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20 Junho de 2017 | 18h57 - Actualizado em 21 Junho de 2017 | 10h46

Luacano - A potência turística do Leste do Moxico

Luacano - Para além da construção e reconstrução de infra-estruturas sociais de que beneficia, Luacano é um município turístico, partilhando o Parque Nacional da Cameia, o Lago Dilolo (o maior do país) e uma região potencialmente pesqueira.

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(Por Laite Capuita Tito)

Os programas de emergência para a satisfação das necessidades básicas da população privilegiaram a construção de escolas, hospitais, centro e postos de saúde, residências para quadros, esquadras policiais, entre outras infra-estruturas.

O município do Luacano é o terceiro do extremo Leste do Luena, capital da província do Moxico, depois do Léua e Cameia, e, à semelhança dos outros dois, está encravado nos Caminhos-de-Ferro de Benguela (CFB).

O Luacano, considerado município piscatório, é habitado, na sua maioria, pelos povos Cokwe, Luvales e Minungos, que possuem cultura vasta e rica em rituais, traduzidas nas grandes e pequenas celebrações realizadas nos distintos bairros da circunscrição.

A via ferroviária leva esperança aos habitantes do Luacano, desde 12 de Março de 2015, com o início da circulação dos comboios dos CFB, factor que está a transformar, significativamente, a vida económica e social dos habitantes.

A circulação destes comboios, que começou com um serviço e aumentou a frequência para duas, está a facilitar a produção no sector agrícola, piscatório, só para citar.

As pessoas viajam à cidade do Luena (217 quilómetros) e a outros municípios, nomeadamente, Luau, Cameia, Léua, e às províncias do Bié, Huambo, Benguela com comodidade e a preço acessível, uns para fins comerciais e outros para visitarem os seus familiares e amigos.

Educação mais generalizada

De acordo com o director municipal da Educação no Luacano, Domingos Catepa, na época colonial, até à independência, o sector possuía seis salas de aula, onde apenas estudavam filhos de “grandes” responsáveis, mas, actualmente, o cenário mudou.

“Com a independência (11 de Novembro de 1975) e, sobretudo, com a paz efectiva, o número de escola e salas de aulas cresceu, fruto dos Programas de Investimento Público de Combate à Fome e Redução da Pobreza”, explica o responsável.

Actualmente, o Luacano tem 47 salas de aula, oito escolas que leccionam da iniciação à 13.ª classe, implementadas em todo o município, e há a previsão, segundo Domingos Catepa, de se inaugurarem mais quatro instituições de ensino ainda este ano, do tipo T10 e T14.

“A inauguração destas quatro escolas resultará no desaparecimento das aulas ao ar livre e capelas”, fez saber.

Neste ano lectivo (2017), foram matriculados 6.378 alunos, dos quais 2.117 são mulheres e vão frequentar o ensino primário e o II ciclo.

O aumento de professores também acompanhou a evolução de infra-estruturas. Hoje, leccionam na jurisdição 136 docentes, mas este número ainda é considerado insuficiente pelas autoridades locais, devido à demanda de alunos e decréscimo de escolas.

Para o director municipal, o sector da Educação não possuía o ensino médio abrangente. A maioria dos estudantes deslocava-se para o Luena, a fim de terminar os estudos. Desde que a jurisdição institucionalizou o II ciclo, com os cursos de Biologia, Química e Física, o êxodo estudantil diminuiu.

Com a implementação do II ciclo, os jovens vêem as expectativas alimentadas e podem concluir localmente o ensino médio, cuja escola já formou 137 pessoas nos cursos de Biologia, Química e Física.  

Manuel Domingos, professor de Informática de uma das escolas do II ciclo, enaltece a implementação deste nível, mas afirma que o aumento de docentes será outra aposta louvável.

Já Yuri dos Santos, professor de Filosofia, que igualmente se mostrou satisfeito com a implementação do ensino médio no Luacano, espera que o mesmo acompanhe a formação contínua dos quadros do sector.

