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26 Abril de 2017 | 20h09 - Actualizado em 26 Abril de 2017 | 20h17

Moxico: Bundas "expõe-se" e alimenta esperança aos habitantes

Lumbala-Nguimbo - O município fronteiriço dos Bundas, província do Moxico, registou, nos últimos quatro anos, crescimento considerável em diversos sectores, fruto da implementação de diferentes programas de impacto social, gizados pelo Executivo.

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Mercado Municipal dos Bundas

Foto: Gaspar dos Santos

Exploração de madeira no municipio dos Bundas, Cumuna de Luvuei.

Foto: Kinda Kyungu

(Por Ambrósio Sonhi)

Dentre os sectores beneficiados, destacam-se os da Educação, Saúde e Agricultura, cujos ganhos permitiram o enquadramento de mais crianças no sistema normal de ensino, a aproximação dos serviços de saúde para melhor assistência à população e a aceleração da produção dos principais produtos agrícolas da região, para a auto-suficiência alimentar das famílias e para o apoio à diversificação da economia nacional.

No sector de Educação, por exemplo, os sinais são animadores, uma vez terem sido construídas 25 escolas, perfazendo 156 salas de aula, atendendo ao ensino primário, I e II ciclos em toda a extensão do município, o que permitiu absorver mais de 25 mil alunos, contra os 10 mil de 2012.

O director municipal da Educação, João Armindo, fez saber que as aulas são asseguradas por 174 professores que se desdobram no interior do município, leccionando em todas as localidades, ao contrário dos 25 e 30 docentes que existiam no quinquénio 2008/2012.

“Neste momento, estamos bem em termos de salas de aula. A nossa preocupação prende-se com a insuficiência de professores, uma vez que embaraça o desdobramento do sistema de ensino para as diferentes localidades”, disse, solicitando reforço à direcção tutelar.

O responsável considerou a implementação, na região, do ensino secundário um dos maiores ganhos registados no período 2012/2017, no sector, por desincentivar o absentismo laboral e o êxodo rural, face à necessidade de se deslocar a outras localidades para a continuidade dos estudos.

Considerou, igualmente, a expansão do ensino e a melhoria da qualidade dos professores, através da promoção de acções formativas e melhorias das condições laborais as principais preocupações do sector da Educação, com vista a corresponder ao actual crescimento demográfico do município.

O responsável disse que o sector aguarda por receber mais de 50 novas salas de aula nos próximos tempos, o que, consequentemente, elevará o número de estudantes nesta região de 25 mil para mais de 30 mil, tendo considerado ganhos registados desde 2012 à presente data.

Avançou que a inauguração destas salas de aula vai permitir o enquadramento, no sistema de ensino, das crianças que mensalmente regressam da vizinha República da Zâmbia, com necessidades de formação integral.

Vascos Chavimbi, estudante do II ciclo, enalteceu o esforço do Executivo em construir e apetrechar escolas postas à disposição da juventude, o que facilita a sua formação académica, a fim de melhor contribuir para o desenvolvimento socioeconómico da região.

Saúde

O sector da Saúde também registou, de 2012 a 2016, crescimento significativo, facto que agrada as autoridades sanitárias da região que trabalham afincadamente, para proporcionar saúde e bem-estar social à população local.

Apesar de ainda faltar muita coisa por fazer neste domínio, o ancião Kennek Mumbanza declarou que a melhoria da assistência médica e medicamentosa, bem como a expansão da rede sanitária para todas as localidades, com a criação de 12 unidades sanitárias, entre postos e centros de saúde, são, igualmente, um dos principais ganhos registados.

A directora do hospital local, Rosária Angelino, fez saber que o sector que dirige conta com 12 unidades sanitárias, designadamente, um hospital municipal, cinco centros médicos e seis postos de saúde distribuídos nas comunas da circunscrição. Mais de 100 técnicos, entre médicos, enfermeiros e pessoal administrativo, asseguram a assistência.

Em virtude disso, elevou-se de 50, em 2012, para 153 leitos hospitalares no município, cujos pacientes recebem assistência dentro dos padrões sanitários exigidos a nível internacional.

