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30 Dezembro de 2019 | 08h05 - Actualizado em 30 Dezembro de 2019 | 08h03

Agricultura familiar tem novo impulso em 2019

Luanda - O sector da agricultura encerrou o presente ano (2019) com um dado animador para a classe camponesa, que viu quadruplicar o número de charruas de tracção animal distribuídas pelo Governo, durante a campanha agrícola 2019/2020.

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Huíla: Preparação de terras agrícolas

Foto: Morais Silva

Campo agrícola na província de Cabinda

Foto: Pedro Vidal

(Por Joana Marcos)

Ao todo, foram distribuídas pelo país 60 mil máquinas de lavoura, contra as 15 mil recebidas na campanha de 2018/2019, números que podem ajudar a fomentar a agricultura familiar.

No presente ano agrícola, o Governo trabalhou com quase dois milhões de famílias, tendo o sector disponibilizado 20 mil toneladas de fertilizantes compostos e simples, sementes, calcário dolomítico, enxadas, catanas, limas, machados e assistência técnica.

A campanha, que integrou um milhão e 309 mil e 580 famílias, teve como principal objectivo atingir as metas pré-definidas no Plano de Desenvolvimento Nacional, que previa, até 2019, cobrir 70 a 80 por cento das necessidades alimentares dos angolanos.

Deste modo, foram disponibilizadas três mil toneladas de sementes de milho melhorado, 200 toneladas de feijão, 100 toneladas de massango e cinco toneladas de sementes de algodão para fomentar a cultura do cultivo.

Em virtude do défice que a agricultura familiar regista na oferta de bens alimentares ao mercado nacional, nesta safra o sector centrou-se igualmente na melhoria e no aumento da produção do milho, feijão, massango e massambala.

Privilegiou também o incentivo às famílias para apostarem cada vez mais no cultivo da mandioca, batata-doce e do arroz, segundo o director-geral adjunto do Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA), José Fernandes.

Projectos co-financiados

Quanto aos projectos agrícolas co-financiados pelo Estado angolano e agências internacionais, destacaram-se, em 2019, a implementação do Projecto de Desenvolvimento da Agricultura Familiar e Comercialização (Mosap II).

Trata-se de um projecto que está na segunda fase e a ser executado nas províncias de Malanje, Huambo e Bié, que actua de forma complementar nas acções do IDA.

O mesmo, orçado em cerca de 95 milhões de dólares norte-americanos, beneficia pelo menos 150 mil famílias, num co-financiamento do Governo angolano e do Banco Mundial.

A réplica deste projecto também está a ser feita nas províncias do Cuanza Sul e da Huíla, com um orçamento que ronda os 38 milhões de dólares, co-financiado pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA).

O Projecto de Cadeia de Valor, lançado recentemente na província de Cabinda, também é uma das iniciativas que contam com o financiamento externo.

Orçado em cerca de 123 milhões de dólares, o projecto é co-financiado pelo Governo angolano e pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD).

O plano visa alavancar e assegurar a produção comercial do café, cacau, dendém, caju, bem como da banana, mandioca, batata-doce, hortícolas, cereais e outros produtos.

Com o surgimento destes projectos, o Ministério da Agricultura e Florestas procura garantir a sustentabilidade dos mesmos, para evitar a ineficácia dos planos, tal como ocorreu noutros programas do Governo, em que, no final de cada período, os produtores voltavam à estaca zero.

Dotação orçamental

Na presente campanha, o sector agrícola contou com apenas uma dotação orçamental de cerca de 0,4 por cento do OGE, percentagem insuficiente para alavancar a agricultura e superar o défice alimentar em Angola.

Segundo o director-geral adjunto do Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA), José Fernandes, o sector necessita de aproximadamente 10 por cento do OGE, para minimizar este défice e aumentar a produção nacional.

Só desta forma, diz, será possível reduzir as importações de bens alimentares.

Além do fraco financiamento ao sector da agricultura, o salário pago aos técnicos agrários é ainda baixo, facto que tem provocado a fuga de quadros, enfraquecendo, cada vez mais, a agricultura familiar.

Para superar estas dificuldades, o Ministério da Agricultura e Florestas tem trabalhado com outros órgãos do Estado, no sentido de resolver este problema que tem causado constrangimentos na aceleração da produção nacional.

Reforços das parcerias

Noutro domínio, o ano de 2019 ficou marcado pela assinatura de dois memorandos de entendimento, entre Angola e os Emirados Árabes Unidos (EAU), no domínio da agricultura, para potenciar o cultivo do milho e da soja, bem como a criação de aves.

Prevê-se que os dois projectos comecem a ser materializados já nos próximos dias.

O primeiro acordo está centrado na criação de uma fábrica de produção de equipamentos de mecanização agrícola, a ser instalada na Zona Especial Económica, (ZEE), no município de Viana, província de Luanda.

O segundo visa a criação de uma fazenda para o cultivo de milho, soja e produção de criação de aves, na província do Cuanza Sul.

O projecto visa melhorar a agricultura para as famílias angolanas, tendo em conta que haverá espaço para inclusão da mão-de-obra das famílias.

Assuntos Agricultura   Angola   Angop  

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