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26 Março de 2020 | 16h01 - Actualizado em 26 Março de 2020 | 16h01

Doença poderia ser evitada com plano de contingência, diz PM guineense

Bissau - O primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Aristides Gomes, afirmou que o seu Governo tinha um plano de contingência que poderia evitar a entrada do novo coronavírus no país, caso não houvesse o golpe de Estado que o afastou do poder, noticiou a Lusa.

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Em mensagem dirigida aos guineenses e divulgada nas redes sociais, Aristides Gomes, que tem estado em lugar incerto nas últimas semanas, defendeu que "o golpe de Estado fez colapsar os dispositivos previamente montados" pelo seu Governo, para alerta e prevenção à covid-19.

O chefe do Governo disse registar "com muita preocupação" o facto de terem sido anunciados dois casos de infecção por novo coronavírus na Guiné-Bissau, situação que "tende a piorar", porque, considerou, as novas autoridades não têm "um plano orientador" nem medidas preventivas e reactivas para a população.

"Neste momento, estamos perante uma incerteza quanto à propagação da pandemia", afirmou Aristides Gomes, para quem são precisas "acções dinâmicas, com respostas imediatas" de acordo com a evolução da doença na Guiné-Bissau.

Aristides Gomes considerou que as "autoridades instaladas com o golpe de Estado" revelam "uma inércia" no que se refere às respostas, apontando o que diz serem falhas na estratégia, nomeadamente o facto de os infectados ainda não terem sido isolados para evitar o contágio e de material de protecção aos profissionais de saúde que vão lidar com os doentes.

O primeiro-ministro considerou ainda estar em falta um plano de assistência à população, em caso de calamidade, medidas para mitigar os efeitos do isolamento e o abastecimento de bens e produtos, uma vez que o comércio e os mercados encontram-se fechados.

O governante saúda os apoios da comunidade internacional, particularmente o gesto da fundação chinesa Jack Ma / Alibaba que, no âmbito dos apoios a todos os países africanos, vai doar à Guiné-Bissau 20 mil testes da covid-19, 100 mil mascaras e outras tantas batas médicas.

"Portanto, não se trata de diligência de ninguém em especial", referiu Aristides Gomes na sua mensagem aos guineenses, reforçando a necessidade de ser criada uma autoridade técnica "competente e autónoma" para lidar com a covid-19 na Guiné-Bissau.

Gomes levanta, na sua mensagem, várias questões sobre a forma como as autoridades instaladas têm estado a lidar com a doença, nomeadamente questionando sobre se já se sabe quando será o pico da infecção, qual o numero de pessoas a serem internadas e como serão isoladas e atendidas.

Disse ainda que, "ao contrário do que muitos afirmam", o momento é para se falar de política, salientando que as políticas públicas que o seu Governo vinha a implementar e interrompidas com o golpe tinham respostas para os problemas sociais do país, e agora, refere, as "consequências estão a ser dramáticas".

A Guiné-Bissau vai atravessar esta pandemia no meio de uma crise política, após Umaro Sissoco Embaló ter tomado posse como Presidente enquanto ainda decorre no Supremo Tribunal de Justiça um recurso do candidato Domingos Simões Pereira, que alega irregularidades nas eleições de 29 de Dezembro.

Depois de ter tomado posse, Embaló nomeou um Governo, liderado por Nuno Nabian, que ocupou os ministérios com apoio de militares, mas recusa que esteja em curso um golpe de Estado no país e diz que aguarda a decisão do Supremo sobre o contencioso eleitoral.

O número de mortes causadas pela covid-19 em África subiu hoje para 72 com o número de casos acumulados a ultrapassar os 2.700 em 46 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infectou perto de 450 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 20 mil.

Depois de surgir na China, em Dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

Assuntos Guiné-Bissau  

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