A responsável explicou que o hospital municipal atende, diariamente, a uma média de 300 pacientes, prestando serviços de medicina, pediatria, ginecologia e obstetrícia, entre outras especialidades. A malária, as doenças diarreicas agudas, a febre tifóide e as infecções respiratórias agudas são as patologias mais frequentes.

Considerou a insuficiência de pessoal qualificado para prestar serviços nas áreas de cirurgia, pediatra, ginecologia e os embaraços na aquisição de medicamentos, agravados com a crise financeira que o país vive, as principais dificuldades do sector.

A responsável referiu que a implementação dos serviços de saúde na municipalidade contribuiu para a redução da incidência de nados-mortos de mais de 15 antes, para dois em 20 partos, bem como a diminuição considerável de mortes maternas na região.

Enalteceu o empenho contínuo do Executivo na construção de infra-estruturas sanitárias, formação de quadros e apoio de meios técnicos, com vista a garantir a prestação de serviços de qualidade ao público, de forma a melhorar as condições de vida da população da região.

Agricultura

A produção de alimentos de forma a combater a fome, diminuir a pobreza e criar auto-sustento das famílias constitui o dia-a-dia dos habitantes do município dos Bundas que trabalham, arduamente, para atingir as metas almejadas.

Segundo o director municipal da Agricultura, Canhica Lastone, de 2012 a 2016, foram produzidas mais de 200 mil toneladas de produtos diversos, com destaque para o milho, feijão, mandioca, entre outros cereais importantes para a dieta alimentar da população.

O responsável referiu que, para este ano económico, está prevista a colheita de 52 mil e 500 toneladas de produtos diversos, cuja produção é feita à base de instrumentos manuais rudimentares.

Durante a reportagem da Angop, constatou-se a vontade e o anseio dos agricultores por impulsionar o sector, com vista a contribuir para o crescimento económico do município, a fim de atrair o investimento privado e aumentar a segurança alimentar.

Um dos exemplos visíveis deste crescimento é o projecto “Luanduli”, erguido à margem do rio com o mesmo nome, numa área de dois mil hectares, com uma produção de 20 toneladas de tomate por mês.

De iniciativa privada, o projecto Luanduli começou em Outubro de 2010 e, neste momento, emprega quatro jovens, encarregues na produção de tomate, em grande escala.

O proprietário do empreendimento agrícola, Ezequiel Tchipango, esclareceu que o projecto possui duas espécies de plantas, nomeadamente, os tomates Zawadi e Tengeri, caracterizados por rápido crescimento e boa qualidade.

“Podem-se colher os frutos das referidas plantas várias vezes durante um mês”, referiu Ezequiel Tchipango, explicando que os resultados da colheita dependem da forma de tratamento da planta e da quantidade de fertilizantes utilizados no cultivo.

Adiantou que a fazenda agrícola prevê aumentar a produção para mais de 30 toneladas mês, para corresponder à procura de produtos alimentares que se faz sentir na região, visto que os bens aí produzidos são comercializados na capital da província do Moxico (Luena) e na vizinha província da Lunda Sul.

O fazendeiro de 60 anos revelou necessitar de fertilizantes como o NPK-12-24-14, sulfato de amónio, tractores, alfaias, motobombas, mangueiras, entre outros meios técnicos, para impulsionar o emprego de mais jovens e contribuir para o aumento da produtividade.

Fez saber que, para adquirir fertilizantes, insecticidas, fungicidas, entre outros produtos necessários para o seu projecto, gasta mais de 20 mil Kwanzas na deslocação à vizinha República da Zâmbia, via fluvial, num percurso de 400 quilómetros, levando sete dias.

Outro agricultor, Pedro Cameia Chavaia, 70 anos de idade, proprietário da fazenda “Chavaia”, onde são produzidas mais de 10 toneladas de hortícolas e frutas, defendeu a criação de lojas para a venda de fertilizantes, a fim de suprir a carência que os camponeses da província enfrentam.

Pediu, também, às instituições bancárias que operam na província a atribuição de créditos agrícolas aos camponeses, para permitir a aquisição dos inputs agrícolas, técnicas mecanizadas e meios de transportes que visam ajudar no aumento da produção e no escoamento dos produtos recolhidos.

