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11 Setembro de 2019 | 17h48 - Actualizado em 11 Setembro de 2019 | 17h47

Camarões: Presidente Biya convoca diálogo sobre um conflito secular

Yaoundé - Os Camarões vivem actos de violência diários entre as tropas governamentais e os separatistas das suas duas regiões anglófonas, fruto da história dinâmica daquela antiga colónia alemã, dividida depois da primeira guerra mundial de 1914-1918, entre a França e o Reino Unido.

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Reza a história que, depois da derrota da Alemanha, em 1918, a Sociedade das Nações (SDN, antecessora da ONU), entregou 4/5 do “Kamerun” alemão à tutela da França, e a parte ocidental, fronteiriça com a Nigéria, à tutela britânica.

A parte francesa tornou-se independente em 1960. Um ano mais tarde, a parte camaronesa sob tutela inglesa (Norte maioritariamente muçulmana) opta pela sua anexação à Nigéria, e a outra parte aos Camarões francófonos, para formar a República Federal, a partir de 01 de Outubro de 1961. Um referendo acabou com o federalismo, em 1972.

Minoria anglófona

Maioritariamente francófono, os Camarões tem 10 províncias, duas das quais maioritariamente anglófonas, nomeadamente o Noroeste, (capital: Bamenda) e Sudoeste (capital: Buea).

Os anglófonos representam cerca de 14% dos 23 milhões de habitantes do país.

As autoridades gabam-se da realidade do bilinguismo, sendo o país membro da Francofonia e da Commonwealth.

Todavia, muitos anglófonos se consideram marginalizados, e mesmo vítimas de discriminação, e denunciam uma partilha desigual da riqueza.

 “Unidade” contestada

Nos anos 1990, as reivindicações anglófonas por um referendo independentista multiplicaram-se.

Em 2001, aquando do 40º aniversário da unificação, foram proibidas as manifestações, resultando em vários mortos e na prisão de muitos líderes secessionistas.

As actuais tensões emergiram em Novembro de 2016, com as reivindicações dos professores que criticavam a indicação dos francófonos para as regiões anglófonas, e os juristas a rejeitarem a supremacia do direito romano sobre a “Common Law” anglo-saxônica.

Na sua maioria, os líderes da contestação exigem o retorno ao federalismo e, para uma minoria, defendiam a criação de um Estado independente, a “Ambazónia”.

Repressão e violência

A partir de Dezembro de 2016, manifestações numa zona anglófona saldaram-se na morte dos primeiros civis. Outros seriam mortos durante as marchas de protesto duramente reprimidas pela Polícia.

A 17 de Janeiro de 2017, vários líderes anglófonos foram presos, acusados de “actos de terrorismo”, mas o presidente Paul Biya anula as acusações, em Agosto do mesmo ano.

No dia 01 de Outubro do mesmo ano, pelo menos 17 pessoas foram mortas, a margem de uma proclamação simbólica de independência pelos separatistas.

“Não somos mais escravos dos Camarões”, declarou o autoproclamado “presidente” da Ambazónia, Julius Ayuk Tabe.

No fim de 2017, um grupo radical dos separatistas atacou as forças de defesa e segurança, os símbolos da administração e incendeiam escolas, raptando agentes da Polícia e empresários, muitos dos quais estrangeiros.

 “Guerra civil”

Em Abril de 2018, a Frente Social Democrática (FSD), um dos principais partidos da oposição a Paul Biya, considera que a crise “degenerou em guerra civil aberta”.

Em Outubro de 2018, um missionário americano foi morto em Bambui, subúrbio de Bamenda. A 05 de Novembro, 79 alunos de um liceu de Bamenda são raptados, o maior rapto desde o inicio do conflito. Dois dias depois, foram libertados.

A 01 de Dezembro de 2018, Yaoundé lança um programa de desarmamento nas zonas conflituosas do Extremo-Norte e anglófonas.

Naquela altura, os confrontos armados entre os separatistas e as forças armadas fizeram dois mil mortos, segundo a Human Rights Watch. Mais de 530 mil pessoas abandonaram os seus lares, de acordo com a ONU.

A 20 de Agosto de 2019, Julius Ayuk Tabe e nove dos seus seguidores são condenados a prisão perpétua, por “terrorismo” e “secessão”. 

Desde então, milhares de pessoas abandonam as regiões anglófonas, temendo uma escalada de violência, depois do apelo separatista à “greves”. No dia do inicio do ano lectivo, a 02 de Setembro, o apelo foi largamente seguido e poucas escolas abriram as portas.

A 10 de Setembro, o Presidente Biya anunciou a convocação de um diálogo nacional para o fim do mês.

(In Africanews)

Traduzido por: João Gomes Gonçalves /Angop

Assuntos Camarões  

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