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22 Abril de 2017 | 13h10 - Actualizado em 22 Abril de 2017 | 13h09

Moxico: Léua evolui da agricultura à formação de quadros

Léua - Conhecido há 70 anos (existe desde 29 Abril de 1929) como município potencialmente produtor de amendoim (jinguba) e batata-doce, Léua, ?transfigurou-se? e virou as atenções para a formação de quadros qualificados.

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Moxico: Reabilitação da Estrada Leua - Cameia EN 250

Foto: Kynda Kyungu

Durante uma feira do Municipio do Leua - Província do Moxico

Foto: Lucas Neto

(Por Domingas Gaieta)

Situado a 62 quilómetros a Leste do Luena, o Léua é uma espécie de “casa-trânsito” para quem quer atingir os municípios da Cameia, Luacano, Luau e Alto Zambeze, seja através dos Caminhos-de-Ferro de Benguela (CFB), seja por estrada, excepto a última região.

Por esta e outras razões, o município aposta na formação de quadros, para se adaptar à nova realidade ou dinâmica do país, criando as bases para sustentar o programa de diversificação da economia local e não só, com o homem no epicentro.

O Léua triplicou a formação generalizada e gratuita de discentes para o ensino geral (da iniciação à 12.ª classe), de 3.000 estudantes, de 2008/2012, para 11 mil e 144, nos últimos cinco anos (2012/2017).

Este feito foi possível graças à construção de 25 escolas, correspondendo a 116 salas de aula, nos últimos cinco anos, contra perto de 10 de 2008 a 2012.

Há dois anos que os finalistas do I ciclo do ensino secundário deixaram de se deslocar à cidade do Luena (62 quilómetros) para dar continuidade aos estudos, mercê da institucionalização, em 2015, do II ciclo na localidade onde residem, com a construção de uma escola deste nível, com 12 salas de aula, laboratórios de Informática, Biologia e Física.

A escola do II ciclo do ensino secundário forma quadros em Ciências Físicas e Biológicas, bem como em Ciências Humanas e Sociais.

Associada a estas infra-estruturas, está uma escola de formação técnico-profissional de artes e ofícios que arrancou em 2009. A instituição já formou, até ao momento, 856 técnicos nas especialidades de informática, corte-costura, carpintaria, serralharia, electricidade e alvenaria.

Para o presente ano lectivo, a infra-estrutura de quatro salas de aula, situada no centro da vila, matriculou 236 formandos.

O administrador em exercício do Léua, Jeremias Lologe, disse o sector da Educação ser dos que mais cresceram nos últimos oito anos, devido ao imperativo da formação do homem para trabalhar no desenvolvimento do município.

“Temos, igualmente, 12 escolas provisórias que atendem a 11 mil e 144 alunos, para evitar pessoas fora do sistema de ensino. Em termos comparativos, podemos dizer que houve mudanças significativas em todos os aspectos”, assinalou.

O edil mostrou-se regozijado pelo facto de os alunos não se deslocarem mais à cidade do Luena para estudar, por falta de escolas dos níveis subsequentes, causando êxodo rural.

O inspector-chefe municipal da Educação no Léua, Arlindo Izaquel Paulo, que trabalha há 30 anos no Léua, confirma a melhoria das condições de trabalho: “antigamente, não trabalhávamos com computadores, quadros modernos, escolas, secretárias, luz, entre outros meios. Hoje, trabalhamos com tecnologia muito avançada, passámos para a globalização de ensino e aprendizagem”, elogiou.

Nelsa Sonha Labama, 20 anos, estudante, faz parte do grupo dos primeiros pré-finalistas e refere ter tido medo de abandonar a família para ir estudar, quando terminou o I ciclo, numa altura em que o município não indispunha do II. 

Para a sua surpresa, no ano seguinte, o Executivo institucionalizou o ensino secundário, e a jovem livrou-se do medo de perder a família e hoje está prestes a terminar a tão sonhada formação do II ciclo.

