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17 Dezembro de 2019 | 17h25 - Actualizado em 17 Dezembro de 2019 | 17h26

Presidente do Sudão do Sul e rebeldes comprometem-se a formar Governo

Juba - O Presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir, e o líder rebelde Riek Machar, que enfrentam uma pressão internacional crescente, comprometeram-se hoje a formar um Governo de unidade nacional, antes de final de Fevereiro.

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Vice-presidente Riek Machar e o presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir

Foto: Arte/Angop

Desde a assinatura do acordo de paz, em Setembro de 2018, os combates no sul do Sudão diminuíram drasticamente, mas Salva Kiir e o seu antigo vice-Presidente Riek Machar não conseguiram implementar algumas medidas cruciais do acordo, incluindo a da criação de um exército unificado, mas também a delimitação de fronteiras e do número total de estados regionais dentro do país.

Neste contexto, a formação de um Governo de unidade nacional, inicialmente prevista para Maio deste ano, foi adiada, pela primeira vez, para 12 de Novembro.

Mas depois foram concedidos mais 100 dias aos dois rivais, numa reunião que decorreu no Uganda com os parceiros regionais (Quénia, Uganda e Sudão, entre outros).

"Achamos que deveríamos formar o Governo depois dos 100 dias", disse Kiir após uma reunião em Juba com Riek Machar, que realçou, no entanto, que a questão do número de estados regionais ainda não foi resolvida.

Já Machar, que vive no exílio em Cartum, disse que as partes negociadoras estão à espera de um relatório do vice-presidente sul-africano David Mabuza, antes de avançar nesta questão.

Kiir disse que se o problema do número de estados regionais não for resolvido até a formação do Governo, o novo executivo ficará responsável por resolvê-lo, bem como outras questões potencialmente não resolvidas.

Porém, desta vez, os dois homens, cuja rivalidade está no cerne do conflito do Sudão do Sul, já chegaram a acordo sobre a integração das forças de ambos os lados num exército unificado.

"Queremos começar a treinar as várias forças de segurança em uma ou duas semanas", disse Machar, referindo-se a um acordo para abrir o espaço político e respeitar as liberdades no país.

O Sudão do Sul entrou numa guerra civil em 2013, dois anos após a independência do Sudão, quando Kiir, um dinka, acusou o seu ex-vice-presidente, membro do grupo étnico, de ter tentado conspirar para levar a cabo um golpe de Estado. O conflito matou mais de 380 mil pessoas.

As discussões em Juba estão a decorrer enquanto os Estados Unidos, um dos patrocinadores da independência do Sudão do Sul, perde a paciência com os atrasos na criação do governo de unidade nacional.

"Pouco mais de 30 dias após o início destas prorrogações, os Estados Unidos ainda não viram medidas concretas por parte do governo do Sudão do Sul para criar as condições políticas e de segurança necessárias à formação de um governo de unidade e à implementação do acordo de paz", lamentou o Tesouro norte-americano em comunicado.

Depois de ter previamente imposto sanções aos funcionários sul-sudaneses, o Tesouro norte-americano anunciou, na segunda-feira, sanções financeiras contra dois ministros sul-sudaneses acusados de colocarem obstáculos à paz.

Assuntos Sudão do Sul  

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