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07 Outubro de 2017 | 07h15 - Actualizado em 08 Outubro de 2017 | 10h00

Angola: Maior montadora de motorizadas escapa à falência imposta pela crise

Luanda - A Agir Huang, maior montadora de motorizadas do país, por força da crise dos últimos três anos, quase declarou falência, diminuiu pessoal, reduziu importações, mas manteve os salários e a sociedade constituída em 2006, com um investimento de USD 5,5 milhões.

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Exposição de motocíclos prontos preparados para a venda

Foto: Clemente

Gestor da empresa Agir Huang, Luís Gugel

Foto: Clemente dos Santos

Em entrevista à Angop, o gestor da companhia, Luis Gourgel, declarou que a empresa reduziu a sua produtividade, ficando a produção diária entre 40 a 60 motorizadas e a mão-de-obra de 74 para 32 trabalhadores.

Deste número de trabalhadores, 26 são angolanos e seis expatriados, oriundos da China.

A actual situação económica e financeira de Angola forçou a empresa a reduzir a importação dos factores de produção - os componentes das motorizadas.

Nesta senda,  o ano mais difícil foi o de 2015, em que a Agir Huang limitou-se a gerir os meios existentes nos stocks, que rondavam os dois milhões de motorizadas.

Com a dificuldade de divisas para importar, a sociedade, criada pelo angolano Luís Gourgel e chineses, começou a perder a confiança do fornecedor na China, tendo em conta que alguns créditos recebidos nao estavam ser reembolsados.

“ Nós tinhamos muitos kwanzas, mas era dificil adquirir dólares na banca, para honrar com as nossas obrigações comerciais internacionais. Essa situação desmoralizou os fornecedores e sócios e estavam prestes a desistir,” contou Luis Gourgel, director da Agir Huang.

Além das dificuldades de pagar o fornecedor, o empresário enfrentava também, a nível interno, o obstáculo de reaver os créditos que tinha concedido aos programas de recolha de lixo na Quiminha, província Bengo,  “Luanda limpa”,e de Desinfestação,  em Cabo Ledo, ambos da província de Luanda.

Esses factos, conforme contou o interlocutor, reduziu as importações mensais avaliadas em dois milhões de dólares para  USD 200 mil/mês.

Apesar de tudo, Luis Gourgel recordou os momentos de alta da empresa.  Segundo ele, o ano 2013 foi o período em que as vendas atingiram as cifras de 420 motorizadas/mês - uma registo que superou oito vezes mais as vendas dos primeiros anos da sua criação (situadas entre 30 e 50 por mês).

Superação da crise

"O quadro de dificuldades, relativo à obtenção de divisas, obrigou à empresa a trabalhar com pelo menos nove bancos nacionais ao contrário dos dois, estabelecendo relações fiduciárias para ultrapassar as barreiras. A iniciativa funcionou e começaram a ter acesso, embora restrito, às divisas", contou o empresário.

Por outro lado, a fonte acrescentou que a firma começou a beneficiar  também, mais tarde, das novas modalidades de alocação de divisas do Governo angolano, nomeadamente osistema de abertura de carta de crédito. Ess facto ajudou a minimizar a situação crítica da montadora.

Sustentabilidade e perspectivas do negócio

 “Hoje já podemos dizer que o negócio é sustentável, mas se me perguntasse em 2015, eu diria que não sabia”, confessou o gestor.

Em Maio deste ano as importações mensais rondavam as 300 motorizadas, mas agora já chegam às 800 unidades/mês. Além das motos, a Agir Huang comercializa também acessórios e presta assistência técnica aos seus clientes.

Relativamente ao fabrico dos motocíclos em Angola, explicou que  nessa altura não é possível porque exigiria a construção de ao menos oito fábricas especializadas em diferentes componentes (motor, chassis, pneus...), assim como de engenheiros diversos.

Entretanto salientou que esperam, dentro de quatro anos, fabricar acessórios como bancos e manetas de plástico.

A empresa  está a dimensionar o seu projecto  para três ou quatro vezes maior ao existente e por isso adquiriu um espaço vasto na localidade do Sequele onde  perspectiva materilizar a intenção em carteira.

Mercado e concorrência

Actualmente o negócio está a ser estendido para várias províncias do país. Luís Gourgel contou que  estão em Luanda (sede) e têm representantes nas províncias do Cuanza Norte e Sul, Uíge,Zaire, Lunda Norte, Benguela, Huíla e Huambo.

Informou que os novos mercados que  estão sendo “ desbravados” são as províncias do Kuando Kubango e Lunda Sul ( Saurimo), onde há um interesse muito grande pelas motorizadas para o transporte de carga.

A província do Cuanza Sul, depois de Luanda, é a que solicita os produtos da Agir Huang. Em Luanda os que mais adquirem os produtos são os mototaxistas vulgo “ kupapatas”.

O modelo de motocíclo mais solicitados pelos clientes é o LK 80B, mas existe também o LK 50 2B, LK 125 e as motorizadas para transportar carga.

Quanto aos concorrentes, disse que a crise faliu alguns que estavam no Cuanza Norte, Huíla e Huambo. Nesta última província tinhamos representantes da marca Bajaj, indianios e chineses. Contudo ficou o representante da marca Kawasaki.

“ Nós representamos a marca LingKen, mas agora as motorizadas estão sendo produzidas com a nossa marca “ Agir Huang” , explicou o empreendedor.

Para consolidar o negócio no mercado, de acordo com o empresário formam os representantes, além de fornecerem os produtos, para poderem lidar com o mercado.

História da empresa

A Agir Huang surge da fusão de Agir Inc. e Zhong Xing,  que em 2006 aqduiriram uma unidade de tintas alienada pelo Estado angolano. A iniciativa começa com Luís Gourgel, cidadão angolano que, tendo sempre paixão por motorizadas, “aventurou-se” em juntar a cidadãos chineses que têm experiência neste domínio.

Os sócios investiram inicialmente um valor aproximado a três milhões de dólares norte-americanos, tendo a parte angolana cerca de 60 por cento e a estrangeira 40%. 

Em 2008 já haviam recrutado o pessoal, mas ainda assim a empresa não atingia a rapidez e os níveis de produção diária desejada.

Assuntos Economia  

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