José Martins Daimon, outro estudante, faz uma “cópia” das declarações da anterior interlocutora, lembrando que a educação é o melhor presente que o Governo lhe cedeu.

Mais infra-estruturas, mais saúde

Para se ter uma ideia, no quinquénio 2008/2012, o município possuía apenas um centro de saúde e seis postos médicos nalguns bairros. O incremento registou-se no ciclo 2012/2017, passando a localidade a contar com 14 unidades hospitalares, destas, três centros de saúde, dois dos quais construídos na vida-sede.

A vila, calculada em mais de 15 mil habitantes, possui ainda um centro materno-infantil. A população de Liangongo, a única comuna do Léua, passou a ser assistida num centro hospitalar próprio.

Não obstante estas unidades de primeira linha, ergueram-se, igualmente, cinco postos de saúde, totalizando 11 unidades sanitárias construídas nos últimos cinco anos.

Em contrapartida, ainda há escassez de recursos humanos, uma vez que a região conta, actualmente, com apenas um médico expatriado, 19 técnicos, três médios, 18 técnicos auxiliares, três técnicos de diagnóstico, 31 técnicos administrativos, que totalizam 71 funcionários.

Para assegurar os trabalhos, foram formadas, recentemente, 110 parteiras tradicionais para a realização de partos limpos e seguros na periferia.

Comércio ganha corpo     

Apesar das potencialidades da flora de que o município dispõe, a exploração de madeira está aquém do esperado. O mesmo acontece com as riquezas existentes no subsolo que aguardam por potenciais investidores.

O director da Repartição Municipal Económica e Reprodutiva do Léua, Bernardo Zé Amândio Miwaca, confirmou o aumento de lojas de conveniência, passando de 12, em 2008/2012, para 18 nos últimos cinco anos. 

O Léua é, igualmente, uma fonte para a diversificação da economia, desde a agricultura, exploração de madeira à pesca artesanal e turismo.

O responsável ressaltou, inclusive, a circulação do comboio pelos Caminhos-de-Ferro de Benguela (CFB), o que já facilita o escoamento de produtos para a capital provincial, Luena, constituindo uma mais-valia para a população da municipalidade. 

Agricultura linha-se à segurança alimentar

Partindo do princípio de que a agricultura é a base da segurança alimentar, nutricional e fundamental para o desenvolvimento humano, a localidade continua a apostar na produção da mandioca, batatas doce e rena, jinguba, milho, banana, cana-de-açúcar e legumes.

Actualmente, sessenta e duas (62) associações agrícolas, contra 26 de há oito anos, trabalham na operacionalização, fomento e criação de premissas para a sustentabilidade agrícola.

O director municipal da Agricultura no Léua, José Tomás, assegurou que as associações têm o apoio da administração, na medida em que há disponibilização de verbas; prova disso, sete associações beneficiaram, nos últimos cinco anos, de crédito bancário para desenvolver a actividade.

Juntando a isso, na agro-pecuária, a região criou hectares para a criação de animal, mas ainda em fase experimental.

A pesca também “anda em grande”, impulsionada por seis associações afins. Em contrapartida, os pescadores locais clamam por instrumentos, em virtude de as três canoas actualmente existentes serem insuficientes.

Um dos líderes da Associação de Agricultura “17 de Setembro”, Abílio Alberto, 63 anos, fez saber que a agremiação existe há 10 anos e desenvolve actividades de fruticultura, como pomares de bananeira, limoeiros e cultivo de mandioca, jinguba, batatas doce e rena, milho e verduras diversas.

Já na Associação “4 de Abril”, que existe desde 2011, o fazendeiro Mandembue Yave, 42 anos, possui 75 trabalhadores, dos quais 35 mulheres e 40 homens. O grupo produz mandioca em grande escala e recolhe 10 toneladas em cada época.

“Em 2012, colheu-se feijão e milho em maior volume nunca antes ocorrido”, referiu o fazendeiro, clamando por sementes, material e outros instrumentos de trabalho, para permitir colher, nesta época, 18 toneladas de produtos diversos previstos e alargar a produção na próxima época agrícola.

