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31 Maio de 2017 | 17h29 - Actualizado em 13 Junho de 2017 | 19h11

Primeira colheita de algodão

Luanda - A primeira colheita de algodão está prevista para Julho, nas províncias de Malanje e Cuanza Sul, no âmbito da implementação do Programa de Relançamento da Produção de Algodão.

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Malanje: Morro de Cabatuquila, municipio do Quela, região que compreende a baixa de cassanje

Foto: Rosário dos Santos

Carlos Canza,Coordenador do Programa de produção do algodão

Foto: FMiúdo

As quantidades são irrisórias, mas ganham pelo seu valor simbólico. No Cuanza Sul, deverão ser colhidas 200 toneladas, enquanto, em Malanje, não passará das 42.

O algodão está a ser produzido numa área total de 242 hectares. Significa que cada hectare de terra rende uma tonelada de algodão caroço. Dez toneladas de sementes foram semeadas em Fevereiro último, numa acção do Ministério da Agricultura.

O sector agrícola começa por dar os primeiros passos na execução do Programa de Relançamento da Produção de Algodão, tendo em atenção as quantidades de algodão de que as três indústrias têxteis existentes no país necessitam.

O coordenador do Programa da Produção do Algodão do Ministério da Agricultura, Carlos Canza, revela que a acção conta com o engajamento de uma cooperativa de camponeses, na província de Malanje, e da empresa "África Sementes".

Para a próxima época agrícola, está prevista a mobilização de mais agricultores e empresários. 

Com 10 toneladas de sementes, exemplificou, é possível produzir apenas cerca de 500 toneladas de algodão caroço por cada época agrícola.

A produção é apenas de uma tonelada por hectare, quantidade insuficiente para satisfazer as necessidades da indústria têxtil no país.

Para a próxima campanha agrícola 2017/2018, orçada em cerca de 530 milhões de Kwanzas, o sector da Agricultura prevê colher, nas províncias de Malanje e Cuanza Sul, mil e 500 toneladas de algodão, numa área de 1.500 hectares.

Para a concretização deste projecto, foram adquiridas 30 toneladas de sementes, que serão lançadas a terra a partir de Fevereiro de 2018.

“O sector agrícola prevê, igualmente, cultivar 10 mil hectares de terra com o sistema de rega gota-a-gota, no Pólo Agro-industrial de Capanda (Malanje), a ser implementado nos próximos tempos por uma empresa japonesa”, avançou Carlos Canza.

Este projecto perspectiva colher 50 mil toneladas de algodão caroço em cada período agrícola, numa estimativa de rendimento de cinco toneladas por hectare, que vão ajudar a responder à demanda do sector industrial.

A nível do sector privado, o também engenheiro agrónomo destacou a empresa "África Sementes", que tem contribuído, desde 2010, com uma média anual de duas mil toneladas de algodão, que anteriormente eram exportadas quando as indústrias têxteis no país estavam inoperantes.

Em relação ao cultivo de milho e outras culturas, no perímetro irrigado com uma área de 2.824 hectares preparados para a produção do algodão, na província do Cuanza Sul, o responsável considerou ser uma situação temporária e transitória para que o terreno não seja inaproveitável, tendo em conta que as infra-estruturas instaladas nesta região ainda não foram testadas porque está a depender da vinda dos técnicos sul coreanos, que prevêem chegar ao país ainda este ano.

Quando o perímetro entrar em pleno funcionamento, estima-se uma colheita de duas toneladas por cada hectare, perfazendo um total de cinco mil e 648 toneladas de algodão por cada safra.

A construção deste perímetro irrigado do Cuanza Sul iniciou em 2007. O projecto de cultivo de algodão está avaliado em 67 milhões de dólares, num financiamento partilhado entre os Governos de Angola e da Coreia do Sul. 

Quanto à disponibilidade de terras aráveis para a produção de algodão, o especialista referiu que depende, em grande medida, da capacidade e do interesse dos produtores, porque o país dispõe de muito terreno cultivável.

A título de exemplo, Carlos Canza recordou que, no período colonial, foram cultivados cerca de 91 mil hectares de terras para a produção do algodão, nas províncias tradicionalmente conhecidas como favoráveis desta matéria-prima.

História da produção do algodão

A produção do algodão em Angola data de 1926. Até 1961, a colheita anual não ultrapassava as 10 mil toneladas de algodão fibra.

Depois de 1961, o quadro mudou significativamente. Em 1968, a produção de algodão registou expansão espectacular, evoluindo de 15.243 toneladas para o pico de 31.817 toneladas, em 1971.

Os dados indicam, inclusive, que Angola já foi considerada um dos maiores produtores mundiais de algodão em 1973, tendo atingido uma cifra de cerca de 86 mil toneladas.

Após a independência, em 1975, a produção de algodão baixou drasticamente, em consequência do conflito armado que assolou o país. 

Apesar de o Governo angolano estar empenhado no Programa de Revitalização da Produção de Algodão e de restabelecimento da cadeia de valor da sua cultura, os níveis de produção continuam baixos.

Situação da indústria têxtil no país

Segundo Carlos Canza, a revitalização da cadeia de valor do algodão começou a montante com a reabilitação e modernização das três fábricas têxteis, nomeadamente, Textangue II (Luanda), Satec (Cuanza Norte) e África Têxtil (Benguela), que se dedicam à fiação, tecelagem e confecções, respectivamente.

As três unidades fabris, afirmou, anualmente vão precisar de mais de 24 mil toneladas de algodão fibra, uma necessidade que vai exigir maior engajamento e investimento na produção, assim como a implementação de mais fábricas de descaroçamento e prensagem do algodão.

Actualmente, estas fábricas estão a funcionar a meio gás, por dependerem, essencialmente, da matéria-prima importada, situação que, de resto, deveria ter sido prevista.

Com a recuperação destas unidades fabris, referiu, é necessário que se invista na instalação de mais fábricas de descaroçamento e prensagem de algodão para reforçar a revitalização do sector produtivo no país.

Ficheiros

Quela:vista parcial da Baixa de cassanje, região onde está a ser cultivado o algodão

Assuntos Economia  

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