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21 Setembro de 2010 | 16h16 - Actualizado em 21 Setembro de 2010 | 16h35

Alterações climáticas provocam mais refugiados do que as guerras

Ambiente

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 Luanda  – A ministra do Ambiente, Fátima Jardim, disse hoje, em Luanda, que existem no mundo mais refugiados ambientais do que de guerra e estima-se que na última década mais de dois biliões de pessoas foram afectadas pelas catástrofes naturais.

Fátima Jardim, que falava nas XIV Jornadas da FESA, como presidente do Comité Planeta Terra, fez saber que a água transforma a gestão dos recursos hídricos num dos assuntos globais como primeira questão da humanidades, pois determina a paz, progresso universal e o futuro das condições de vida da humanidade.

As alterações climáticas, acrescentou, são consideradas como uma das principais causas que motivam vulnerabilidades sobre os recursos hídricos que já provocam não só alterações no ciclo hidrológico, como na biosfera, condicionando o desenvolvimento e a segurança das nações.

Para si, hoje a gestão dos recursos hídricos pressupõe não só a apreciação de aspectos multidisciplinares que compreendem questões, hidrogeológicas ecológicas da qualidade da água, ordenamento territorial e o planeamento de critérios de segurança e sustentabilidade para qualificar o ambiente e o desenvolvimento socioeconómico.

“As recentes precipitações no Cunene, Kuando Kubango, Moxico, Luanda e outras províncias do país confirmaram o alto nível de incidência e riscos das cheias e débil gestão integrada dos recursos hídricos, sobretudo, da região do Cunene que ocasionou 22 mil deslocados ambientais, casas destruídas e 85 porcento dos agregados familiares em vulnerabilidade social extrema e insegurança alimentar”, disse.

   

A escolha deste importante tema identifica a responsabilidade e contínua dedicação da fundação e do seu patrono na abordagem cada vez mais participativa e diversificada das questões universais que contribuem não só para a legitimização dos objectivos e metas nacionais, bem com os compromissos internacionais.

A água, de acordo com a ministra, por existir em quantidades finitas, constitui um dos pilares do desenvolvimento, daí que o respeito a gestão da mesma ser universal e cheia de simbolismos desde o baptismo à ciência, pois é indispensável a sobrevivência de todos os seres vivos e uma das componentes essenciais da vida.

A questão da água interpela, disse ainda Fátima Jardim, a humanidade no plano ético, no plano de justiça e de solidariedade, e faz dedicar e abordar assuntos de interesse multidiversificado que se inscrevem em programas temáticos que incluem a economia, ecologia, mudanças climáticas, tecnologia, desflorestação e poluição, encontrando–se a política da água integrada a viabilidade económica.

  

O certame está subdividido em quatro painéis e durante os quatro dias, os participantes vão abordar questões como “Água e alimentação visando o fim da pobreza” e “água, saneamento e saúde para todos”.

  

“Monitoramento de indicadores associados aos objectivos do milénio”, “a água, as alterações climáticas e os desastre naturais”, “os princípios da gestão da água no quadro das alterações climáticas” e “a água, impacto ambiental e cenários de escassez”, bem como “o futuro da política da água e a crise global do ambiente” são outros temas para abordar no certame.

São ainda abordados a problemática do “triálogo interactivo governo, sociedade civil e ciência, visando a mitigação e gestão de catástrofes”, “cooperação para adequada gestão de bacias hidráulicas transfronteiriças” e “preservação de ecossistemas naturais na gestão integrada dos recursos hídricos”.

  

“O papel das águas subterrâneas com reserva estratégia de água”, “a importância dos planos directores de água e saneamento no êxito da implementação dos respectivos projectos” e “água para energia, energia para água”, assim como o “modelo financeiro para edificação de infra-estruturas de monitoramento hidrométrico, abastecimento de água e saneamento” também estão em debate.

  

O evento que conta com palestrantes angolanos, portugueses, brasileiros, italianos, ingleses, americanos, alemãs, canadianos e espanhóis aborda ainda a “parceria público-privada na gestão da água: Experiências e oportunidades”, “reforma institucional e a regularização como questão fundamental dos serviços de água e saneamento”, “água, reflexos jurídicos de âmbito institucional, nacional e internacional” e o “papel das tarifas dos serviços da água”.