Filomena Catchipa, camponesa de 50 anos, residente no bairro “17 de Setembro”, dedicada à agricultura desde 2003, considerou que trabalhar no campo exige paciência e aplicação.

Partidos políticos “cimentam” democracia  

O secretário do Comité Municipal da Unita no Léua, António Yesse Doí, afirmou que o partido está a trabalhar afincadamente nas acções de mobilização tendentes a incentivar a população a participar da festa democrática: as eleições.

“O Léua é um município muito atrasado em tudo”, lamenta, sustentando haver ainda focos de intolerância política, mas o árduo trabalho de sensibilização dos militantes de todos os partidos aí representados (MPLA, UNITA, CASA-CE e PRS) tem permitido sanar tais irregularidades.

“A convivência de diferentes formações políticas no município é boa. A Unita, a CASA-CE, o PRS e o MPLA mantêm relações cordiais, apesar de algumas incompreensões com certos militantes do MPLA, que é próprio da política”, comentou.

O secretário municipal da JMPLA no Léua, Piedade Luís Tchivesse, que controla mais de seis mil militantes distribuídos em 100 organizações de base, alinha o mesmo diapasão e acrescenta que uma particular campanha tem sido dedicada ao incentivo da juventude para aderir à educação.

Ao contrário da Unita, o secretário do PRS no Léua, Puissa Muntunda, vê com “bons olhos” o desenvolvimento do município, não obstante a construção de infra-estruturas, além da sã convivência com outras formações políticas.

“Não temos problemas com ninguém”, disse à Angop o secretário da CASA-CE no município do Léua, Lucas Mário.

Serviços sociais mais justos   

A descentralização dos serviços públicos, nomeadamente, o registo civil e de emissão de bilhetes de identidade, que atende por dia a mais de 200 pessoas, agência bancária e outros, diminui a assimetria, até então existente, que obrigava os munícipes e funcionários públicos a deslocarem-se ao Luena, para tratar destas situações.

O administrador em exercício, Jeremias Ussono Lologe, conta que a falta de uma a agência do Banco de Poupança e Crédito (BPC) causava transtorno laboral, uma vez que os trabalhadores da Educação, da Saúde, entre outras áreas, eram obrigados a deslocar-se ao Luena, para o levantamento dos seus ordenados.

“Voltámos ao normal. É uma espécie de justiça social”, reconheceu, com um ar alegre, aludindo ao facto de se estabelecer tais serviços no município. A “dor de cabeça” agora é melhorar o fornecimento de energia e água.

O sector das Águas beneficiou de melhorias, com a inauguração, recentemente, de quatro sistemas de água e igual número de lavandaria nos bairros Brito, Sacazemba II, Caltingo e Calubala e Antigos Combatentes.

Relativamente à habitação, o município beneficiou do Programa Habitacional, com a construção de 200 fogos no quadro do subprograma municipal, tendo sido erguidas 100 casas e já habitadas por professores, enfermeiros, funcionários administrativos, entre outros, sobretudo os jovens, face a 30 porcento da fatia que lhes é reservada.

O ritmo das infra-estruturas foi acompanhado pela construção de pontecos e pontes.

Evangelização atinge regiões recônditas

A paz definitiva que o país vive há 15 anos e a desminagem completa das áreas até ao início da década de 2000, consideradas de risco, permitiram a expansão do evangelho às instituições religiosas representadas no Léua e a consequente moralização da sociedade.

O pastor da Assembleia de Deus Pentecostal de Angola no Léua, Eduardo Bimba Mendes, narra, ao detalhe, as metamorfoses sofridas por esta denominação religiosa, para se implantar num município, essencialmente, habitado por cristãos.

“A igreja desenvolveu-se bastante. Começamos com uma capela, em 2001, de pau-a-pique e outra construída à base de adobe. A obra de Deus continuava, porque não temos lugar para quando o assunto é a obra de Deus”, conta humildemente.

