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02 Fevereiro de 2019 | 07h25 - Actualizado em 02 Fevereiro de 2019 | 07h14

Metas do Prodesi passam por financiamento bancário

Luanda - Os bancos comerciais terão papel fundamental, através da disponibilização do crédito, nos projectos do Programa de Apoio à produção, diversificação das exportações e substituição das importações "PRODESI", argumentaram economistas ouvidos pela Angop.

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A meta do Governo até 2022, com base no Plano Desenvolvimento Nacional (PDN), é aumentar a oferta de bens que o país tem capacidade para produzir, quer no sector da indústria transformadora, quer no sector da agricultura.

Para arranque da implementação do programa, cujo Plano de Acção foi aprovado em Novembro de 2018, foram seleccionados 54 produtos, com destaque para os da cesta básica.

A propósito o economista Lopes Paulo disse à Angop que alem do financiamento, para o projecto vincar, o país terá que apostar forte na formação de mão-de-obra qualificada e uma melhor gestão dos projectos.

O Programa, elaborado ao pormenor e com rigor é exequível, mas o economista alerta que não basta ter um programa de boas intenções, mas é necessário criar as condições, como a de infra-estruturas, para fazer a economia fluir.

A respeito das condições mínimas para a materialização do Prodesi, o Banco Nacional de Angola, no tocante ao crédito, baixou a taxa básica de juros de 16,5 para 15,75 por cento.

Entretanto, o Governador do Banco Nacional de Angola já prometeu que o Banco Central vai ajudar a mobilizar recursos para apoiar Prodesi, para definitivamente o país deixar de fazer recurso à importação das carnes de frango, bovina e suína, produtos da cesta básica, materiais de construção e outros bens de grande consumo.

No âmbito das medidas de apoio ao aumento da produção nacional, o BNA elevou os níveis de liquidez no mercado em moeda nacional, medidas que permitiram baixar a taxa de inflação em 18 por cento, a nível da província de Luanda, em 2018.

Lopes Paulo considera fundamental que o país reduza a importação de produtos que podem ser produzidos localmente, para reduzir a pressão da saída das divisas do BNA, por um lado, e por outro para permitir a criação dos 500 mil postos de trabalho, prometidos pelo Executivo.

Para o economista Olavo Quintas, PRODESI não visa objectivamente produzir efeitos imediatos, uma vez que para a sua implementação é necessários que se criam condições estruturais na economia para que haja sucesso.

Olavo Quintas refere ser importante para o sucesso do Prodesi o Executivo recuperar rapidamente a malha rodoviária, aumento da oferta de água e energia, para reduzir os custos de produção, transporte e distribuição dos produtos.

Em relação às infra-estruturas, sobretudo no domínio viário, este ano o Ministério da Construção e Obras Públicas, a começar neste mês de Fevereiro, vai reabrir as principais estradas nacionais, para permitir o escoamento da produção feita no interior das províncias.

Neste domingo, será reaberto o troço Lucala/Cacuso, na estrada nacional nº 230, via que liga o litoral, o Norte e Leste do país.

Por sua vez, o economista Hernany Luís entende que a efectivação do Prodesi pode diminuir, de forma gradual, a dependência do exterior, principalmente no domínio agro-alimentar.

Segundo o especialista, o Prodesi é um programa ambicioso que, bem  executado, pode retirar Angola da condição de importador para exportador de produtos diversos no médio e longo prazos.

“O Prodesi pode ser o programa que pode salvar o país, visa a aumentar a produção interna e diminuir as importações em função do espaço que a produção local vai granjeando”, disse.

A este respeito, no fórum realizado nos dias 28 e 29 de Janeiro em Luanda sobre as medidas de apoio ao aumento da produção nacional, o ministro de Estado do Desenvolvimento Económico e Social, Manuel Nunes Júnior, disse esperar que o Prodesi marque o ponto de viragem para o aumento da produção e torne o país auto-suficiente.  

Para ilustrar o quadro de dependência quase total do exterior, em relação aos bens de grande consumo, informou que, entre 2016 e 2017, o valor médio de importações dos bens da cesta básica atingiu cerca de 1,5 mil milhões de dólares, sem incluir os custos de transporte e seguros.

Produtos como o arroz, fuba de milho, farinha de trigo, açúcar, óleo alimentar e óleo de palma tinham, em 2016, maior peso na importação dos produtos da cesta básica, correspondendo a cerca de 60% das importações.

Em 2017, esses produtos corresponderam a cerca de 67 por cento do total das importações dos produtos da cesta básica.

A carne de frango é um produto que tem evidenciado níveis de importação muito altos, com gráficos a demonstrar que, em 2016, foram importadas 850 mil toneladas de carne de frango, correspondendo a uma despesa de 450 milhões de dólares.

Em 2017, a importação foi de 326 mil toneladas, correspondendo a uma despesa de cerca de 387 milhões de dólares. Estes são alguns dados que ilustram a urgência da necessidade de aumentar a produção nacional, substituir as importações, e aumentar os produtos da cesta básica.

Metas do Prodesi até 2022

Até 2022, a produção de cereais (milho, massango, massambala e arroz) aumentará 105% em relação a 2017, enquanto a produção de raízes e tubérculos (mandioca, batata-doce e batata rena) aumentará 49% em relação a 2017, ao passo que a produção de leguminosas e oleaginosas (feijão, amendoim e soja) crescerá 116% em relação a 2017.

A produção de frutas (citrinos, abacaxi, banana, manga, abacate) aumentará 53% em relação a 2017, as hortícolas (cebola, tomate, couve, repolho, alho, cenoura, pimento, beringela) terão um aumento de  15% em relação a 2017, enquanto o café  aumentará 31%.

A produção de cana de açúcar aumenta 101% em relação a 2017, a área média de cultivo por família passa de 1,5 hectares em 2017 para 2,5 hectares, a disponibilidade de fertilizantes passa de 10% em 2017 para 80%, a disponibilidade de sementes passa de 10% em 2017 para 40% , a disponibilidade de instrumentos de trabalho/equipamentos passa de 10% em 2017 para 80% em 2022.

A produção anual de carne aumentará 53% em relação a 2017,  a produção anual de ovos aumenta 164%, a produção anual de leite aumenta 201%, e a prevalência das principais doenças animais diminui de 15% em 2017 para 5% em 2022.

No sector industrial, 65% do consumo nacional de sabão será satisfeito por produção interna, 64% do consumo nacional de açúcar será satisfeito pela produção interna, 44% do consumo nacional de farinha de milho será satisfeito por produção interna e 64% do consumo nacional de farinha de trigo encontrará oferta no mercado nacional.

Até 2022, 43% do consumo nacional de leite pasteurizado será satisfeito pela produção interna, 13% do consumo nacional de transformados de carne será satisfeito internamente, 73% do consumo nacional de massas alimentares será igualmente satisfeito pela produção interna.

Até 2022, 92% do consumo de varão de aço encontrará resposta no mercado interno, 61% do consumo nacional de tubo de aço também, 10% do excedente da produção cerveja nacional será exportado.

O mercado interno de produção de bens poderá exporta 10% do excedente da produção nacional de sumos e refrigerantes, 10% do excedente da produção nacional de cimento, e 600 empresas industriais serão instaladas nos Pólos de Desenvolvimento Industrial (PDI).

Até 2022, 130 empresas industriais estão instaladas nos Parques Industriais Rurais (PIR) e os Centros de Formação afectos ao Sector da Indústria vão capacitar  19 mil e 440 técnicos.

Assuntos Economia  

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