Angop - Agência de Notícias Angola PressAngop - Agência de Notícias Angola Press

Ir para página inicial
Luanda

Max:

Min:

Página Inicial » Notícias » África

13 Agosto de 2019 | 17h06 - Actualizado em 13 Agosto de 2019 | 17h06

ONU pede tratamento humanitário para migrantes a bordo de navios

Genebra - A ONU pediu hoje aos governos europeus para que autorizem o desembarque e prestem assistência humanitária aos 507 migrantes resgatados nos últimos dias no Mediterrâneo por duas organizações não-governamentais (ONG) e que ainda permanecem em alto mar.

Envia por email

Para compartilhar esta notícia por email, preencha os dados abaixo e clique em Enviar

Corrigir

Para reportar erros nos textos das matérias publicadas, preencha os dados abaixo e clique em Enviar

Logotipo do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR)

Foto: Divulgação

Do total de 507 migrantes, 151 pessoas encontram-se a bordo do navio "Open Arms", da ONG espanhola Proactiva Open Arms, que está parado ao largo da ilha italiana de Lampedusa, à espera de um porto seguro para desembarcar.

As outras 356 pessoas resgatadas estão no "Ocean Viking", navio fretado pelas ONG Médicos Sem Fronteiras e SOS Mediterrâneo e a única embarcação humanitária que se encontra nas águas internacionais ao largo da Líbia.

"Muitos são sobreviventes de abusos terríveis na Líbia e procedem de países que são origem de muitos refugiados. Precisam de assistência humanitária e alguns expressaram a sua intenção de pedir protecção internacional", referiu o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) num comunicado.

O enviado especial do ACNUR para o Mediterrâneo Central (a rota migratória que sai da Argélia, Tunísia ou Líbia em direcção à Itália e a Malta), Vincent Cochetel, alertou que o desembarque destas pessoas é urgente, uma vez que as previsões para aquela zona antevêem um agravamento das condições meteorológicas.

"Abandonar em alto mar pessoas que fugiram da Líbia significaria neste momento causar ainda mais sofrimento a estas mesmas pessoas", frisou o enviado especial.

"Deve-se facilitar imediatamente um porto seguro e distribuir a responsabilidade entre os diferentes Estados para acolher estas pessoas" após o desembarque, reforçou o comunicado do ACNUR.

O ministro do Interior italiano e o principal rosto da política "de portos fechados" praticada por Itália, Matteo Salvini, reiterou hoje que o navio "Open Arms" deve rumar para Espanha, assegurando ainda que está a trabalhar para evitar o desembarque dos migrantes em território italiano.

Em Julho, e após uma reunião em Paris, o presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou que 14 Estados-membros da União Europeia, dos quais oito (entre eles Portugal) de "forma activa", tinham acordado avançar com um "mecanismo de solidariedade" para a distribuição dos migrantes resgatados no Mediterrâneo, em particular ao largo da Líbia, e acabar com os processos negociais e diplomáticos difíceis, e com as conversações caso a caso, regularmente associados a estas situações.

A Líbia tornou-se nos últimos anos uma placa giratória para centenas de milhares de migrantes, a maioria oriunda de países africanos, que tentam alcançar a Europa através do Mediterrâneo.

Durante a travessia, muitos destes migrantes são apanhados pela guarda costeira líbia, apoiada pela União Europeia (UE), enquanto outros são resgatados por embarcações de ONG.

Segundo os dados mais recentes da Organização Internacional para as Migrações (OIM), 39.289 migrantes e refugiados chegaram à Europa através do Mar Mediterrâneo entre 01 de janeiro e 04 de agosto de 2019, cerca de 34% menos que em igual período de 2018.

Daquele total, o maior número de pessoas chegou à Grécia (18.947), seguindo-se a Espanha (13.568), Itália (3.950), Malta (1.583) e Chipre (1.241).

No mesmo período, 840 pessoas morreram durante a travessia do Mediterrâneo, segundo a organização.

Assuntos Líbia  

Leia também