“Existem, na região, mais de mil e 200 hectares de hortícolas que podem ser dinamizados e colhidos a curto prazo, caso haja fertilizantes e sementes em quantidades aceitáveis na circunscrição”, frisou Pedro Chavaia.

A reparação do troço que liga a aldeia de Luanduli à sede municipal dos Bundas (Lumbala - Nguimbo), num percurso de 11 quilómetros, é outra preocupação levantada pelo agricultor, por dificultar o escoamento dos produtos do campo para a vila.

Sugeriu, igualmente, às autoridades competentes para adquirirem meios técnicos que auxiliam na investigação da qualidade dos solos locais, para permitir apurar as espécies e os produtos adequados a serem usados nas suas lavouras e no combate às pragas que afectam as plantações.

A cliente habitual da fazenda “Luanduli”, Linea Fefa, considerou boa a qualidade do tomate e outras hortícolas nelas comercializadas, aconselhando os consumidores a adquiri-lo, ao invés de optar por produtos importados.

Já o representante municipal da Estação de Desenvolvimento Agrário (EDA), Marcolino Kalau, reconheceu que a produção da fazenda “Luanduli” ajuda na minimização da carência alimentar no seio da população.

Enquanto isso, o administrador municipal, Alberto Keshipoco, disse que as autoridades locais passarão, doravante, a prestar maior atenção especial às iniciativas que visam auxiliar o Estado no processo de diversificação da economia nacional.

Referiu que a prioridade será para os agricultores individuais organizados que já provaram as suas capacidades de produção e que, na sua óptica, com o apoio do Estado, é possível desenvolver a cultura de hortícolas em grande escala, contribuindo, desta feita, para o combate à fome entre as famílias desta região.

O edil encorajou os camponeses filiados em 14 associações agrícolas, principalmente os envolvidos na execução de grandes projectos agrícolas do município, a continuarem firmes nessa senda, pois, como prometeu, tão logo que as condições permitam serão apoiados de forma a incentivar o trabalho do campo.

Distribuição de água ronda 40 porcento da população

No domínio da Energia e Águas, o sector beneficia 40 porcento da população com sistemas de bombagem e furos artesanais espalhados em todas as comunas e bairros, o que minimiza o abastecimento do líquido aos seus habitantes, enquanto a energia eléctrica é fornecida à sede municipal através de um gerador de 450 KVA, mas de forma alternada, face à insuficiência de combustível.

O administrador municipal, Alberto Keshipoco, adiantou que está em curso um projecto que visa aumentar a capacidade de fornecimento de energia eléctrica à vila de Lumbala-Nguimbo, cujos detalhes não foram revelados, o que possibilitará aumentar o número de consumidores, bem como a iluminação pública.

Habitação: 200 fogos minimizam procura  

Cem das 200 casas construídas no quadro do subprograma habitacional já são habitadas, maioritariamente, por funcionários públicos, contribuindo para a melhoria das condições de vida da população beneficiada, bem como para a mudança da imagem da vila de Lumbala Nguimbo.

Ainda no âmbito do programa do Governo para a construção de fogos habitacionais, foram erguidas 50 casas evolutivas T-3, na localidade de Chingando, beneficiando quadros locais e antigos combatentes que viviam em condições precárias.

A propósito, o director municipal da Habitação, José Mucazo, disse que estas acções reflectem sobre as preocupações do Executivo em proporcionar vida condigna à população, significando um grande ganho da paz, uma vez que antigamente era impossível pensar em residências de construção definitiva na municipalidade.

Ao apelar os beneficiários das residências erguidas pelo Executivo a conservá-las bem para melhor proveito e durabilidade, o responsável anunciou que outras acções de construção de escolas e moradias estão em curso no município, a favor dos habitantes.

Dikson Tomás, 37 anos, funcionário público, um dos beneficiários da residência, manifestou-se satisfeito por ter conseguido o sonho da casa própria, lembrando que, em 2008, a vila estava desprovida de tudo, dificultando o dia-a-dia dos munícipes.

“Hoje, o município já dispõe de serviços de qualidade tanto na área de Saúde, como na Educação, o que facilita a vida da população e, sobretudo, dos jovens que necessitam do primeiro emprego para o seu sustento”, referiu.