Geovane Alberto Cafuchi, professor de Língua Portuguesa, reconheceu a evolução do sector, dando como exemplo a construção de escolas de diversas tipologias, para os vários subsistemas da Educação.      

Saúde

No sector da Saúde, o município ganhou, em 2010, um hospital municipal, com capacidade para 72 camas, assistindo pacientes em medicina geral, cirurgia, raio X e hemoterapia.

Ampliou-se, igualmente, um centro de saúde na comuna do Lago Dilolo, com capacidade para atender a 40 utentes. No geral, o Luacano possui um hospital municipal, sete postos e três centros de saúde.

Estas unidades hospitalares funcionam com 65 enfermeiros, entre licenciados, técnicos médios e básicos, dos quais 33 são administrativos.

Apesar da existência do programa de “Cuidados Primários de Saúde”, que aproxima os serviços de saúde à população, o sector registou poucos avanços no que ao fornecimento de medicamentos diz respeito, face à situação económica e financeira que o país vive.

António Lufupa, 45 anos, elogiou o trabalho e a dedicação dos técnicos de saúde, almejando dias melhores ao sector da Saúde, visto que actualmente se tem registado, quase sempre, falta de fármacos.

Miguel Serafim, 22 anos, que igualmente aplaude a devoção dos técnicos de saúde, defendeu o aumento de médicos e enfermeiros, assim como a reabilitação e manutenção das unidades sanitárias.

Energia e Águas

O anúncio do ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, aquando da apresentação do Aproveitamento Hidroeléctrico de Chiumbue, no dia 5 de Abril do ano em curso, segundo o qual “o Luacano constituirá o principal centro de construção de mini-hídricas e distribuir aos municípios do Alto Zambeze e Luau”, acalenta a população.

Com a energia do futuro aproveitamento hidroeléctrico, o município terá outra imagem, pois ela não só vai iluminar as residências e as ruas, mas também atrair mais investidores para desenvolver o turismo interno e outras potencialidades.

No município do Luacano, de acordo com a administradora municipal, Ana Chipoia, por enquanto mais de 500 famílias beneficiam de energia eléctrica, fornecida por um grupo gerador, com capacidade de 500 KVA.

Em contrapartida, os sectores de Caifuchi, 1.º de Maio, Caxita, Sambololo e a sede comunal do Lago Dilolo possuem energia solar.

Quanto à água, através do “Programa Integrado de Combate à Fome e Redução da Pobreza, segundo a gestora do município, conseguiu-se fornecer o líquido a mais de dois mil habitantes residentes nas localidades de Casenha, Caxita, Nhamoji e Chinhama.

Agricultura, comércio e estradas

A mandioca, o arroz, a banana, a cebola, a cana-de-açúcar, o milho, o feijão, a batata-doce, a ginguba e a cebola são as culturas mais produzidas na região, numa actividade que envolve mais de oito mil camponeses enquadrados em quatro associações legalizadas, designadamente, Kandumbuame, Lutai Lulhetu, Março Mulher e Mboio Ussombó.

O presidente da Associação Agro-Pecuária “Kandumbuame”, José Ndumba, considerou a actividade agrícola rentável, embora clame pelo apoio da banca para se aumentar a produtividade.

O responsável do Projecto Agro-Pecuário “Mussema”, Domingos Sassoneca, que realiza as suas actividades na foz do rio Cassai, assegurou que a classe de agricultores do município tem vontade de produzir, mas, à semelhança de outras associações, carece de “fortes” apoios financeiros e moral.

O agricultor, que exerce as actividades numa extensão de dois hectares de terra, afirmou ser capaz de aumentar os níveis de produção para cinco a oito hectares e de apostar em novas culturas, assim como a produção, que actualmente vem baixando, gradualmente, por falta de ajuda do Governo.

No capítulo da pesca, de acordo com Fernando Chinhama, responsável da Unaca, existe uma associação constituída por 27 pescadores que, em 2017, produziu 155 toneladas de peixes diversos, pescados nos rios e lagos da região.

