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06 Agosto de 2015 | 19h17 - Actualizado em 07 Agosto de 2015 | 13h14

Com Oliveira Gonçalves, Angola ganharia CAN2010 - Joaquim Dinis

Luanda - A possibilidade de Angola conquistar um Campeonato Africano das Nações (CAN), a necessidade da criação de um fundo de fomento do desporto e a segurança social do jogador foram, entre outros, assuntos desenvolvidos pelo antigo futebolista Joaquim Dinis ?Brinca N?Areia?, em entrevista à Angop no âmbito dos 40 anos da independência.

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Antiga Selecção de Angola Joaquim Dinis primeiro a direita sentado

Foto: Foto Cedida

Acompanhe na íntegra:

(Por Ventura Bengo)

Angop – Onde e como viveu o dia da proclamação da independência em 11 de Novembro de 1975?

Joaquim Dinis (JD) – Estava a viver em Portugal, onde jogava no Sporting. Vivi com muita alegria e satisfação em companhia dos meus amigos. Antes, apesar de estar num hospital em tratamento de uma lesão, já vivia um momento de emoção pelo acontecimento do 25 de Abril, que  antecedeu o 11 de Novembro. Foram duas datas marcantes que ficam na memória dos angolanos, principalmente no exterior do país.          

Angop – Como caracteriza o desporto nos 40 anos de Angola?

JD – Nos 40 anos, posso considerar que o país deu saltos positivos em vários aspectos. Podemos verificar a construção de muitas infra-estruturas desportivas, tais como campos relvados e uma grande aposta no futebol jovem. Em relação ao período colonial, Angola melhorou muito nos aspectos gerais do desporto. Posso mencionar a conquista do CAN2001, na Etiópia, pela selecção nacional de sub-20, bem como a participação dos seniores no mundial2006, na Alemanha, entre outros.


Angop – O que está mal no desporto e o que fazer para superar?

 
JD – O desporto também é afectado pela conjuntura geral do país. Por isso, posso dizer que é como tudo na vida, que nem sempre vai bem, necessitando-se de uma forte intervenção do Governo e demais parceiros sociais, como clubes e outros. Também é necessária maior organização e responsabilidade dos clubes na criação de melhores condições para os jovens praticantes, em recintos adequados e outros aspectos logísticos, como uma alimentação mais equilibrada, para que tenham um desenvolvimento harmonioso e consentâneo com as exigências da aposta na formação. Já há muitas escolas e é preciso organiza-las bem e com o apoio do Estado. Também se poderia pensar na criação de um fundo de fomento do desporto, que daria uma grande contribuição.                      

Angop – Quem são os melhores desportistas e da modalidade?

JD – Angola desde o passado sempre deu grandes desportistas, em distintas modalidades, a exemplo de Jacinto João “JJ”, Inguila, Laurindo, Cavumbo, Ndunguidi, Rui Mingas, Alfredo Melão, Bonga, Jesus, Mota Gomes, Bernardo Manuel, Andrade, Mantorras, Jean Jacques da Conceição, Gustavo da Conceição, José Carlos Guimarães, Paulo Bunze, Pedro Godinho, Palmira Barbosa, José Sayovo e muitos outros.

Actualmente posso citar os futebolistas Ary Papel e Gelson, ambos do clube 1º de Agosto, como promissores talentos do país. Caso tenham as idades verdadeiras, deviam já ter a oportunidade de evoluir fora de Angola, onde poderiam despontar em provas de outros níveis. Por isso, também precisamos ver a questão das idades dos nossos praticantes. 

Angop – O que acha da valorização do desportista durante e após carreira?

JD – Durante a carreira o desportista deve preocupar-se com o seu futuro, criando um negócio ou outras formas de rentabilização que lhe permitam ter uma vida digna no futuro, na medida em que a carreira do desportista é curta. Também não deve perder de vista a questão formativa, visto que depois dos 30 anos começa a outra fase da vida, que é a mais difícil de gerir. Na qualidade de presidente da Associação dos Antigos Futebolistas de Angola, esta é uma das nossas preocupações, para encontrarmos as formas de ajudar estas pessoas, que vivem imensas dificuldades. As estruturas do país devem apoiar a classe, talvez na criação de um fundo de segurança social ou coisa do género.                            

Angop – Dada a sua vivência e experiência como vê o futebol?

JD – Como já referi, o futebol nem sempre corre como nós pretendemos. É como tudo na vida. Mas os clubes têm feito o seu melhor na aposta nos escalões de formação, nas infra-estruturas e participam regularmente no Campeonato Nacional (Girabola) e segunda divisão, embora com problemas e dificuldades inerentes. Além da prova superior, já vemos um campeonato provincial de futebol jovem e precisamos de ter também um Nacional da categoria estruturado e em campos relvados. Infelizmente, este crescimento não se reflecte nas competições africanas.

No Girabola, é necessário fazer-se mais torneios de pré-época, como garantia de dar mais jogos de rodagem às equipas. O trabalho específico que deve ser feito nos escalões etários é incutir nas crianças, entre outros, os fundamentos de que devem começar a sair a jogar da defensiva ao ataque e não o bombeamento das bolas para os avançados. Quero lembrar que depois da realização da I Conferência Nacional, ainda se fala na possível constituição da Liga de futebol. São passos importantes no desenvolvimento da modalidade.      

