outubro de 2012 | 11h21 - Actualizado em 02 Outubro de 2012 | 11h21

Activistas realizam acção para reivindicar legalização do aborto

Marrocos

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Rabat - Activistas marroquinos estão a preparar para esta semana uma acção de protesto a favor da legalização do aborto, que conta com o apoio da organização internacional Women on Waves.  
 

A agência Lusa falou, em Rabat, com vários activistas do MALI (Movimento Alternativo pelas Liberdades Individuais) -- que, em muitos casos, são também elementos do Movimento 20 de Fevereiro, que participou na contestação social que se alastrou por vários países árabes em 2011 e que culminou no derrube de alguns velhos regimes.  
 

O MALI contactou a Women on Waves para organizar uma acção semelhante a muitas que esta organização holandesa já desencadeou noutros países onde o aborto é ilegal, incluindo Portugal, em 2004.  
 

A data e local exacto das acções promovidas pela Women on Waves só são conhecidos muito perto de acontecerem, mas a activista marroquina Hind Bariaz aceitou falar com a Lusa sobre os objectivos da iniciativa, num bar onde se concentram os jovens "revolucionários", no centro de Rabat.  
 

O objectivo é reivindicar "o direito das mulheres a um aborto seguro". "Sabemos que o aborto existe, mas é feito em más condições. As mulheres são vítimas da lei, que faz delas criminosas", realça esta mãe de uma menina de 13 meses, que antes recorreu ao aborto.  
 

"Existem entre 600 a 800 casos de aborto ilegais por dia em Marrocos", contabilizam Hind Bariaz e Soufyane Fares, outro activista do MALI que aceitou falar à Lusa.  
 

"Queremos a legalização do aborto, porque as consequências são grandes", justifica Soufyane Fares, estudante de informática, de 21 anos. Assumindo-se "feminista", culpa a tradição e a religião, que levam "muitas mulheres a largarem os bebés nas ruas".  
 

Hind Bariaz defende "o direito à liberdade de escolha, o direito das mulheres a serem mães ou não". Que não existe em Marrocos. "O corpo não é nosso. Pertence ao Estado, ao poder religioso", diz.  Mas, sublinha, a acção que está a ser promovida em conjunto com a Women on Waves procura, "em primeiro lugar", promover "um debate, uma troca de pontos de vista, ainda que divergentes".   
 

"Sabemos que o aborto existe, clandestinamente, mas não falamos sobre isso", critica Soufyane Fares.  
 

"A campanha não fará existir o aborto. Toda a gente sabe que o aborto existe em Marrocos", destaca Hind Bariaz.  
 

A professora de inglês realça, porém, que o aborto ilegal "não é o único problema relacionado com os direitos das mulheres" em Marrocos. Há também "poligamia, violência doméstica, discriminação na lei de herança".   
 

Em resumo, "a situação é muito complicada". E a reforma da Constituição posta em marcha pelo rei marroquino "nada mudou, o que as mulheres sofriam antes continuam a sofrer", diz.  
 

Os activistas estão preparados para as consequências da acção que estão a promover, a primeira da Women on Waves num país de maioria islâmica. "Tudo está em aberto, podemos ser presos, detidos nas ruas, despedidos do trabalho", antecipa Hind Bariaz.  
 

Na página da Internet da Women on Waves, a organização avisa que visitará Marrocos esta semana, disponibilizando, como é habitual, um barco, que ficará em águas internacionais, onde as mulheres podem interromper a gravidez (até seis semanas e meia) segura, com recurso a medicamentos abortivos.