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21 Janeiro de 2019 | 19h31 - Actualizado em 21 Janeiro de 2019 | 19h30

Descapitalização dos agricultores condiciona reactivação de fazendas agrícolas

Ganda - Das cento e 67 fazendas agrícolas controlados actualmente no município da Ganda (Benguela), apenas seis foram reactivadas, devido a alegada descapitalização dos agricultores, informou hoje, segunda-feira, o director do Gabinete Provincial da Agricultura e Florestas, José Gomes Silva.

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Campo agrícola

Foto: Morais Silva

Segundo o responsável, que falava à Angop, a grande maioria dos detentores da referidas fazendas enfrentam grandes dificuldades financeiras, sendo que muitos não possuem um mínimo de capital para reactivação da actividade produtiva no campo.

José Silva disse que o seu sector tem vindo a sensibilizar muitos agentes agrícolas no sentido de reestruturarem os seus projectos, de modo a recorrerem ao financiamento bancário, visto que actualmente a atenção do governo está mais virada no apoio à agricultura familiar, estando a agricultura empresarial dependente da banca.

O director garantiu, neste sentido, que o governo vai ajudar os empresários no acesso ao crédito junto a banca e no processo de parcerias entre a classe empresarial angolana e estrangeira.

No encontro de auscultação que o responsável manteve com os agricultores, fazendeiros, líderes de movimentos cooperativos e associações de camponeses, foram traçadas algumas estratégias para solução de certos problemas que a classe vive na região.

Em termos de agricultura familiar, os camponeses clamam por apoios de moto-bomba, criação de diques, açudes, abertura de chipacas para irrigação das culturas, bebedouros para o gado bovino, e ajuda no escoamento dos produtos do campo para comercialização junto dos grandes mercados.

Apontaram ainda o actual estado de degradação das vias de acesso aos campos agrícolas, o que tem condicionado a mobilidade dos camponeses e dos seus bens.

O director do Gabinete da Agricultura e Florestas em Benguela informou-se do surgimento de doença contagiosa bovina, onde 33 mil criadores, dos 37 mil existentes, furtaram-se na apresentação do seu efectivo nas campanhas de vacinação de gado na Ganda.

Todavia, mostrou-se satisfeito pelo facto de alguns agricultores demarcarem-se actualmente da dependência de chuvas, com a utilização de fontes alternativas de regadios, sendo os rendimentos da produção agrícola cada vez melhores.

O município da Ganda está há cerca de um mês sem registo de chuva, situação que está a preocupar as autoridades, mas José da Silva frisou que a situação mais crítica vive-se no Chongoroi, cujos prejuízos são eminentes.

Reafirmou que conhece os problemas expostos pelos camponeses e prometeu apoio em termos de moto-bambas, abertura de chipacas e açudes, estando  já em carteira um programa nesse sentido, com vista o desenvolvimento da agricultura familiar.

Por seu turno, o presidente da União das Associações de Camponeses e Cooperativas Agrícolas (Unaca) na Ganda, Modesto Julião, disse à Angop, sem ainda um levantamento exacto, que existe pouca esperança de grande rendimento na produção das culturas de milho e feijão, em função da ausência de chuvas, associado ao seu início tardio na região.

Afirmou que a estiagem é um ciclo que acontece todos anos, cuja saída passa pela aquisição de moto-bombas para irrigação das culturas, estando os camponeses com dificuldades por falta de meios financeiros.

Os camponeses associados em cooperativas deixaram de beneficiar de crédito agrícola há mais de cinco anos, estando muitas moto-bombas adquiridas no passado avariadas, adiantou.

Com a ausência de chuvas na Ganda, já se faz sentir a escassez de produtos agrícolas nos mercados locais e os poucos que aparecem são adquiridos a preços altos. A título de exemplo, um quilograma de milho antes vendido a 70 kwanzas, custa agora 150, a mesma quantidade de fuba que era comercializada a 150 kwanzas custa agora 200, enquanto um quilograma de feijão passou de 300 para 400 kwanzas.

A Unaca controla actualmente no município da Ganda 14 mil e 971 famílias camponesas, sendo seis mil e 356 mulheres, enquadradas em 20 cooperativas e associações agro-pecuárias, cujos prejuízos da estiagem são visíveis em todas áreas agrícolas da região, excepto na comuna da Chikuma, concluiu.

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