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31 Julho de 2020 | 00h01 - Actualizado em 30 Julho de 2020 | 23h33

SADC: 8,4 milhões de crianças sofrerão de desnutrição aguda este ano

Gaberone - A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) estima que 8,4 milhões de crianças poderão sofrer de desnutrição aguda na região durante este ano como consequência das medidas decretadas para conter a pandemia da covid-19.

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No relatório de síntese sobre o estado da segurança alimentar e nutricional e a vulnerabilidade na África Austral, publicado na quarta-feira, a SADC estima que a pandemia da covid-19 possa aumentar "ainda mais o risco de desnutrição", uma vez que as medidas de confinamento decretadas por vários Estados-membros para conter a propagação do vírus provocaram uma redução no acesso aos alimentos.

"À medida que mais restrições foram introduzidas pelos Estados-membros, diversas variedades de alimentos tornaram-se indisponíveis e inacessíveis para os agregados familiares mais vulneráveis", lê-se no relatório.

A SADC acrescenta que devido à pandemia "existe o risco de os agregados familiares serem forçados a adoptar práticas alimentares negativas", como a redução da frequência das refeições ou a quantidade e qualidade de alimentos, para "se adaptarem às medidas de confinamento".

Ainda que os efeitos da pandemia não sejam totalmente conhecidos, a SADC estima que, devido às medidas de contenção, "a subnutrição aguda em toda a região possa aumentar em 25% ou mais durante o resto de 2020 e até 2021".

"Com estas considerações, espera-se que haja aproximadamente 8,4 milhões de crianças que sofrerão de desnutrição aguda em toda a região em 2020 e, destas, 2,3 milhões de crianças necessitarão de tratamento que salvará vidas", aponta o relatório.

De acordo com a SADC, 72% das crianças afectadas encontrar-se-ão em seis países da região: Angola, Moçambique, República Democrática do Congo (RDC), Madagáscar, Tanzânia e Zâmbia.

Angola, Moçambique, Madagáscar e Zimbabwe estão também sinalizados pela SADC devido à fraca produção de alimentos, o que "indica um início precoce da estação magra [período de escassez], que irá agravar ainda mais os efeitos da covid-19".

No mesmo documento, a SADC refere que quase 5% das crianças até aos cinco anos em Angola e 4,4% em Moçambique enfrentam desnutrição aguda global.

Entre os países da África Austral mais afectados, as Comores são as que apresentam uma maior taxa de desnutrição aguda global, com 11,2% das crianças até aos cinco anos nesta situação, seguindo-se RDC (8,1%), Botswana (7,3%) e Namíbia (7,1%).

Por outro lado, Essuatíni (2%) e Lesoto (2,1%) apresentam a menor taxa de desnutrição aguda global.

No documento, a SADC analisa também a taxa de prevalência de atrofiamento entre as crianças da região, contabilizando mais de 18,7 milhões de crianças raquíticas.

"A prevalência do atrofiamento é superior a 30% - classificado como muito elevado -- em nove dos 16 Estados-membros da SADC", aponta a organização regional, acrescentando que "a redução do atraso de crescimento retardado está a ocorrer demasiado lentamente para cumprir os objectivos da Assembleia Mundial da Saúde 2025 ou os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável 2030".

Os dados apresentados no relatório colocam Moçambique como o segundo país da África Austral com a maior taxa de prevalência de atrofiamento, com 42,3%, apenas atrás da RDC (42,7%), e à frente de Madagáscar (41,6%), Malawi (39%) e Angola, que ocupa o quinto lugar dos países mais afectados, com 37,6%.

No documento, a SADC recorda que a África Austral "é propensa a choques climáticos extremos recorrentes" e que em apenas uma das últimas cinco épocas de cultivo houve precipitações normais.

Em 2019, os "repetidos choques climatéricos extremos", como os furacões Idai e Kenneth e a prolongada seca, resultaram "na maior insegurança alimentar aguda da última década".

Actualmente, a organização regional estima que haja cerca de 44,8 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar.

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