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21 Dezembro de 2016 | 08h34 - Actualizado em 28 Dezembro de 2016 | 12h02

Camacupa - um monstro na produção de milho e soja

Cuito - Na província do Bié, a produção agrícola foi sempre uma tónica dominante, desde os tempos mais remotos que a agricultura de cariz familiar ou de subsistência esteve em voga.

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Lucas Daniel Fufuta, administrador adjunto de Camacupa

Foto: Tarcisio Vilela

Silos para a conservação do milho e soja em Camacupa

Foto: Tarcisio Vilela

(Por Adriano Chisselele)

O município de Camacupa, onde está instalado o Centro Geodésico de Angola, foi o exemplo de destaque na produção agrícola, essencialmente no cultivo de cereais no tempo colonial. Hoje, esta localidade “luta” para reconquistar esta imagem. A Fazenda Agro-Industrial de Camacupa, de soja e de milho, é um dos passos firmes nesta senda.

Com o uso de máquinas industriais e capacitação “In Job” do seu quadro de pessoal, muitos são os resultados que já surtiram efeito. Na produção agrícola de 2013/2014, a fazenda colheu 3600 toneladas de milho e soja, sendo que, na de 2015, registaram quatro mil e 500 toneladas.

A fazenda tem nove mil hectares e ainda não foi usada nem a metade do espaço disponível, dado que esteve em fase experimental.

“No primeiro ano (2013/2014), utilizámos mil 900 hectares. Em 2014/2015, já fizemos mais de mil 800”, indicou Manuel Cruz, director da Fazenda Agro-Industrial, tendo perspectivado que, quando chegarem aos nove mil hectares, poderão ultrapassar as mais de 10 mil toneladas de soja e milho, como capacidade instalada, por ano.  

Com um clima propício e imensas terras aráveis, têm tirado, por hectare, três a quatro toneladas do referido produto.  

Manuel Cruz esclareceu que a colheita feita, a título experimental, se destinou, especialmente, às empresas produtoras de ovos e frangos, como da Aldeia Nova, na província do Cuanza-Sul.

A fazenda tem uma moageira com capacidade de transformar 120 toneladas de milho e soja por dia. Já foi utilizada no sentido experimental e ela funcionou.

Em termos de armazenagem, possui todas as condições disponíveis. Tem quatro silos para acondicionar o milho, sendo que cada um destes tem a capacidade de cinco mil toneladas, o que perfaz o total de 20 mil toneladas de produto a armazenar.    

Mais dois silos de mil toneladas cada servem para armazenar soja. Para Manuel Cruz, este é um projecto grandioso, já que tem e terá um impacto muito grande para o país e para o Bié, em especial.

“Tem impacto grande na economia, na absorção de pessoal, no emprego e na alimentação da população. Realmente, é um projecto que veio engrandecer a província e o país”, ressaltou.

A seu tempo, as repercussões positivas desta fazenda far-se-ão sentir, tendo em conta a magnitude do projecto agrícola implementado pelo Governo angolano, a exemplo de outras que existem no país.

A primeira pedra da Fazenda Agro-Industrial de Camacupa foi lançada em Dezembro de 2012 e  é um projecto que está dentro da cooperação China/Angola.

Nesta fase experimental da fazenda, a Gesterra, gestora actual, em parceria com uma empresa Chinesa, tiveram a colaboração de trabalhadores eventuais. Em contrapartida, o director esclareceu que, com a futura substituição da gestão actual, a nova entidade contratará trabalhadores para um vínculo definitivo, sendo que os que já lá estão terão prioridade, tendo em atenção a sua experiência.    

“A parte chinesa vai fazer a entrega do projecto em breve ao Governo”, afirmou Manuel Cruz.    

Máquinas agrícolas, moageiras e silos  “aguardam” pelo apito de início das actividades de produção de milho e soja.  É com estes e outros projectos agrícolas que Camacupa caminha em prol da reconquista do seu nome, como produtora destacável de cereais.

O administrador municipal adjunto de Camacupa, Lucas Fufuta, sente-se regozijado pelas políticas implementadas pelo Executivo, para o reatar da actividade agrícola em todas as zonas onde a agricultura era visível.     

O responsável falou, com satisfação, sobre a implementação da Fazenda Agro-Industrial de Camacupa, pois considera um projecto grandioso.

Outro projecto que mereceu o elogio do administrador-adjunto é a Fazenda Arrozal, que tomou “a peito” a produção do arroz, em Camacupa. A mesma, de iniciativa privada, dá os primeiros passos ao cultivo deste produto e espera por bons resultados.  

Os munícipes de Camacupa dedicam-se, igualmente, ao cultivo de outros produtos, como é o caso das batatas rena e doce. Neste caso, camponeses, com muita experiência e capacidade, criaram, igualmente, fazendas.

Lucas Fufuta destacou as fazendas Jeremias e Senhor Samba Muhongo, como a prova desta dedicação à lavoura.

Independentemente disso, a agricultura familiar é muito destacável em Camacupa. Em todas as comunas, pratica-se, por isso se justifica a relevância do município em termos agrícolas no Bié.

Por este facto e em apoio aos agricultores, o administrador municipal adjunto de Camacupa fez saber que o Executivo gizou um programa com as empresas privadas, para a aquisição de fertilizantes. Os fertilizantes, em solos muito usados, são essenciais, para melhorar a lavoura. Daí que a Estação de Desenvolvimento Agrícola (EDA), em Camacupa, tem estado encarregue de distribuir os fertilizantes que têm sido adquiridos.

A administração tem feito esforços, para que este bem importante para o cultivo não falte.

“Distribuem-se três a quatro unidades de fertilizantes, dependendo, então, das capacidades financeiras. Por vezes, tem faltado. Aquilo que tem sido feito a nível da administração municipal, por intermédio da província, é a distribuição daquelas quantidades que estiverem ao alcance ”, apontou.

Pequenos comerciantes também participam nos esforços de disponibilizar os fertilizantes aos agricultores. O exemplo é do senhor Domingos Passati, que os compra na província de Benguela e põe à disposição da população camponesa.

A crise económica, motivada pela queda do preço do petróleo no mercado internacional e com impactos negativos para o país, tem sido um dos motivos que levam a não ser possível adquirir fertilizantes. Em contrapartida, Lucas Fufuta garantiu que, com a conjugação de esforços de várias sensibilidades da província e do município, se tem superado a situação para o gáudio dos agricultores.

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