Os sectores da Agricultura e da Pesca têm escoado os seus produtos através dos comboios, visto que as vias da municipalidade são de difícil acesso, sendo que a transportação por comboio se torna barato, acessível, cómoda e veio coadjuvar, claramente, o comércio na região.

Sectores social, habitação e comunicação

No município do Luacano, regista-se a evolução com a construção, reabilitação e apetrechamento de várias infra-estruturas de impactos sociais, como escolas, hospitais, centro e postos de saúde, esquadras policiais e residências para os quadros.

Por exemplo, já foram construídas 100 residências, das 200 previstas, no quadro do subprograma de construção de 200 fogos habitacionais, das quais algumas já estão habitadas.

No âmbito do programa de autoconstrução dirigida, implementado desde 2010 pelo Executivo angolano, foram distribuídos 120 talhões de terreno à juventude local, no sentido de estimular o sonho da casa própria, à luz do Plano Nacional de Desenvolvimento (PND).

No que se refere à comunicação social, está instalada uma emissora da Rádio Nacional de Angola (RNA) e uma delegação da Angop.

Política

No município do Luacano estão representados quatro partidos políticos, nomeadamente, MPLA, UNITA, CASA-CE e PRS.

A primeira-secretária municipal do MPLA no Luacano, Ana Chipoia, disse que o seu partido, enquanto sustentáculo do Governo, conseguiu cumprir, embora não seja na íntegra, parte daquilo que foi projectado em todos os sectores.

A responsável apresentou como exemplo o sector da Saúde, que teve défice na questão de aquisição de fármacos, em grandes quantidades, devido à condição económica que o país vive, mas acredita que a situação irá melhorar.

Ana Chipoia explica que continuam a fortificar o partido com o aumento de militantes, desde a base, e que todos estão dispostos em colaborar na sensibilização de mais pessoas para ingressarem no MPLA. “Felizmente, as relações com outras forças políticas são óptimas”, afirmou.

Para o pleito de 23 de Agosto, a primeira-secretária solicita o apoio das igrejas, sociedade civil e outras forças, para que o evento decorra em harmonia, não escondendo o desejo de ver o MPLA vencedor, por ser, na sua opinião, o mais organizado, capaz de continuar a governar Angola e, acima de tudo, pela confiança deposita pelo povo.

Em contrapartida, o secretário municipal da UNITA, Leonardo Luís, declarou que a região é um local acolhedor, calmo e humilde e que o seu desenvolvimento devia ser visível e contínuo, principalmente nos sectores da Saúde e da Educação.

O político acrescentou que existem escolas, mas o número de professores é insuficiente e que, nas 11 unidades sanitárias do município, há défice de médicos e enfermeiros.

Segundo o secretário, se a UNITA governar, irá dar emprego a todos os cidadãos, velar pela condição social dos antigos combatentes e ex-militares, melhorar o sector de Saúde, sobretudo, a questão de medicamentos, e o aumento de professores de qualidade.

Enquanto isso, o secretário-adjunto do PRS, Bernardo Chogambu, apesar de delinear evolução em algumas áreas, afirmou que o Luacano precisa de acelerar o processo de desenvolvimento.

Religião

Benjamim Chissambo é o regedor do Luacano, conhecido por regedor Carinda. Alegre durante a entrevista à Angop, não se coibiu de apontar o progresso do Luacano, apontando a construção de escolas, hospitais, centro e postos de saúde, esquadras policiais, residências para os quadros, entre outras infra-estruturas.

Admitiu ter havido um declínio, em consequência da crise económica que o país vive, acrescentando que, em alguns períodos, se tem registado, por exemplo, a falta de medicamentos, enquanto, no sector da Educação, fez referência ao escasso número de professores.

O ancião-adjunto da Igreja Evangélica dos Irmãos em Angola (IEIA) naquela localidade, Dala Celestino, destaca a cooperação com a administração municipal.

