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07 Dezembro de 2018 | 09h39 - Actualizado em 07 Dezembro de 2018 | 14h36

RENAMO diz que há falta de vontade política para esclarecer rapto de empresário

Maputo - A bancada parlamentar da RENAMO, principal partido de oposição em Moçambique, considerou na quinta-feira que falta vontade política para esclarecer o caso do empresário português desaparecido em 2016, considerando estranho o facto de as autoridades moçambicanas recusarem ajuda portuguesa, informou a Lusa.

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Para a chefe da bancada parlamentar do principal partido de oposição em Moçambique, a recusa das autoridades em receber a ajuda oferecida por Portugal mostra que há falta de vontade política para resolver o caso.

"Se houvesse vontade política, o comportamento das autoridades seria outro. Só se pode justificar esta apatia e este completo desinteresse com o facto de não haver vontade política", observou Ivone Soares, que lembra que Américo Sebastião desapareceu no "momento mais negro deste país", em alusão ao período mais conturbado da crise política e militar entre o Governo e a Renamo.

Por sua vez, o porta-voz da bancada parlamentar da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), Galiza Matos, entende que as autoridades moçambicanas devem tratar deste caso com a responsabilidade exigida, considerando que está em causa a imagem de Moçambique.

O deputado observou que está em causa também a imagem do país. “O que entendemos é que Moçambique tem de merecer respeito a nível do mundo disse.

Galiza Matos não comentou sobre a recusa por parte das autoridades moçambicanas em receber ajuda da polícia portuguesa, mas garantiu que a bancada parlamentar do partido no poder em Moçambique vai analisar a nova petição submetida pela esposa de Américo Sebastião.

O porta-voz da Frelimo concluiu que, entendem que está em causa não só a vida de um cidadão, está em causa também uma família.

O empresário português foi raptado numa estação de abastecimento de combustíveis e continua desaparecido desde o dia 29 de Julho de 2016, em Nhamapadza, distrito de Maringué, na província de Sofala, no centro de Moçambique.

No esforço para encontrar o empresário português, a mulher de Américo Sebastião apresentou um total de três petições na Assembleia da República moçambicana desde Maio de 2017, além de ter solicitado, através de uma carta, ao Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, uma "intervenção directa.

Segundo a família, os raptores usaram os cartões de débito e crédito para levantarem "4.000 euros", não conseguindo mais porque as contas foram bloqueadas logo que foi constatado o desaparecimento de Américo Sebastião.

Nunca mais se soube do paradeiro do empresário desde o rapto, perpetrado por homens fardados, que algemaram o empresário e o colocaram dentro de uma das duas viaturas descaracterizadas com que deixaram o posto de abastecimento de combustíveis.

Portugal ofereceu por várias vezes a cooperação judiciária e judicial acordada entre os dois países para tentarem localizar Américo Sebastião, mas as autoridades moçambicanas recusaram.

Em finais de Outubro, a Procuradoria Provincial da República em Sofala anunciou o arquivamento das investigações ao desaparecimento de Américo Sebastião, alegando que não foram encontrados elementos para o esclarecimento do caso.

Assuntos Crime  

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