Angop – Qual é a equipa ideal dos 40 anos da independência no futebol?

JD – Prefiro remeter esta questão para uma outra oportunidade, também para não correr o risco de esquecer alguém, já que o país sempre produziu grandes jogadores.

Angop – Quem aponta como o melhor futebolista de todos os tempos. E o desportista no geral?

JD – É uma questão que tem o mesmo carácter e que não adianta mencionar, pelas mesmas razões.

Angop – Qual é o maior feito do desporto angolano?

JD – Sem esquecer os feitos internacionais do atleta paralímpico José Sayovo, e tantos outros, como no basquetebol e andebol, devo realçar a conquista do africano de sub-20 e as participações nos mundiais de futebol da argentina e Alemanha, em juniores e seniores. Neste aspecto, quero render a minha homenagem ao treinador Oliveira Gonçalves, que pela sua capacidade e qualidades, merecia ser melhor aproveitado para o avanço do futebol angolano. Vai ainda o meu apreço ao falecido treinador cabo-verdiano Carlos Alhinho, pelo seu empenho e trabalho em Angola.

Gostaria de lembrar que Angola perdeu a oportunidade de vencer o CAN2010, disputado no país, caso o seleccionador fosse o Oliveira Gonçalves, que conhecia muito bem os jogadores e o futebol nacional, já que o treinador português Manuel José teve pouco tempo para se adaptar à realidade interna que, em certa medida, influenciou no desempenho da equipa.

Tenho a certeza de que, com ausência de Oliveira Gonçalves na selecção, o país desperdiçou a oportunidade de conquistar o seu primeiro CAN de seniores. Acredito que Angola daqui a 10 ou 15 anos, com um forte trabalho organizativo em todos os aspectos do futebol, poderá conquistar um campeonato Africano.                        

Angop – Que avaliação faz do país, em termos de maior ou principal realização? 

JD – Devo começar por dizer que antes, quando era mais novo, sonhava com a independência. Isso foi realizado, e depois veio a paz. Agora vejo com alguma preocupação o subaproveitamento das figuras e outros quadros do país, que poderiam servir como referência exemplar para a nova geração.

Angop – Como figura de referência, que avaliação faz da juventude, das igrejas, das redes sociais, da economia, e comportamento patriótico?

JD – (Risos!) Está a levar-me para um campo político que é um pouco difícil responder. Mas, posso adiantar que a maioria dos desportistas é jovem, que isentos das práticas nocivas, como o tabagismo e o alcoolismo. Vê-se que Angola é um país de jovens desportistas, apesar de encontrarmos uma grande percentagem destes no consumo exagerado de álcool, que é preciso corrigir. Sobre as igrejas, respeito-as desde que cumpram com os princípios da lei de Deus.

Quanto à internet e às redes sociais, é difícil contornar, apenas condeno o mau uso que às vezes se fazem delas, quando é aproveitada para passar pornografias e outras acções negativas. Sobre a economia que neste momento está numa fase de relançamento, é um factor que determina a evolução de outros sectores da sociedade.

Do patriotismo, acho que todos devem ter um objectivo comum em prol do país e a necessidade do respeito pelos símbolos da soberania. É preciso entender que a independência foi conquistada com muito sacrifício dos filhos da pátria. Por isso, que haja respeito pela soberania e que não haja mais guerras entre os irmãos.

Angop - Qual é o seu prato preferido?

JD – Sou um bom garfo!.. Aprecio um bom calulú, ainda um bom muzonguê, que é um prato característico da minha preferida cidade de Luanda.

Angop – Que religião professa?

JD – Sou católico e procuro cumprir com os mandamentos da lei de Deus.

Angop – Como o senhor passa seus tempos livres?

JD – Eu tenho como passatempo a leitura, principalmente livros e revistas desportivas. Também sou um apreciador de jogos de futebol, basquetebol, bem como de competições de desportos motorizados, como corridas de carros e motos.

Angop - Que tipo de música gosta?

JD – Gosto de música variada, com realce para o de estilo semba angolano.

Perfil:

Nome: Joaquim Dinis

Apelido: Brinca n’Areia

Data de Nascimento: 01 de Dezembro de 1947 em Luanda

Posição: Extremo-esquerdo

Clube de estreia: Académica Social Escola na década de 60

Clubes por onde passou: ASA, Sporting Clube de Portugal, FC Porto, Académica Social Escola e 1º de Agosto

Selecções: Portugal e Angola

Títulos conquistados: campeão português pelo Sporting (duas vezes) e duas Taças de Portugal; Taça de Angola (como técnico do Progresso), campeão pelo 1º de Agosto e vencedor da Taça de Angola pelo mesmo clube (como jogador e técnico, respectivamente)

Outras funções: treinou o 1º de Agosto; União de Leiria (Portugal), Sporting de Luanda, Progresso do Sambizanga; seleccionador nacional de sub-17 e conselheiro técnico de Oliveira Gonçalves no Mundial FIFA 2006 e depois de Manuel José no CAN2010; embaixador do Sporting Clube de Portugal em Angola.

Assuntos Futebol  

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