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21 Dezembro de 2016 | 08h00 - Actualizado em 28 Dezembro de 2016 | 09h10

Bié, Huambo e Cuando Cubango presentes na agricultura e indústria

Cuito - As províncias do Bié, Huambo e Cuando Cubango, situadas no Centro e Leste do país, estão em ascensão, relativamente à produção agrícola e industrial. O engajamento na actividade agrícola é mais evidente nestas regiões do país.

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Foto: Tarcisio Vilela

Gado de raça Nelore. na fazenda modelo Vunongue

Foto: Tarcisio Vilela

(Por Adriano Chisselele)

Divisam-se, ao longo das vias que as ligam, lavras e fazendas enormes, numa clara demonstração de que é na agricultura onde está o passo seguro para o progresso. Dizia o primeiro presidente da República de Angola, António Agostinho Neto, que “a agricultura é a base do desenvolvimento”.

Nota-se, neste quadro, que a agricultura de subsistência soma e segue o seu passo, não obstante a agricultura industrializada e mecanizada tomar corpo no país, como não podia deixar de ser.

Por exemplo, no Cuchi, município do Cuando Cubango, mostra-se uma das provas desta atenção virada para o alavancamento do sector agrícola, com a actividade agro-pecuária.

Um projecto de produção de animais nasce

Chama-se Projecto das Fazendas Agro-Pecuárias do Cuchi e prevê, entre os rios Cuchi e Cuelei, a disponibilização de 200 mil hectares de terras, aptas para o desenvolvimento da pecuária. Aí surgirão 50 fazendas que não só irão criar, essencialmente, o gado bovino, mas também o suíno e a construção de granjas para a produção de ovos.

Para tal, na cidade de Menongue, sede capital do Cuando Cubango, foi instalada, nos finais de 2014, a Fazenda-Modelo que tem por missão servir de base tecnológica para as 50 fazendas em surgimento. Daí sairão todos os dados técnicos, bem como se vai experimentar a mão-de-obra, para que esteja apta a funcionar no projecto.  

“Hoje temos 131 trabalhadores em treinamento. Estão focados no plantio de milho e soja. A soja e o milho são dois grãos importantíssimos para alimentar qualquer criação, quer seja gado, aves, quer seja suíno. Estamos a testar quatro variedades de soja e milho no solo do Cuando Cubango e as perspectivas são animadoras quanto ao desenvolvimento destas plantas”,  confirma Bernardino Araújo, gestor de projectos da Fazenda-Modelo e das 50 Fazendas do Cuchi.

No início da Fazenda-Modelo, 400 trabalhadores participaram no desmate da área reservada, com motosserras e outros equipamentos. A antevisão é de que muita gente vai fazer parte deste grande projecto agro-pecuário. Pelo menos duas mil pessoas irão envolver-se nas fazendas, o que, segundo o administrador municipal adjunto do Cuchi para a área Económica e Social, João Ntyamba, representará grande apoio social do Governo de Angola para se remover o universo de pessoal existente no mundo do desemprego.

Perspectiva-se que a futura granja da Fazenda-Modelo venha a produzir 320 mil ovos por ano e duas mil cabeças de gado bovino.

O objectivo do projecto das fazendas é o de aumentar a capacidade de animais e evitar-se a importação dos mesmos, pois podem ser produzidos no país. Assim, ressalta Bernardino Araújo, dá-se a oportunidade aos outros fazendeiros para comprarem gado em Angola, com a qualidade que se deseja.

“Temos mercado para a venda de carne. Hoje, o país importa cerca de dois milhões de dólares só em carne. Então, devemos ter a consciência de que temos de criar carne de qualidade. Essa é a base do sucesso de uma actividade agrícola e agro-pecuária”, ressaltou Bernardino Araújo.

Cada uma das 50 fazendas terá cinco mil hectares. O gestor de projectos das fazendas garantiu que, no prazo de 15 dias, se iniciaria o desmatamento e o preparo da primeira fazenda, já que o objectivo é o de preparar o espaço onde as mesmas vão estar.

