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17 Maio de 2019 | 18h21 - Actualizado em 17 Maio de 2019 | 18h21

Utentes reprovam falhas na telefonia móvel

Luanda - De vários cantos do país, em particular Luanda, multiplicam-se as queixas de má prestação de serviços de telecomunicações no país. Diariamente, milhares de utentes se dizem agastados com as falhas técnicas das operadoras.

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Alunos do Instituto das Telecomunicações

Foto: Francisco Miúdo

Cidadão ao telefone

Foto: Angop

(Por Quinito Bumba)

A dificuldade é sentida, em grande medida, no serviço de telefonia móvel e de Internet, que apresentam constantes quebras de sinal e alto consumo de saldo.

Uma das principais críticas, nos últimos anos, é o elevado custo dos serviços, que os utentes consideram, grosso modo, não terem “a qualidade desejada”.

Desde finais de 2016, o preço da Unidade de Taxa de Telecomunicações (UTT) sofreu reajustes ligeiros em Angola, passando os utilizadores dos serviços de telefonia a pagar mais 2,8 Kwanzas (Kz) por cada UTT.

Com essa alteração, o preço do tarifário saiu de 7,2 Kz para 10, impactando no custo das recargas.Nesse sentido, o cartão de recarga da Unitel (125 UTT), que custava 900 Kz, passou a ser vendido a 1.250 Kz, um aumento de 38,88 por cento.

Já em relação à Movicel, o preço do cartão de recarga (125 UTT) manteve-se na casa dos 900 Kz, mas o utente da operadora passou a desembolsar, no quadro           dessas medidas do Governo, uma média de 3,47 UTT por minuto.

Apesar de o Executivo angolano trabalhar para reduzir as tarifas dos serviços de comunicação, com a aplicação de medidas que levam à redução dos preços dos       serviços, os utentes afirmam que as tarifas actuais estão muito acima do ideal.

Apesar de todas as províncias do país estarem interligadas por fibra óptica, desde      2010, as falhas nas comunicações têm sido recorrentes, provocando custos adicionais aos agentes económicos (empresas, famílias e Estado).

Segundo Bruno Lara, utente e especialista em telecomunicações, o serviço das telefonias móveis no país “é medíocre, principalmente nas províncias fora de Luanda, onde se registam constantes falhas no sinal de rede e internet”.

"A cobertura da rede móvel a nível do país é muito deficiente. Em vários troços onde estão instalados as antenas das operadoras não há sinal de rede", afirma.

O também director de telecomunicações da empresa angolana de electrónica, informática e tecnologias de informação (Sistec) referiu que a sua empresa tem tido muitas dificuldades para manter uma comunicação estável com as filiais sedeadas nas províncias de Cabinda, Benguela, Huambo e Huíla.

Nessas e outras províncias, aponta, as comunicações são péssimas, em relação à província de Luanda, que também "não é das melhores".

Considera, por outro lado, que o serviço de internet usado em Angola ainda é restrito, por não estar disponível para maior parte da população com a qualidade desejada.

“A indisponibilidade de internet a nível nacional constitui um constrangimento muito grande para implementação de grandes projectos empresariais e governamentais no país”, comenta o responsável, que acredita em melhorias dias, depois de implementadas as autarquias em Angola, a partir de 2020.

A seu ver, com esse passo será necessário equipar as administrações municipais e comunais com sistemas de internet forte e segura, para que os serviços sejam eficientes.

Bruno Lara considera que o melhoramento dos serviços de telecomunicações passa, essencialmente, pela expansão dos investimentos desse sector em todas as regiões do país, com destaque para as áreas potencialmente produtivas.

Já a utente Maria de Carvalho afirma ser necessário que as duas operadoras do país  melhorem os serviços de telefonia móvel, sublinhando que a entrada de novos actores no mercado deve ser bem ponderada, para evitar licenciar empresas sem qualidade.

Actualmente, mais de metade da população angolana (estimada em 25 milhões de habitantes - Censo 2014) usa telefone móvel. Só nos últimos 10 anos, o mercado registou acréscimo considerável de utilizadores.

De acordo com o Instituto Nacional das Comunicações (Inacom), 11 milhões, 396 mil   e 238 cartões “SIM” (chip), dos mais de 14 milhões adquiridos, foram registados no circuito oficial, até 2017. Isso corresponde a 81,4 por cento dos números activos.

Os dados do Inacom, referentes a 2016, indicam que 73 por cento do mercado - pelo menos 10 milhões de clientes - é dominado pela Unitel, contra 27 da Movicel, que se estima ter uma rede de pelo menos três milhões e 780 clientes.

Juntas, as duas operadoras disputam um mercado que ainda está longe de corresponder aos anseios de milhares de utilizadores, em termos de serviços e qualidade do sinal.

