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05 Janeiro de 2015 | 17h30 - Actualizado em 05 Janeiro de 2015 | 19h54

Petro do Huambo completa aniversário em ambiente de crise

Huambo - O Petro Atlético do Huambo completa hoje, segunda-feira, 35 anos de existência, envolto num ambiente de acentuada crise financeira que se arrasta desde que deixou de ter o patrocínio da Sonangol (em 2005), cujos reflexos mais graves foram visíveis em 2014.

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Huambo: Equipa do Petro Atlético local

Foto: valentino yequenha

A data das comemorações está a ser aproveitada, seguramente, pela direcção, sócios e simpatizantes do grémio "alvi-negro" do planalto central para reflexão a fim de encontrarem soluções para relançar a formação na alta-roda das competições nacionais, em distintas modalidades.

Considerado o maior emblema da província do Huambo e um dos mais carismáticos e respeitados na região centro e sul de Angola, o Petro do Huambo foi fundado a 05 de Janeiro de 1980, na sequência da fusão entre as equipas locais do Atlético de Nova Lisboa e o Desportivo Sonangol.

Na altura poucos estavam crentes na longevidade do Petro, que era tão-somente considerado o mais novo entre os "gigantes" da praça local, em que se destacava o Mambrôa (actual Benfica) e o Recreativo da Caála, além das extintas formações da Cuca, Evestang, Dínamos, Palancas, Electro, entre outras.

Transcorridos 35 anos, marcados por alegrias e, obviamente, dissabores, que quase retiraram o clube no mosaico desportivo nacional, o estado actual do grémio diverge, em muito, com os objectivos definidos pelos seus fundadores.

Indiscutivelmente, o Petro do Huambo precisa, com urgência, de um “injecção financeira” para resistir às dificuldades que emperram o seu ressurgimento e, consequentemente, reconquistar a mística perdida há décadas. Uma agremiação que não tem estádio de futebol relvado.

Em meio a dificuldades financeiras, facto que faz com que a agremiação desportiva não tenha a exuberância de outrora, ainda assim os "alvi-negros"  continuam a gozar de muito carinho da massa associativa e população em geral.

Aposta na formação apesar das dificuldades 

Sem muitos recursos financeiros para adquirir material desportivo, pagar salários para treinadores e dar incentivos aos atletas, a direcção do Petro do Huambo continua apostada no desporto de formação e na sua reorganização administrativa.

A ideia é criar as bases que permitam desenvolver o grémio, de forma sustentável, nas áreas administrativa, financeira e desportiva, para tornar-se a médio prazo num clube de referência nacional, tal como já o foi até, pelo menos, 2004.

Prova disto são as cerca de 500 crianças, com idades entre 10 e 16 anos, que estão inscritas nas camadas de formação do clube nas modalidades de xadrez, voleibol, atletismo, tae-kwandó, ginástica, judo, basquetebol e futebol que, futuramente, passarão a representar o Petro do Huambo em provas nacionais.

Mesmo com carência de verbas, nos últimos cinco anos o conjunto progrediu significativamente na gestão dos recursos financeiros, organização administrativa interna e recuperação das suas principais infra-estruturas sociais, estando, por isso, a preparar o seu retorno às competições nacionais com jogadores formados no clube e que se identificam com a história e pergaminhos dos "alvi-negros".

Futebol é o rosto do clube

Por altura da fundação, a 5 de Janeiro de 1980, o clube resumia-se à modalidade de futebol e um ano depois o conjunto ascendeu, pela primeira vez, ao campeonato nacional da 1ª divisão, porém não conseguiu manter-se, tendo retornado ao escalão secundário.

Contrariamente ao que se cogitava nos círculos desportivos nacionais, pois se temia que a descida de divisão daria lugar ao desaparecimento no panorama desportivo nacional, os "alvi-negros" protagonizaram feito inédito. Mesmo estando a competir na II divisão, foram finalistas vencidos da primeira edição da Taça de Angola, em 1982, diante do 1º de Maio de Benguela, colosso da época.

Daí em diante, a equipa ficou moralizada e de forma surpreendente começou a construir o historial nos anais desportivos de Angola no futebol, ao mesmo tempo em que começaram a surgir outras modalidades, como basquetebol, xadrez e desportos de luta.

Contudo, o futebol foi a disciplina que mais alegria proporcionou ao clube, tendo em 1984 a equipa sénior terminado na 3ª posição, a dois pontos do campeão Petro de Luanda, situação idêntica registada em 1988.

À semelhança do Benfica, os petrolíferos ficaram igualmente sem competir durante as épocas de 1993 e 1994, por causa da guerra, reaparecendo na "fina-flor" do futebol nacional em 1995 para ocupar o moralizante quinto lugar.

De 1995 a 1998, o conjunto esteve sempre arredado de poder recuperar a mística no campeonato nacional sénior masculino de futebol. Voltaram a evidenciar-se em 1999 (5º lugar), 2001 (4º), 2000, 2002 e 2003 (3º lugar), este último que garantiu ao conjunto vaga nas competições continentais, pela primeira vez. Dois anos depois porém, o infortúnio consumou-se com a descida de divisão da equipa, 23 anos depois.

Em 2007 voltou à 1ª divisão, mas no final do ano seguinte foi despromovido e desde 2013 tem estado a competir no torneio de apuramento, mas sem sucesso, devido à exiguidade de recursos financeiros.

Entre 1983 a 1990, o Petro do Huambo era a única equipa do interior do país que chegava a fornecer regularmente à selecção nacional de futebol de honras entre cinco a seis jogadores. Entre os seus principais futebolistas naquela altura constavam Carlos Pedro, Almeida, Aníbal, Toni, Bolingó, Saavedra, Picas, Mona, Mulusi, Luís Bento, Adão, Lilas, Sayombo, Zacarias, Nelito Constantino e, em épocas ulteriores, Geovety, Zé Nely, Avelino Lopes, Gazeta, entre outros.

Por Gabriel Batalha Ulombe

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