Claudemiro Ramalho, outro gerente agrícola da Fazenda-Modelo, explica que, para cada um hectare, corresponde uma cabeça de gado para poder alimentar todo o ciclo de vida (desde o nascimento até à data do seu abate), durante três anos.

As Fazendas do Cuchi têm uma capacidade de 5 mil hectares cada e, então, terão cinco mil cabeças de gado, cada uma delas.

Companhia Siderúrgica

Homens e máquinas “suam” para que, a breve trecho, a fábrica de produção do ferro gusa (matéria-prima de produção do aço), localizada no município do Cuchi, Cuando Cubango, inicie a sua actividade.

Os trabalhos tiveram o ponto de partida há cerca de um ano e meio e estão a cargo da empresa angolana de construção civil LM GRUPO. “Neste ano, foi feita a maior parte do trabalho - movimentação de terras, escavação e aterros”, indica Bernardino Assunção, engenheiro civil e director da LM Grupo.

Desde finais do ano passado, a base do alto-forno (onde o mineiro de ferro e o carvão são misturados para dar o ferro gusa) já está pronta. Em construção, estão os silos do carvão (espaços para o armazenamento do carvão,  componente importante para a produção do ferro gusa) e o muro de suporte de terras do silo de mineiro.  

O engenheiro explica que as bases necessárias para os suportes das estruturas metálicas da fábrica estão concluídas, pelo que, se não existirem constrangimentos de maior monta, prevêem que, em 2017, a indústria comece por produzir.

A fábrica, que pretende empregar pelo menos quatro mil trabalhadores, vai engajar-se na produção deste bem, porque, apesar de ainda não haver mercado no país para o ferro gusa, este produto é uma comodity internacional, uma vez ser muito procurado nos países como EUA e China. Isso vai fazer que mais divisas entrem em Angola, devido à exportação desta matéria-prima.

O ferro gusa é a matéria-prima necessária para a produção do aço e da chapa. Para se ter uma ideia, aponta Wilson Reis Oliveira, supervisor de montagem industrial da Molulax (empresa brasileira de montagem de fornos), na produção de fogões, geleiras e carros para sua incorporação.

A LM Grupo e a Modulax  são duas sócias da Companhia Siderúrgica do Cuchi, um projecto governamental de grande impacto económico e social.

Wilson Oliveira, cidadão brasileiro que há mais de 30 anos monta fornos, fez saber que a primeira unidade (forno) a ser montada tem uma capacidade instalada de nove a 10 mil toneladas/mês de ferro gusa. Concluída a construção do projecto, com a instalação de mais duas unidades, com capacidade de 30 mil toneladas/mês, vão-se produzir 40 mil toneladas/mês da mesma matéria-prima.  

Todo o equipamento para a efectivação desta indústria está a ser produzido pela Modulax, no Brasil, na cidade das Sete Lagoas. No futuro, pretende-se produzir, na fábrica, as peças de reposição das maquinarias da Companhia Siderúrgica, para reduzir, ao máximo, os custos e obter maior rendimento.    

Para sustentar a fábrica, em termos de energia, está prevista a construção de uma termoeléctrica, mas, para se pôr a funcionar a primeira unidade (forno),  a indústria dependerá de dois grupos geladores de  mil KVA'S, cada.

Numa clara ajuda aos habitantes do Cuchi, a termoeléctrica, a ser construída, vai, igualmente, fornecer energia ao município.

Companhia Siderúrgica do Cuchi tida como projecto-escola

A princípio, o corpo técnico que dará o impulso da fábrica vem do Brasil. Em contrapartida, a Companhia Siderúrgica do Cuchi é tida como projecto-escola, uma vez que visa ensinar as pessoas a adequar-se a este tipo de fábrica.

“O corpo técnico vem do Brasil, e, passados cinco ou seis anos de funcionamento da fábrica, vamos ter angolanos a trabalhar nas máquinas. Neste momento, 90 porcento dos trabalhadores é angolano. Estamos aqui com 50 trabalhadores, dos quais seis ou sete são estrangeiros. Colocar o máximo de funcionários angolanos que vivem próximo da empresa é o objectivo”, disse Wilson Oliveira.