Osvaldo Daniel, 28 anos, estudante do II ciclo, enalteceu o crescimento verificado no sector da Educação e aconselhou o Executivo a continuar com o mesmo empenho na criação dos principais serviços básicos de apoio à população.

Príncipe Nguimbo venera evolução  

A segunda autoridade tradicional do município dos Bundas, o príncipe Mwene Nguimbo, mostrou-se satisfeita com o crescimento socioeconómico que a sua área de jurisdição registou nos últimos tempos, reiterando o seu apoio incondicional às iniciativas governamentais que visam a melhoria da vida do povo Bunda.

Apontou a reabilitação do troço rodoviário que liga Lumbala-Nguimbo à comuna do Ninda, 80 quilómetros que encurtaram a distância entre as populações das duas localidades, como um dos maiores ganhos que a região obteve em quatro anos.

A paz de que a população goza, a expansão dos serviços de saúde e de educação, bem como as boas relações com outros municípios na promoção da actividade cultural são, entre outros, os ganhos referenciados pela autoridade tradicional que aconselhou os políticos a serem tolerantes, primando pela consolidação da paz e pela unidade nacional no exercício das suas funções.

Sublinhou que as eleições anteriores serviram para o país ganhar experiências sobre o assunto. “Hoje em dia, os angolanos ganharam outra maturidade e certamente irão ao sufrágio com cabeça erguida e sem medo de represálias”, disse.

Augurou que o próximo Governo a ser leito no pleito de Agosto próximo manterá o ideal anterior, norteando a boa circulação das pessoas e bens na região e a aposta na agricultura como fonte principal para o crescimento de qualquer país.

Partidos políticos em tolerância

De acordo com o administrador municipal, Alberto Calumbi Keshipoco, a boa convivência existente entre os partidos políticos representados na região, nomeadamente, MPLA, UNITA, PRS e CASA-CE, vai facilitar a realização da campanha eleitoral de cada formação partidária.

“As relações saudáveis são essenciais nesta época de preparação das eleições gerais, para evitar eventuais controvérsias antes, durante e depois da campanha”, sublinhou o administrador municipal.

Na oportunidade, o edil aconselhou as formações partidárias que vão participar no sufrágio marcado para Agosto deste ano a fazerem a pré-campanha sem provocações, de forma a proporcionar ambiente político harmonioso ou isento de actos de intimidação do eleitorado.

Já o secretário municipal do Partido de Renovação Social (PRS), Tomás Chipoia, reiterou a prontidão e a capacidade da sua força política em mobilizar os seus militantes para participarem de forma organizada e disciplinada na campanha e no acto eleitoral de Agosto próximo.

O político afirmou que o seu partido na região está vivo e vai trabalhar democraticamente, de forma a sensibilizar os eleitores, a fim de votar no PRS, por ser um partido preocupado com a satisfação dos problemas do povo.

Fez saber que o PRS nos Bundas conta com mais de três mil militantes, prevendo angariar mais aderentes às suas fileiras na fase da campanha eleitoral que se avizinha, para garantir resultados satisfatórios durante o pleito de Agosto.

Na mesma senda, o secretário municipal da CASA-CE, Lumbala Tchipango, afirmou ser preocupação do Executivo trabalhar para melhorar a vida da população deste país, em geral, e dos Bundas, em particular, apelando aos munícipes para terem esperança de dias melhores nas suas vidas.

O dirigente político reconheceu os ganhos dos sectores da Educação, Saúde, Agricultura, entre outras áreas. Segundo ele, deverá ser melhorado caso a CASA-CE vença as eleições deste ano.

O administrador municipal, Alberto Keshipoco, considerou ter havido, durante os últimos quatro anos, crescimento considerável em todos os domínios da vida, prometendo mais trabalho para criar condições que promovam o bem-estar social das famílias e uma boa convivência entre a população da região.

Situado a 356 quilómetros a Sul da cidade do Luena, capital da província do Moxico, o município dos Bundas conta com uma população estimada em 69 mil e 496 habitantes, distribuída em seis comunas: Chiúme, Ninda, Mussuma Mitete, Sessa, Lutembo e Luvuei.

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