Já o seu homólogo da Igreja Nova Apostólica, também situada no município do Luacano, Charles Chipango Chowa, preferiu abordar o momento eleitoral, afirmando que não só persuade os fiéis a votarem em Agosto, mas também tem alertado os crentes para estarem atentos às promessas dos partidos políticos.

Luciano Ifanda, ancião da Igreja Adventista do 7.º Dia, manifestou-se, igualmente, satisfeito pela envolvência massiva dos fiéis da sua congregação no processo de actualização do registo eleitoral e espera pela mesma no dia das eleições, 23 de Agosto próximo.

Turismo

Luacano é um município rico em paisagens, rios, lagos e pequenas florestas, onde se podem encontrar animais como palancas castanhas, nunces, bambi, porco-espinho, gnus, antílopes, jacarés, hipopótamos, oriundos do Parque Nacional da Cameia, município com o mesmo nome.

O Lago Dilolo, o maior de Angola, é um encanto mitológico do passado e do presente, constituindo-se uma atracção turística que aguarda pelas acções para a sua valorização e exploração.

Segundo dados da Administração Municipal do Luacano, o lago tem uma altitude média de 1.098 metros acima do nível do mar. Quando chega o mês de Setembro, torna-se mais quente, com uma temperatura média de 32°C e desce drasticamente em Julho a 8,1 ºC.

A temperatura do lago é relativamente constante, mas cai bruscamente durante a noite, podendo haver alguns dias em que as temperaturas mínimas fazem congelar as águas. Por isso, não existem estações definidas ao longo do ano.

O Lago Dilolo está intrinsecamente interligado numa zona turística, onde se encontra outro lago (Cameia) e o Parque Nacional da Cameia, todos do município da Cameia, localizado ao longo dos CFB.

Pela sua beleza turística inigualável, o lago precisa de valorização e investimentos em construção de infra-estruturas hoteleiras, lugares de lazer e outros empreendimentos para atrair turistas.

O turismo no município do Luacano necessita de ser mais bem explorado, para que, além de permitir descobrir mais zonas atractivas na região, seja uma fonte de receitas e oferta de emprego, bem como de exaltação da cultura e tradição dos diferentes povos que habitam a circunscrição.

Numa altura em que se pretende a diversificação da economia nacional, o “refúgio” ao turismo é um caminho a seguir, conjugado com a questão da exploração da pesca artesanal, agricultura, actividades mais praticadas na região. Daí que os empresários nacionais e estrangeiros podem encontrar um dos locais ideais para investimentos.

“O Lago Dilolo é um esplendor da natureza, propício para momentos de lazer, pesca, entre outras actividades turísticas. Os empresários devem investir, com vista a desenvolver a municipalidade economicamente”, aconselhou o soba João, acrescentando que a sua riqueza paisagística, turística e ambiental deve ser escrita e divulgada.

Geografia

O município do Luacano possui 13.573 quilómetros quadrados, é limitado a Norte pelos municípios do Luau (Moxico) e Muconda (Lunda Sul), a Este e a Sul pelo Alto Zambeze e a Oeste pela Cameia.

O clima é tropical húmido, no inverno é seco e fresco (Junho e Agosto), enquanto na época chuvosa é quente de Outubro a Abril. A temperatura anual é sempre superior a 20 graus centígrados, por vezes atinge o máximo de 35 graus nos meses de Setembro e Outubro.

A data da elevação do município é incerta. Algumas pessoas idóneas e funcionários da antiga administração colonial revelam que passou à categoria de Administração do Conselho de Luacano no dia 12 de Março de 1965, mas foi escolhido pela administração actual, desde 2013, o Dia 12 de Março de 1968 como data de aniversário da região.

Luacano possui 20 mil e 755 habitantes (Censo 2014), é um dos nove municípios da província do Moxico e a penúltima paragem dos CFB, antes de chegar ao Luau, município fronteiriço.

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