O “bumbum” da expansão da evangelização registou-se no período de 2012/2014, não só por se construir a maior estrutura de construção definitiva, com capacidade para mais de 500 fiéis, mas também por se expandirem os serviços da igreja nos lugares mais recônditos.

Para o pastor da Igreja Evangélica dos Irmãos em Angola (IEIA), Víctor Rodrigues, à semelhança de outras instituições religiosas, a sua regista crescimento em termos de evangelho, contando com 10 capelas, frequentadas por mais de mil e 80 fiéis.

Paralelamente à vertente religiosa, o associativismo também cresce todos os dias. Segundo o secretário-adjunto do Conselho Municipal da Juventude, Ledo Sacatonde, a associação juvenil controla 17 grupos da mesma faixa etária, que lutam contra a delinquência, violência doméstica, bem como incentivam as acções de cidadania.

Transportes  

A principal via de comunicação rodoviária do Luena/Léua é ainda muito precária. Os automobilistas e taxistas enfrentam enormes dificuldades para a locomoção. Desde que foi elevado à categoria de município, a 29 de Abril de 1929, nunca foi asfaltada.

Há dois anos foi consignada a obra para asfaltagem num percurso de 62 quilómetros, mas fez-se apenas a desmatação, compactação da camada da sub-base, pois a crise financeira e económica que o país vive causou um “defeso” às obras.

Em contrapartida, o Instituto Nacional de Estradas de Angola (INEA) no Moxico assegurou que o reinício das obras está para breve, após novas negociações com as linhas de financiamento dos empreendimentos.

Até agora, o cartão-de-visita a nível dos transportes continua a ser assegurado pelos Caminhos-de-Ferro de Benguela, que têm uma frequência semanal de dois serviços, às quartas e terças-feiras, facilitando a transportação de pessoas, bens e mercadorias. 

Regedor acompanha crescimento

Morador do município que o viu nascer há mais de 60 anos, o regedor Linha Dumbo, como não podia deixar de ser, acompanhou a transformação do Léua de uma simples localidade para uma região administrativa.

O nome da região, por questões históricas explicadas pelo “mais velho”, nunca mudou. O colono encontrou e manteve-o.

O nome Léua homenageia uma capengue da chana, localizada no extremo Este da vila-sede do município, actualmente habitada por 21.447 pessoas.

Ainda sobre as origens da localidade, o soba aferiu que a maioria dos povos que vivem na região é proveniente do ex-Zaire (actual República Democrática do Congo) e entrou em Angola através das Lundas Sul e Norte, a Leste do município.

Viveram temporariamente no litoral de Angola e depois ao longo do rio Cassai (banha duas vezes a Lunda Sul), instalando-se no que hoje é conhecido por município do Léua.

A maioria dos habitantes é do grupo étnico Cokwe (o mais populoso) e Luvale. Mbundas, Luchazes e Lunda Dembo também habitam em números pouco expressivos. A região é dirigida ainda pelos regedores Nharingombe, Ricomeno, Sacutoya, Ngudungo, Nhihunda e Muachiavua.

Mais do que histórias, Linha considerou mais-valia e “passos seguros” a construção de escolas para o sistema geral de ensino, com destaque para o subsistema de ensino secundário, aumento das unidades sanitárias nas localidades mais recônditas e o acesso aos serviços sociais básicos, como água, registo civil e outros.

A autoridade tradicional destacou, igualmente, o fomento agrícola que está a ser potenciado na região, sustentando a fama de maior produtor de jinguba, mandioca e batata-doce, estando agora a experimentar o cultivo de cereais e legumes, além do sector pesqueiro.

O município é, igualmente, o primeiro da “cúpula” dos quatro existentes, situado a Leste do Luena, seguido da Cameia, Luacano e Luau. Ocupa uma área de 2. 899 quilómetros quadrados, habitados por 21.447 mil pessoas, com uma densidade populacional de 3.4 habitantes por Km2. Possui ainda uma população economicamente activa, calculada em 30 porcento.

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