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17 Julho de 2019 | 13h38 - Actualizado em 17 Julho de 2019 | 14h12

Ex-PR da África do Sul nega alegações de corrupção na comissão de inquérito

Joanesburgo - O ex-presidente da África do Sul Jacob Zuma, que está no centro de alegações de corrupção e captura do Estado durante os seus mandatos, refutou nesta terça-feira as acusações e distanciou-se da família Gupta, que alegadamente interferiu na governação do país.

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Jacob Zuma, Ex-Presidente da África do Sul (arquivo)l

Foto: FMiudo

Questionado nesse sentido, no segundo dia da sua audiência na comissão de inquérito Zondo, que investiga alegações de corrupção, conhecida como "Captura do Estado", durante a sua governação (2009-2018), Jacob Zuma respondeu: "Não sei de nada (…), não posso comentar porque não estava lá".

A ex-deputada do partido no poder, o Congresso Nacional Africano (ANC, sigla em inglês), Vytjie Mentor, alegou durante o seu testemunho na comissão Zondo que Ajav Gupta ofereceu-lhe a pasta ministerial das Empresas Públicas se aceitasse descontinuar a rota aérea para Mumbai (Índia) da estatal South African Airways.

Vytjie Mentor alegou que, naquele dia, o ex-chefe de Estado sul-africano encontrava-se na sala ao lado onde decorreu o encontro na mansão dos Gupta, em Saxonwold, Joanesburgo, acusação que Jacob Zuma negou também.

"Não interagi com esta testemunha. Ele [Ajay Gupta] nada tinha a ver com o governo, ele é um empresário", disse Jacob Zuma.

As alegações de que o ex-Presidente sul-africano terá dado "carta branca" aos três irmãos empresários Gupta, que são sócios em vários negócios com a família Zuma, para "pilhar" os recursos do Estado e influenciar a nomeação de altos dirigentes do ANC no governo, constituem parte do mandato da comissão de inquérito, que arrancou em Agosto.

O ex-chefe de Estado, de 77 anos, disse hoje também que ele e os filhos receberam ameaças de morte horas depois de depor pela primeira vez na segunda-feira na comissão de inquérito, reunida no norte de Joanesburgo.

"Na noite passada, entre as 07:00 e as 08:00, a minha assistente pessoal do ANC recebeu um telefonema de uma pessoa desconhecida que disse para me informar que me vão matar e também os meus filhos e algumas pessoas do meu círculo", afirmou Zuma.

Na segunda-feira, o ex-chefe de Estado negou ter cometido crimes e considerou que as numerosas acusações de corrupção de que é alvo são "uma conspiração para o prejudicar que remonta aos anos 90".

De acordo com Zuma, "o plano inclui tentativas de assassinato com a intervenção de organizações de inteligência locais e estrangeiras".

Jacob Zuma foi afastado pelo seu partido em Fevereiro de 2018 e substituído por Cyril Ramaphosa, o seu vice-Presidente, que foi confirmado como chefe de Estado nas eleições gerais em Maio último, com 57,5% dos votos.

A comissão de inquérito, presidida pelo juiz Raymond Zondo, foi criada na sequência do relatório "Captura do Estado", divulgado em 2016 pela então procuradora-geral da República, Thuli Madonsela, em que acusou Zuma e o seu executivo de orquestrarem uma "cabala" para colocar o Estado ao seu serviço pessoal e da família Gupta, empresários de origem indiana.

Paralelamente a esta investigação, Jacob Zuma está a ser processado judicialmente num caso de corrupção, branqueamento de capitais e fraude, relacionado com a compra de armamento e equipamento de defesa para as Forças Armadas sul-africanas no final dos anos 90.

Em 2016, por ordem do Tribunal Constitucional, Jacob Zuma foi obrigado a devolver meio milhão de euros do erário público por terem sido gastos irregularmente em obras na sua residência privada, na província do KwaZulu-Natal.

Assuntos Justiça   África do Sul  

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