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28 Fevereiro de 2017 | 22h00 - Actualizado em 01 Março de 2017 | 16h31

Hotelaria e Turismo, um passado para esquecer e um futuro de apostas

Saurimo - Desde o alcance da paz em 2002, o país entrou na rota dos destinos turísticos em África, o que motivou o Executivo angolano a criar políticas para a modernização e ampliação da rede hoteleira e a actualizar a legislação do sector.

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Lunda Sul: HOTEL GALITO (AGORA CHICK CHICK)

Foto: Helder Dias

Lunda Sul: Unidades hoteleiras em construção

Foto: Helder Dias

(Por Silvina Lembeno)

Numa fase em que Angola atravessa um momento económico e financeiro difícil, devido à variação negativa do preço do petróleo (principal produto de exportação) no mercado internacional, o sector da Hotelaria e Turismo tem merecido especial atenção, face ao processo de diversificação da economia em curso.

Com base nesta aposta, estão a ser feitos investimentos à expansão da rede de hotéis e, ao mesmo tempo, adoptadas medidas que concorrem para a melhoria da qualidade do serviço prestado por estas unidades.

Nesta senda, o país actualizou, recentemente, grande parte da legislação que rege o sector, com o fim de “facilitar a vida” dos operadores do mercado e dos destinatários destes serviços, para o modernizar, criar novos postos de trabalho e obter mais receitas para o erário.

Realidade do sector na Lunda Sul antes da conquista da paz

Com o conflito armado vivido em Angola até 2002, altura em que foi conquistada a paz, a maioria das infra-estruturas económicas e sociais foi destruída. Neste quadro, o sector da Hotelaria e Turismo não foge à regra.

Na província, o sector estava paralisado; as pequenas pensões enfrentavam dificuldades material e financeira, o que condicionava a hospedagem dos clientes, sobretudo dos turistas.

O director provincial do Comércio, Hotelaria e Turismo na Lunda Sul, Manuel Segunda, afirmou, a propósito deste período, que a província dispunha de um hotel  e que, em consequência do conflito armado, estava inoperante.

Acrescentou que, por falta de unidades hoteleiras, as autoridades locais se viam obrigadas a hospedar as entidades ministeriais em casa.

Actual realidade da rede hoteleira

Actualmente, a realidade é outra; a rede hoteleira na Lunda Sul conheceu, durante os 14 anos de paz, um crescimento assinalável, por força dos  investimentos (público e privado) que resultaram no surgimento de unidades do género e de zonas turísticas.

A província conta, nos dias de hoje, com um hotel, igual número de complexo residencial, 12 pensões, quatro aldeamentos turísticos e duas hospedarias, com um total de 336 quartos e 478 camas, números que deixam patentes as mudanças em curso.

Quanto à restauração, existem quatro restaurantes, dois bares, duas pastelarias e um café.

Os preços praticados nas unidades hoteleiras variam dos 10 a 19 mil Kwanzas/dia, sendo que a refeição ronda os 2.500 a 3.500 Kwanzas/prato, de acordo com a classificação das unidades, restaurantes ou bar.

Com a entrada em funcionamento destas unidades, pelo menos duzentos e trinta e sete (237) jovens de ambos os sexos ganharam o primeiro emprego.

Completam o quadro de atracções turísticas, na Lunda Sul, cinco locais, nomeadamente, Pelengue Luari, Kassengo, Tchihumbwe, Samussanda e Tamba.

Unidades hoteleiras em construção

Estão em construção, em Saurimo, 12 unidades hoteleiras e dois aldeamentos turísticos, cuja conclusão e inauguração poderão acontecer no período de 2017 a 2018.

Com a conclusão e a inauguração destes hotéis, a província contará com 8.400 quartos, os quais se juntarão aos actuais 336, perfazendo um total de 1.240.

Hotel Galito em recuperação e modernização

O único hotel que existia na Lunda Sul (herdado no período colonial) apresenta uma nova imagem, pois recebe obras de requalificação desde 2014, numa parceria público-privada.

O hotel Galito, que se situa no centro de Saurimo, vai ganhar 125 quartos, contra os 70 do passado.

Quando as obras terminarem, a unidade hoteleira vai ter áreas de lazer, lojas, espaços para agências bancárias, apartamentos, escritórios, parque de estacionamento e área verde.

Políticas para impulsionar sector

De acordo com Manuel Segunda, o Governo Provincial gizou um programa designado “Plano Operativo do Turismo”, que contém vários eixos no domínio da organização, promoção e desenvolvimento do sector da Hotelaria e Turismo na região.

Uma das prioridades do Executivo, traçada no referido plano, é a construção de uma unidade hoteleira nos três municípios do interior da Lunda Sul, nomeadamente, Cacolo, Dala e Muconda.

No âmbito deste projecto, os investidores que estiverem interessados no ramo hoteleiro serão encaminhados para os três municípios. O objectivo é expandir estes serviços, aproveitar  e rentabilizar os locais turísticos existentes na região.

Para complementar o Plano Operativo do Turismo, está na forja um programa de formação nesta área, a fim de dotar os funcionários das unidades hoteleiras e outros interessados de ferramentas necessárias.

Dificuldades

A província tem um défice em unidade de restauração. Os serviços de restauro são feitos nas unidades hoteleiras. "Precisa-se de serviços de restauração fora das unidades hoteleiras", apelou Manuel Segunda.

Para inverter o quadro, o director provincial do Comércio, Hotelaria e Turismo na Lunda Sul, Manuel Segunda, apela aos empresários locais para investirem em unidades de restauração.

A falta de guias turísticos consta das preocupações do sector na Lunda Sul. Quando os turistas precisam de guias, são acompanhados pelos funcionários da instituição.

Outra preocupação da instituição prende-se com o não-investimento nos locais turísticos de que a província dispõe.

“O empresariado local ainda não despertou que o sector do Turismo é uma oportunidade de negócio, não basta termos hotéis, restaurantes e pensões. É importante investir em locais turísticos”, sublinhou.
 

Soluções

Para melhorar o quadro, o Governo da Província da Lunda Sul tem criado mecanismos que visam facilitar os empresários que tencionam investir neste sector, melhorando as vias secundárias e terciárias, para facilitar o acesso aos locais turísticos, entre outras medidas.

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