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10 Abril de 2017 | 20h37 - Actualizado em 10 Abril de 2017 | 20h37

Chicala-Cholohanga aposta na agro-pecuária para alimentar Angola

Chicala-Cholohanga, 07/04 - Considerada uma das localidades da província do Huambo com maior potencial para desenvolver a agricultura e a pecuária, o município da Chicala-Cholohanga está fortemente apostado em alimentar o país a médio-prazo.

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Produção de ovos no Huambo

Foto: rosário

(Por Gabriel Batalha Ulombe)

Num momento em que o desafio de aumentar a produção interna para substituir as importações é palavra de ordem em Angola, as autoridades administrativas da província do Huambo estão a estimular os empresários a investirem na produção de alimentos em grande escala, a fim de reactivar as fazendas agro-pecuárias.

O município, que tudo está a fazer para sair do anonimato nas estatísticas da produção agro-pecuária em Angola, possui enormes extensões de terras aráveis nunca antes exploradas e muitos recursos hídricos.

No passado, a matéria-prima da antiga fábrica de leite da província do Huambo e a de derivados de carne de porco (Buçaco) era produzida pelos fazendeiros da Chicala-Cholohanga, que também tinham peso significativo na produção do milho que era consumido no país.

Pouco a pouco, fruto dos esforços que estão a ser empreendidos por empresários nacionais, a capacidade produtiva do município está a ser recuperada, estando, neste momento, em actividade 123 fazendas agro-pecuárias, cifra considerada ínfima, a julgar pela extensão que o município ocupa na província (4.380 quilómetros quadrados), sendo o terceiro com mais terras, depois do Mungo e Bailundo.

O director local da Agricultura, Domingos Wassuka Malindo, assumiu, em declarações à Angop, que o município pretende transformar-se numa referência nacional no que à produção de alimentos agro-pecuários diz respeito.

“Todo o esforço que está a ser feito, com a dinamização da agro-pecuária, tem por finalidade associar-se às acções do Executivo que visam diversificar a economia e substituir as importações”, manifestou.

Produção de ovos ganha espaço

O desafio de alimentar o país, explorando o potencial agro-pecuário, começa por ganhar forma no município da Chicala-Cholohanga, que antes da independência nacional se chamava Vila Nova.

Prova disso é a produção de ovos que, desde 2012, começou por ganhar espaço, depois de um projecto bem-sucedido da administração do município, em 2010, que consistiu em distribuir galinhas poedeiras às famílias.

Actualmente, funcionam três aviários, que todos os dias colocam nos mercados das províncias do Huambo, Bié e Cuando-Cubango cerca de 27 mil ovos, quantidade que poderá aumentar para 30 mil, antes do fim do ano.

A estes três aviários, poderá juntar-se um em construção, para produzir diariamente 3.500 ovos, estando ainda para breve a reabertura de outro que produzirá três mil.

Com a produção em alta de ovos e os bons indicadores de novos investimentos neste sector, Domingos Wassuka Malindo não tem dúvidas de que, em breve, o município da Chicala-Cholohanga poderá ter papel decisivo na auto-suficiência do país em termos de ovos, começando pela província do Huambo.

“É com alegria que digo que nenhum outro município do Huambo produz tantos ovos como o nosso, até porque dos aviários existentes na província apenas um não se encontra na Chicala-Cholohanga”, mencionou.

Fábrica de derivados de carne surge no Cutato

A três quilómetros da vila do município, encontra-se a povoação do Cutato, onde, desde 2016, está a surgir um projecto de suinicultura que contempla, além da criação de gado suíno, uma fábrica de transformação de carne em chouriços, presuntos e fiambres.

Esta iniciativa privada, segundo o director da Agricultura, vai estimular os munícipes a criarem gado suíno, pois, argumentou, os proprietários do projecto estão interessados em comprar os animais à população.

O responsável afirmou, igualmente, que o projecto vai ter impacto directo na melhoria da vida da população, pois vai gerar muitos postos de trabalho.

Município alberga maior projecto de produção de milho

À semelhança do passado, o município da Chicala-Cholohanga continua a destacar-se na produção de milho, mercê da fertilidade dos solos das comunas do Sambo e Samboto.

