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24 Janeiro de 2017 | 17h01 - Actualizado em 24 Janeiro de 2017 | 17h01

Huíla: Cresce interesse empresarial pela criação de peixe em cativeiro

Lubango - A criação de peixe em cativeiro na província da Huíla começa por dar passos significativos, o que poderá contribuir para a diversificação da economia local, para o combate à fome e à pobreza e para a geração de empregos directos e indirectos.

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Huíla: Criação de peixe em cativeiro cresce

Foto: Saturnino Tomás

(Por Belarmina Paulino)

A aquicultura é considerada importante para o processo de diversificação da economia, para o combate à fome e à redução da pobreza, para o estabelecimento da segurança alimentar e para o aumento da renda familiar, sobretudo no meio rural.

A chefe de secção de pesca da Direcção Provincial da Agricultura, Flora Fernandes, disse à Angop que, apesar de pioneira, a actividade na Huíla está a despertar interesse privado, sendo crescentes as manifestações de intenção na produção de peixe.

Até ao momento, existem cinco aquicultores com estruturas implantadas para a produção em média e grande escalas de alevinos, alguns já em actividade, nomeadamente, as fazendas AJYANP-Limitada, Calivo, Tchissola III, Calhata e Imperial, localizadas nos municípios da Humpata, Chibia e Lubango. 

A responsável explicou a criação ser feita em tanques de rede, de terra ou ainda em tanques de betão armado, cuja condição principal é a disponibilidade de água e do solo que deve ser apropriado para o efeito. Neste momento, os produtores de peixe em cativeiro adquirem-no em Luanda.

Para além da reprodução em cativeiro, a Huíla tem potencial hídrico, designadamente, rios e barragens que lhe permitem desenvolver e levar adiante a actividade pesqueira a maioria dos 14 municípios que a compõem, satisfazendo as necessidades familiares de consumo e de mercado.

São os casos dos municípios da Humpata, Chibia, Quipungo, Chicomba e Cuvango, cujo potencial hídrico-agrícola lhes possibilita exploração pesqueira mais alargada, mormente no domínio da aquicultura, aproveitando o caudal dos rios e barragens de que dispõe.

Adicionam-se, igualmente, os municípios (com grandes recursos hídricos) de Caluquembe, Caconda, Chicomba, Quilengues, Jamba e Cuvango.  

Realçou a existência de interesse por parte de parceiros sociais do sector, nomeadamente, organizações não-governamentais (ONG) que pretendem participar na formação das comunidades piscatórias, para que, no futuro, sejam aumentados os índices de produção e captura.

Para isso, “temos vindo a melhorar o programa de ordenamento das zonas de pesca continental, aproveitando as potencialidades piscatórias de cada município, organizando e fornecendo meios de trabalho às comunidades camponesas, por sinal são elas que realizam a pesca”, fez saber.

Até agora, o pescado é consumido fresco e seco, apesar de as comunidades piscatórias não disporem de tecnologias para o processamento, fazendo-o manualmente por meio da salga, quando não conseguem comercializá-lo fresco. 

Para responder à demanda, foram constituídos grupos de famílias nos municípios onde se desenvolve a actividade, no sentido de melhor explorar os recursos, tanto piscatórios, quanto de captura, como pequenas embarcações equipadas, redes, anzóis, entre outros.  

Apoios   

A agricultura presta apoio técnico e institucional aos aquicultores na sua organização e legalização, bem como nos processos para a obtenção de créditos bancários. Como exemplo, Flora Fernandes indicou a fazenda AJYANP-Limitada, que já beneficiou de financiamento para alavancar a produção de peixe. 

Em contrapartida, lamentou o facto de a sua direcção não receber, desde 2009, embarcações e demais acessórios para distribuir aos pescadores. Segundo a responsável, esta situação tem causado redução dos índices de captura. Apesar disso, os pescadores não baixam a guarda e continuam a produzir, “mesmo aos soluços” e com instrumentos rudimentares.

Flora considerou a actividade uma mais-valia para a Huíla, embora outras províncias se encontrem avançadas, mas espera que, nos próximos tempos, passos substanciais sejam dados na direcção do seu desenvolvimento e da auto-suficiência neste segmento.  

Captura

No primeiro semestre deste ano, registou-se uma captura de seis mil e 334 quilogramas de pescado, das espécies quimaia, sardinha, bagre, chumbululo, peixe-cão, kaqueia, ecanda, vimiamia e banda, ao passo que, no mesmo período de 2015, se atingiu 11 mil e 27 quilogramas.

Emanuel da Silva, responsável da fazenda AJYANP, iniciou o projecto há três anos, numa área de 10 hectares, de um total de 30, onde estão já implantados seis tanques escavados e 12 dos 14 em betão, previstos por concluir, devido a atrasos na alocação das tranches do financiamento do programa “Angola Investe”.

Em contrapartida, o empresário considera haver progressos no domínio da infra-estruturação do projecto, o que vai permitir aumentar o volume de negócios, melhorar a produtividade da fazenda e brindar produtos de qualidade aos seus clientes.

Perspectiva

“Temos ciclos de trabalho, e a nossa expectativa é instalar uma capacidade mensal de mais de 520 toneladas de pescado”, continuou Emanuel da Silva.

Os primeiros alevinos foram importados a partir de Luanda e de outros produtores, “mas a nossa intenção é sermos nós a produzir os nossos. Vamos ter o nosso próprio laboratório, fábrica de rações e outras estruturas de apoio à produção”, prometeu.

Dificuldades

O empresário apontou, como maior dificuldade, atrasos na injecção dos valores restantes do financiamento, pelos bancos comerciais,  para concluir o projecto e iniciar a produção efectiva e a grande escala.

O programa “Angola Investe” disponibilizou, para o seu projecto, mais de 400 milhões de Kwanzas, mas ainda não recebeu dos bancos a totalidade do financiamento. “Apesar disso, não parámos, estamos a trabalhar com as estruturas já prontas e a produzir em pequena escala”, afirmou. 

“Já poderíamos estar a produzir e a vender, mas, por falta de verbas para a compra da ração de engorda, estamos de mãos atadas”, acrescentou. Em contrapartida, Emanuel Silva afirmou ter esperança de que a situação seja resolvida em breve, para evitar a paralisação do projecto.

Geração de emprego 

A fazenda emprega, actualmente, 50 trabalhadores directos e 120 indirectos, o que poderá aumentar mediante a implantação e o funcionamento pleno do projecto.  

O projecto é muito vasto, engloba tanques, unidades de frio, laboratórios, dormitórios, refeitórios, entre outras estruturas. “Vamos entrar agora na construção de uma albufeira com 200 metros de comprimento e uma profundidade de 19 metros, para sustentar os seis tanques escavados”, fez saber o empresário.

São dois tanques com 52 por 226 metros e outros quatro com 52 por 150 metros.

A água que sustenta a fazenda vem do rio Caculuvar, no sistema de gravidade, com capacidade de 10 mil metros cúbicos por hora. 

Emanuel da Silva apelou aos órgãos competentes para intercederem junto dos bancos, no sentido de disponibilizarem valores, uma vez que o projecto já foi aprovado e arrancou em 2013.

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