A mina, donde irá provir o mineiro para a produção do ferro gusa, está na localidade do Cutato, comuna do Cuchi.

Ferro gusa

O processo de produção do ferro gusa comporta remoção de mineiro de ferro, no caso, no Cutato. Este mineiro é transportado para a siderurgia onde é condicionado em zonas de reservas, depois transportado para os seus silos. Ao mesmo tempo, é produzida a madeira de eucaliptos, pois essa terá de ser transformada para fazer carvão que, posteriormente, é levado para o silo.

Estas matérias-primas, depois de serem pesadas e preparadas na fábrica, são levadas para o forno, onde são queimadas, saindo daí dois produtos, a escória, sem valor para fábrica (mas pode ser usada nas sementeiras), e o ferro propriamente dito, que é o gusa, utilizado em vários bens como caixas de saneamento, fogareiro, carro e geleira.

A área de implantação da Companhia Siderúrgica do Cuchi atinge os seis hectares, com espaços para o acesso, acondicionamento de materiais e balanças.

Uma simbiose perfeita está prevista no Cuchi

A Companhia Siderúrgica do Cuchi vai precisar de carvão, produto indispensável na fabricação do ferro gusa.

Desta feita, a Fazenda-Modelo, com os desmatamentos que têm sido feitos em espaços onde se vão instalar as 50 fazendas de produção animal, prepara-se, igualmente, para produzir carvão e satisfazer as necessidades da futura siderúrgica.

Para este efeito, ela já tem 83 fornos para a produção de carvão. A previsão, segundo Claudemiro Ramalho, gerente agrícola da Fazenda-Modelo e das 50 Fazendas do Cuchi, é a construção de sete mil 500 fornos.

“Um forno da siderurgia necessita de dois mil metros cúbicos de carvão dia”, esclareceu, tendo, por isso,  informado que mais de duas mil pessoas serão necessárias para se engajarem na produção do carvão.

Logo, a plantação regular de eucaliptos para a produção de carvão estará incluída no projecto das fazendas.

Para o administrador municipal adjunto do Cuchi para área Económica e Social, João Ntyamba, quando se ouvisse dizer que Cuando Cubango era “Terra do fim do mundo”, entristecia todos, mas este mito, a todo o custo, está a desfazer-se, pois os cuando-cubaguenses sempre acreditaram que a sua região era a terra do progresso.

A criação da Companhia Siderúrgica do Cuchi e das 50 Fazendas satisfaz o administrador municipal, porquanto são projectos governamentais de grande monta, no âmbito da política de diversificação económica, que vão propiciar desenvolvimento e permitir que muitos jovens se empreguem e, por consequência, obtenham o sustento deles e das suas famílias.

Dois jovens profissionais falam do seu dia-a-dia            

Bernardo Lucas, trabalhador da Fazenda-Modelo, antes de ingressar na sua actividade actual capinava na lavra dos seus pais. Agora, diz com alegria que sabe levantar a copa e a camisa (elementos que compõem o forno de carvão).

“Hoje, estou aqui no projecto e gostei muito. É muito importante estarmos a ver coisas que não podíamos. Estou a ajudar a família. O meu sonho é ter muitas coisas”, refere.  

Metódio Munini, natural do Cunene e residente no Cuando Cubango há mais de 15 anos, ressalta que o país está a caminhar, cada vez mais, para o melhor.

“Precisamos cada vez mais deste tipo de empresa para ajudar os jovens. Quem conhece o Cuando Cubango sabe que está a mudar”, sublinhou.

O Cuchi é um município do Cuando Cubango com extensão territorial de 10 mil 621 quilómetros quadrados e população estimada em 44 mil 456 habitantes.

Antigamente, tido como o principal celeiro da província, “labutava” para a reconquista da fama que a guerra procurou ofuscar.

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Assuntos Economia   Província » Bié   Província » Cuando Cubango   Província » Huambo  

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