Para provar a sua pujança no cultivo deste cereal, cuja farinha é o principal alimento dos habitantes da província do Huambo, está em curso, já desde 2016, na fazenda Tuendi, no
Satchitemo, comuna do Sambo, o maior projecto de produção de milho daquela região.

Com o apoio do Angola Investe (programa do Governo para o financiamento de projectos de investimento às micro, pequenas e médias empresas), na fazenda foram cultivados 680 hectares de milho, que poderão ser transformados no local, com a instalação de uma indústria moageira.

O director da Agricultura no município, Domingos Wassuka Malindo, acredita que a fazenda é a principal aliada da administração no cumprimento do desiderato de tornar a localidade numa das maiores produtoras de alimentos do país.

“É um projecto alinhado ao nosso desafio de nos destacarmos na produção alimentar no país. Além do milho, está-se a experimentar a soja, em três hectares, a ginguba, em um, e o sisal, também em”, informou.

Administração apoia iniciativas do sector agro-pecuário

O que se está a assistir no sector agro-pecuário, no município da Chicala-Cholohanga, é um surto de progresso, exigindo empenho total, quer dos empresários, quer das autoridades administrativas.

O município, há muito esquecido, está-se a afirmar cada vez mais com os investimentos que o sector privado tem feito na exploração das fazendas, sendo, por si só, um sinal positivo para o futuro do país.

Em contrapartida, o papel da administração tem sido determinante para a dinamização do potencial produtivo, no domínio agrícola e pecuário, conforme testemunhou Domingos Wassuka Malindo.

“Uma das nossas preocupações tem sido influenciar os proprietários de fazenda que não têm dinheiro a fazer parcerias com os que têm”, disse.

O responsável informou que a administração do município vê, na reabertura das fazendas, uma oportunidade para acelerar o desenvolvimento local, argumentando que estas produzem alimentos, geram empregos e ajudam a reabilitar as vias de acesso.

O responsável da Agricultura deu a conhecer que brevemente a administração pretende distribuir cabritos, ovelhas e porcos às famílias, a exemplo do que aconteceu em 2010 com a distribuição de galinhas poedeiras.

“Cada família vai receber um casal. Depois de ter as primeiras crias, vão dar a outras famílias um casal, até atingirmos maior número de famílias, que poderão, depois de terem muitos, vender os animais ou a carne dos mesmos”, explicou.

Mercado das sextas-feiras facilita escoamento

Uma das atracções do município da Chicala-Cholohanga é o seu mercado que, diferente de outros do país, somente abre às sextas-feiras, dia em que consumidores da província se deslocam ao local, em virtude de oferecer diversidades de produtos a preços acessíveis.

O mercado das sextas-feiras, como é conhecido vulgarmente, está a resolver, em parte, o grande problema que os produtores enfrentavam, que era escoar a sua produção.

De carroças transportadas por bois, motorizadas, bicicletas ou mesmo a pé, de todas as aldeias deste município chegam centenas de pessoas ao mercado, para vender os seus produtos. Depois das vendas, compram peixe, preferencialmente o seco, sabão, óleo, açúcar, sal, vestuário, instrumentos de trabalho agrícola e fertilizantes.

Na Chicala-Cholohanga, limitada pelos municípios do Huambo, Bailundo e Cachiungo, além de localidades da província da Huíla, vivem pelo menos 185 mil habitantes e perto de 180 mil fazem do cultivo da terra e da criação de animais o seu ganha-pão.

A vila localiza-se a 42 quilómetros da cidade do Huambo e o nome (Chicala-Cholohanga) foi dado devido à presença abundante de uma rocha chamada de Tchikakala, na língua nacional Umbundu, e de espécies de aves selvagens chamadas Lohanga, na mesma língua.

Pelo município passa uma estrada nacional em direcção às províncias do Bié e Cuando-Cubango, além dos Caminhos-de-Ferro de Benguela. A localidade é, também, conhecida por ser a nascente de grandes rios, entre os quais Cunene, Keve e Kuvango.

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