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21 Dezembro de 2016 | 08h46 - Actualizado em 22 Dezembro de 2016 | 20h43

Pólo Industrial da Caála - pronto para diversificar economia

Huambo - A província do Huambo era o segundo parque industrial do país, seguindo o de Luanda, na época colonial, quando ainda se chamava ?Nova Lisboa?. Nesta região, produzia-se quase tudo, desde calçados, cerveja, refrigerante, bem como havia fábricas de transformação dos imputes agrícolas.

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Foto: Tarcisio Vilela

Jovem operário empenhado no fabrico do material para carteira escolar

Foto: Tarcisio Vilela

“Tínhamos tudo cá. Antes, dificilmente as pessoas iam a Luanda comprar produtos. Raramente, iam à capital comprar massa de tomate. No Huambo, fazia-se”, lembrou Paulino de Carvalho, gestor do Pólo de Desenvolvimento Industrial da Caála.

O município da Caála, que dista a poucos quilómetros da cidade do Huambo, capital da província com o mesmo nome, foi parte desta fama industrial desta região planáltica de Angola. Daí que a equipa de reportagem da Angop procurou saber do estado de efectivação do Pólo Industrial da Caála e do funcionamento da barragem do Gove.

Hoje, Caála ganha uma nova vida. Vê-se e sente-se a “vibração” dos munícipes que, de um lado para outro, a pé ou de carro, se entregam ao trabalho.

O Pólo de Desenvolvimento Industrial da Caála, que comporta uma área de mil 87 hectares, é, a par do Aproveitamento Hidroeléctrico do Gove, a “coqueluche” do município.

O projecto, da responsabilidade do Governo, através do Ministério da Indústria, está repartido em duas fases de implementação, sendo a primeira, a comportar 595 hectares de espaço para a colocação das indústrias e 492 hectares, na segunda fase.

“Neste preciso momento, temos 102 processos de candidaturas. Deste número, estão loteados 45 processos e temos uma área coberta de 98 hectares”, fez saber Paulino de Carvalho.  

O pólo está a agir faseadamente em função das tendências dos promotores industriais.

O gestor indicou que, este ano, contavam com a linha de crédito chinesa para o início da construção das infra-estruturas básicas, fundamentais à actividade empresarial, mas já não será essa.

“Estávamos para iniciar com a linha de crédito Chinesa. Esta linha, para nós, infelizmente não foi possível, porque este pacote foi adjudicado para as plataformas logísticas para o asseguramento total dos pólos industriais”, referiu.

Face a isso, o Ministério da Indústria, segundo Paulino de Carvalho, adoptou outra política, a de possibilitar que os agentes económicos das 18 províncias possam contribuir para a implementação dos projectos dos pólos industriais espalhados pelo país.

O interlocutor Paulino de Carvalho garantiu que, quanto ao pólo da Caála, já se havia encontrado uma entidade privada interessada em colocar as infra-estruturas essenciais, como de água, linhas de drenagem e da luz eléctrica, faltando apenas alguns aspectos contratuais de pouca monta.

Como é sabido, não existem pólos industriais sem as infra-estruturas básicas reportadas.

Paulino de Carvalho prevê que, no primeiro trimestre de 2017, já se poderá avançar com a construção das infra-estruturas em questão.

Além destes serviços de água, luz, drenagem, o pólo terá os serviços policiais, postos médicos e outros serviços para o asseguramento total dos promotores industriais, pois estes são os incentivos primários para a adesão dos investidores.

Cinco a seis indústrias já funcionam no pólo. É o caso das empresas de perfis e estruturas metálicas, de reservatórios de água, de abastecimento de combustíveis, de carteiras e chapas de zinco.

Apesar de as infra-estruturas básicas não estarem ainda disponíveis e enfrentando todos os constrangimentos que possam ocorrer, estes empresários desdobram-se e estão a produzir.

“Estão a trabalhar. É de louvar este princípio, pois, apesar da crise que o país atravessa, eles estão a desdobrar-se, no sentido de facilitar a sua tarefa todos os dias”, elogiou.  

Nas unidades em funcionamento no pólo, existe uma força de trabalho de dois mil 902 trabalhadores.

De acordo com Paulino de Carvalho, geralmente os empresários dos pólos industriais têm como áreas de intervenção as indústrias alimentares, químicas, transformadoras e de outros  serviços básicos.

O Pólo de Desenvolvimento Industrial da Caála não foge à regra. O exemplo é o da fábrica de carteiras LSCG- Construções que já está a produzir um produto com impacto não só na província do Huambo, como também noutras partes do país.

Esta fábrica tem uma capacidade de produção de duas mil carteiras/mês, o que perfaz 24 mil/ano. “Com o andar da carruagem”, esta produção vai ajudar, sobremaneira, as necessidades de carteira das escolas do país.

Maior parte dos trabalhadores desta fábrica é jovem, sendo 45 angolanos e quatro expatriados, de nacionalidade chinesa. Os chineses prestam o suporte técnico, pois, quer a matéria-prima (ferro e madeira trabalhada), quer as máquinas, são provenientes da China.

De acordo com Paulino de Carvalho, o Pólo da Caála pretende atingir um universo de seis mil trabalhadores na primeira fase de implementação e quatro mil na segunda. Isso vai dar uma ordem de 10 mil funcionários.

O acesso ao emprego é, assim, uma das razões dos esforços que têm sido feitos pelo Governo e parceiros, para a diversificação da economia nacional.

O Pólo de Desenvolvimento Industrial da Caála está situado numa área adjacente à via-férrea dos Caminhos-de-Ferro de Benguela. Esta localização, segundo o gestor do pólo, é uma mais-valia, porquanto, muitos investidores, especialmente estrangeiros, podem transportar as matérias-primas e demais bens do Porto do Lobito, na província de Benguela, para a do Huambo, em pouco tempo, sem constrangimento.

Com a implementação de várias fábricas nos pólos industriais, poder-se-á, deste modo, inverter, substancialmente, a importação de bens que se irão produzir no país. Com isso, ganharão os cidadãos, os agentes económicos e o Estado.

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