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21 Dezembro de 2016 | 08h20 - Actualizado em 28 Dezembro de 2016 | 11h08

Antigo combatente, um exemplo de superação no Bié

Cuito - Se a história deixou marcas indeléveis do momento em que as pessoas tinham de fugir ou procurar lutar contra as balas que se entrecruzavam de um lado para o outro, com as minas colocadas no chão, em puro sinal de sobrevivência, hoje a situação é bem diferente.

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Administradora do Chitembo, Celestina Nacomo exibe satisfeita uma amostra da planta do arroz cultivado na sua comuna

Foto: Tarcisio Vilela

Augusto Dias Sanene Manuel, antigo combatente e presidente da Associação da Escola de Campo Tukuatisse do bairro Kapango.

Foto: Tarcisio Vilela

(Por Adriano Chisselele)

Com os esforços que o Governo fez ou têm sido feitos para a desminagem no país, uma nova esperança de viver está patente no rosto dos bienos. Com a enxada e a catana nas mãos, as pessoas voltaram a cultivar os mantimentos para o seu sustento, conforme aprenderam dos mais velhos.  

O exemplo desta motivação individual e colectiva denota-se no município do Chitembo, a 150 quilómetros da cidade do Cuito, capital da província do Bié.

“A actividade predominante desta população é a agricultura. Pratica-se, também, a pesca. Agricultura de subsistência para algumas famílias e temos agricultores que utilizam meios um pouco mais mecanizados e industrializados. A esses, chamamos pequenos agricultores”, explica a administradora-adjunta do Chitembo, Celestina Nacomo. 

As culturas mais presentes no Chitembo são o milho, a soja, o arroz e o feijão.

A administração municipal tem sido a base impulsionadora para a promoção da actividade agrícola diversificada, daí que, com a constituição de mais 20 escolas de campo e com o surgimento de 28 associações, a cultura das hortícolas, frutíferas e a produção do mel têm sido incentivadas.

Os agricultores têm recebido, com alguma regularidade, os adubos, amónios e outros fertilizantes, de modo a melhorar a produção. A criação de animais, tais como gado bovino, caprino, suíno e aves, faz, igualmente, morada nesta parcela do Bié.

Segundo Faustino Satchilembo, director municipal da Estação de Desenvolvimento Agrário (EDA), os caprinos existentes no Chitembo estão na ordem dos dois mil 454, 6 a sete mil suínos e mil 181 cabeças de gado bovino. Estes animais servem para atender às necessidades de consumo do município.

Quanto à produção de arroz, um alimento muito cultivado no tempo colonial, Faustino Satchilembo fez saber que alguns agricultores desenvolvem, com muito ânimo, esta actividade, face às condições propícias do clima e do solo.

“Neste momento, temos registado quatro hectares para a produção do arroz: uma lavra na localidade de Utale  e aqui, na sede do Chitembo.  Na época agrícola que findou, produziram-se, por exemplo, num hectare, mil 700 quilos. A previsão é aumentar a produção, cada vez mais. Queremos, para já, aumentar de quatro para 10 ou 12 hectares, ainda este ano, e daí por diante”, fez saber.

Cultivar o arroz requer cuidados especiais para que a planta cresça com naturalidade. Em virtude disso, técnicos do Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA) e profissionais espanhóis têm dado instruções de como devem semear e monitorar o desenvolvimento deste cultivo.

Augusto Dias - o grande vencedor

Augusto Dias Sanene Manuel, antigo combatente, diz que, quando terminou a guerra no país, não sabia mais o que fazer, até porque é amputado dos dois membros inferiores. A vida parecia estar arrasada. Mas não! Sabia, no seu íntimo, que podia avançar.

Ergueu a cabeça e os ombros e começou por trabalhar. “Mergulhou” no cultivo do arroz, não quis deixar o legado dos pais em mãos alheias. Tudo começou com uma formação incentivada pela administração da localidade do Uongo. Daí, apesar da deficiência, engajou-se, com a ajuda de alguns jovens, no cultivo deste alimento, muito consumido em Angola.

“Aqui já cultivámos e colhemos mil quilos de arroz”, ressalta Augusto Dias Sanene Manuel, que também é o presidente da Associação da Escola de Campo Tukuatise do bairro Kapango.

A colheita feita a título experimental motiva-o a continuar. Como legado, tem estado a ensinar os mais jovens a trabalharem, para que entendam que só com o trabalho as pessoas se sentem úteis na sociedade.

“Esta associação iniciou com 15 jovens. Sempre estamos a instruir, e agora estamos nos 30. Os jovens estão mais interessados. Até os menores também querem cultivar, mas não podem. São menores”, revela Augusto Dias, visivelmente satisfeito por ter enfrentado as barreiras da deficiência física, com os olhos postos no futuro.

O presidente da Associação Tukuatise deixa, por isso, um apelo aos outros cidadãos, em particular, às pessoas com deficiência, de que não podem pensar que são inúteis, estendendo a mão “dela para cá” nas cidades do país, pois há sempre uma coisa a ser feita para o sustento e o aumento da auto-estima.

“A guerra destruiu muitas áreas, vitimou muita gente. Fiquei mutilado, mas, como os nossos mais velhos nos ensinaram a cultivar, temos de cultivar a nossa terra. Devemos reconstruir o nosso país e produzir as nossas terras, para melhorar a economia do país”, sublinhou.

Assuntos Agricultura  

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