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07 Dezembro de 2017 | 17h38 - Actualizado em 07 Dezembro de 2017 | 17h39

Malawi: Aumentam linchamentos populares por medo de vampiros

Mulanje, Malawi - Há semanas relatos inverossímeis de ataques de vampiros têm gerado o caos no Malawi, onde grupos de pessoas enfurecidas lincharam até a morte supostos "chupa-sangue", forçando o exército a intervir.

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Presidente da República do Malawi, Arthur Peter Mutharika, cuja intervenção salvo população dos supostos vampiros

Foto: António Escrivão

Na sua cidade Ngolongoliwa (sul), Jamiya Bauleni conta a sua surpreendente história a um grupo de crianças, escreve  Felix Mponda para a AFP.

Aconteceu no dia 2 de Outubro, durante a noite. "Vi uma luz numa esquina da minha casa", explica esta mãe de família.

"Vi uma corda suspensa e uma fumaça me cercava. Tentei levantar da cama, em vão, e foi então que eu senti uma agulha atravessar o meu braço esquerdo", disse Bauleni.

Jamiya, de 40 anos, garante ter ouvido, antes de desmaiar, alguém pular do telhado. Em estado de choque, deu entrada numa clínica e depois mandada para casa, "curada" com antibióticos.

Uma vizinha, Florence Kalunga, de 27 anos, afirma ter sido atacada na mesma noite. Dormia junto com seu marido quando viu a luz, "como um fogo". "Ouvi que a porta abria e senti uma agulha perfurando meu dedo", conta.

Esses testemunhos sobre a presença de vampiros agitam o Malawi, onde as crenças tradicionais continuam muito arraigadas na população.

Os albinos, principalmente, são executados por seus órgãos, utilizados em rituais de magia negra.

Este último episódio veio de Moçambique, país vizinho. Segundo os rumores, os vampiros atravessaram a fronteira para recolher sangue humano, sob a aparência de um programa de ajuda à população. Dada sua rápida propagação, desta vez tomou um caminho especialmente violento.

Desde Setembro, grupos de auto-defesa mataram pelo menos nove pessoas suspeitas de terem bebido ou de terem tentado beber sangue humana durante cerimónias de magia negra.

Em 30 de Setembro, Orlendo Chaponda esteve a ponto de ser vítima desta caça de "monstros".

Nesse dia, dezenas de pessoas armadas com pedras e facões chegaram à sua casa perto de Mulanje (sul). Alarmado, Orlendo Chaponda conseguiu sair do seu domicílio e se refugiou na delegacia de polícia.

"Minha mulher os deixou entrar em casa para verificar se havia bebedores de sangue (...). Se tivessem me encontrado, poderiam ter me matado", diz.

Depois de apoderar-se do campo, os rumores sobre os vampiros chegaram a Blantyre, a capital económica do país.

Em Outubro, grupos de milicianos armados patrulharam os bairros mais pobres buscando vampiros. Uma pessoa foi queimada viva e outra apedrejada.

Diante dos acontecimentos, o presidente, Peter Mutharika, teve que intervir para denunciar "exemplos muito preocupantes de justiça popular". "Nada prova a existência de bebedores de sangue. É uma mentira que tem como objectivo desestabilizar a região", insistiu.

                   

As autoridades enviaram reforços policiais e militares e impuseram um toque de recolher em vários distritos do país para devolver a calma.

A medida foi suspensa recentemente, mas o exército e a polícia continuam mobilizados, já que a tensão persiste.

No total, mais de 250 pessoas foram detidas no Malawi relacionadas episódios de violência pelos rumores sobre vampiros.

O caos em algumas províncias obrigou a ONU a suspender suas missões durante algumas semanas.

Longe de parecer anedótica, essa desordem por causa dos vampiros começou a afectar a actividade dos distritos do sul do Malawi.

Desde meados de Setembro, os turistas evitam a reserva florestal nacional de Likhubula (sul), para o desespero de um de seus funcionários, McDonald Kolokombe. "Aqui, a gente é guia, carrega bagagem, vende “souvenires”. Contamos com os turistas para viver", explica.

Assuntos Malawi  

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