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12 Junho de 2016 | 12h18 - Actualizado em 12 Junho de 2016 | 12h18

Cabo Verde: Autoridades cabo-verdianas investigam congregação religiosa

Praia - As autoridades cabo-verdianas estão a investigar suspeitas de maus tratos e abusos numa congregação religiosa que acolhe crianças na cidade da Praia e a Polícia Judiciária (PJ) deteve três pessoas relacionadas com a instituição.

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Fonte da Polícia Judiciária (PJ) de Cabo Verde disse à agência Lusa que, na sexta-feira, três
pessoas ligadas à referida congregação foram detidas quando tentaram impedir a entrada de
uma delegação de responsáveis de organizações cabo-verdianas de protecção de crianças no
edifício que acolhe a igreja e o centro, no bairro de Ponta D'Água.


A delegação, composta por elementos do Ministério Público, Curador de Menores, Instituto
Cabo-Verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA), Polícia Judiciária e Comissão Nacional
dos Direitos Humanos e Cidadania (CNDH), pretendia inteirar-se da situação em que se
encontram as crianças e fiscalizar as condições do centro de acolhimento.


"Houve resistência e desacatos com as autoridades e três pessoas foram detidas", indicou a
fonte.


A fiscalização surgiu depois de vários fiéis da Congregação Reformada dos Adventistas do
Sétimo Dia de Tendas (CRASDT), - incluindo um juiz da comarca da Praia, uma sua irmã
que é médica na ilha do Fogo e um procurador - terem divulgado publicamente "confissões"
com detalhes da sua participação em orgias, práticas de incesto e consumo de álcool e
drogas.


Tanto o juiz como a médica foram alvo de processos disciplinares e estão suspensos
preventivamente por causa da repercussão pública que o caso está a ter.
Nas referidas confissões há ainda relatos de violência e coação sobre os fiéis e referências a
maus tratos físicos e abusos de crianças do centro de acolhimento, alegadamente a mando
do responsável da congregação.


Contactado por vários órgãos de informação locais, o juiz justificou a divulgação dos
documentos como parte de um processo de "limpeza da alma perante Deus", alegadamente
instigada pelo líder da CRAST.


Por seu lado, o líder da congregação, contactado pela imprensa local recuou-se a falar sobre
o assunto, adiantando que no momento certo falará com os jornalistas.


A fonte da PJ adiantou que foi já entregue uma denúncia na Procuradoria-Geral da
República e que às autoridades judiciais estão a recolher informações sobre o caso.


Zelinda Cohen, da Comissão Nacional de Direitos Humanos e Cidadania (CNDHC),
considerou, em declarações à agência Lusa, que os relatos "apontam suspeitas de abusos
sobre as crianças".


A responsável, que sexta-feira integrou a equipa que pretendia visitar o centro, sublinhou a
importância de certificar o mais breve possível as condições em que as crianças se
encontram, adiantando que autoridades "estão a trabalhar" nesse sentido.


Relatos de vizinhos recolhidos pela Rádio Nacional de Cabo Verde, no bairro de Ponta
D'Água, dão conta de situações em que as crianças desmaiam com fome e apontam o caso
de um adolescente que se terá tentado suicidar, alegadamente devido aos maus-tratos de que
era alvo.


O primeiro-ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva, já se pronunciou sobre o caso,
adiantando que está em curso "uma intervenção no domínio judicial" e que o Governo irá
"mandar avaliar se trata de uma confissão religiosa organizada e se tem licença para
funcionar".


Ulisses Correia e Silva disse ainda que serão tomadas medidas para investigar as motivações
das pessoas envolvidas nessa organização e lembrou que a legislação cabo-verdiana não
permite a existência de seitas.


A Congregação Reformada dos Adventistas do Sétimo Dia de Tendas (CRASDT) foi
fundada em 2003 por um grupo de pessoas dissidentes da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Assuntos África  

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