É por essas e outras razões, que Maria de Carvalho reafirma o seu pedido de ponderação às autoridades, em relação ao licenciamento de novas operadoras.

"Não há necessidade de aumentar operadoras sem primeiro melhorar os serviços fornecidos pela Movicel e Unitel, que têm sido uma dor de cabeça", desabafa.

Na sua óptica, as duas operadoras devem melhorar os seus serviços, principalmente no interior do país, sendo que a Unitel poderia praticar preços acessíveis na venda de recarga e disponibilizar várias opções de serviços.

Já a Movicel, sugere, deve procurar as melhores soluções para superar as suas debilidades e facilitar a vida dos cidadãos.

Ricardo Gonga, por sua vez, considera o preço do cartão de recarga da Unitel como  uma "aberração", por ser incompatível com o tempo de uso.

“O que tem se verificado, nos últimos dias, é uma aberração. Mesmo sem falar muito, o saldo termina rápido, fazendo apenas um ou dois dias", desabafa.

O também professor de carreira, que só usa o telemóvel para comunicação de voz, diz que o aumento do preço do cartão de recarga da Unitel de 900 para 1250 kwanzas por 125 UTT está a dificultar a comunicação do dia-a-dia, por perder o poder compra.

Ricardo Gonga gasta em média dez mil kwanzas/mês na compra de recarga e fica duas a três semanas sem carregar o telemóvel, devido o alto custo do saldo e baixo salário.

Perante esse quadro, o utente sugere o surgimento de várias operadoras de telefonia móvel no mercado nacional, com vista a fomentar a concorrência.

Quem também se queixa das falhas sucessivas de sinal é a utente Maria Mozanga, que faz o uso do telemóvel há sete anos e abandonou a Movicel por causa desses problemas.

Segundo a mesma, o sinal de rede das operadoras tem variado muito em função da localidade de cada utente. “Existe locais com e sem rede”, afirma, exemplificando o distrito urbano do Zango, região em que vive.

Para Iracelma Gregório, que em média gasta 30 mil kwanzas/mês na compra de saldo de dados e voz da rede Unitel, é urgente melhorar a qualidade dos serviços das operadoras, para facilitar comunicações internas e internacionais. 

Operadoras defendem-se

Diante desse quadro de reclamações, as operadoras justificam-se e afirma que os problemas relatados se devem a questões alheias às empresas.  

O difícil acesso às divisas é apontado, entre várias, como uma das principais causas das constantes falhas de rede e quebras no sinal de internet das operadoras de telefonia. 

Segundo o director-geral da Movicel, Gianvittorio Maselli, o difícil acesso às divisas constitui o maior constrangimento da operadora, dificultando a disponibilização de serviços com a qualidade desejada aos seus clientes.

Essa situação, explica, está a dificultar o asseguramento das acções preventivas de reparação e modernização dos sistemas de produção de serviços.

O desalinhamento de antenas, provocado por intempéries na época chuvosa, o alto custo dos recursos de transmissão, interligação e da energia alternativa, bem como o corte de cabos de fibra óptica por pessoas desconhecidas e as falhas de energia eléctrica pública são, segundo a fonte, outros factores que agravam as falhas de rede e sinal de internet.

Informa que a prestação de serviços em alguns municípios está a ser feita somente através da transmissão por satélite, sublinhado que os preços da transmissão por satélite, além de serem muito altos, estão geralmente indexados ao dólar.

Diante desse cenário, Gianvittorio Maselli afirma que a Movicel está ciente de que, para ter clientes fiéis à sua marca, necessita de fornecer serviços associados a uma rede com qualidade e fiabilidade.

Para tal, refere, a Movicel firmou, recentemente, uma parceria com a Vodafone (operadora móvel multinacional inglesa), que a partir do segundo semestre deste ano ajudará a operadora angolana a realizar investimentos para aumentar a capacidade.

"Nos próximos meses, os nossos clientes irão verificar melhorias significativas na qualidade e disponibilidade dos nossos serviços", afirma Gianvittorio Maselli.

Quanto ao surgimento de novas operadoras no mercado, considera salutar, desde que venha aumentar a cobertura da rede móvel no país e melhorar a qualidade global.

"A Movicel não teme a concorrência, mas toma-a como incentivo para a melhoria dos serviços prestados aos clientes. Esperamos que as eventuais entradas de novos players no mercado não conduzam a uma destruição de valor de todos os operadores", conclui.

Angola Cables

Para a Angola Cables, empresa multinacional de telecomunicações, o mercado angolano de telecomunicações tem particularidades próprias, que influenciam no aumento do preço dos serviços.

A título de exemplo, a estação de cabos de fibra óptica, localizada a 100 quilómetros a sul da cidade de Luanda, funciona 100 por cento a gerador, desde 2012, por falta de energia eléctrica pública no local. Isso reflecte-se no preço final.

A falta de água canalizada na localidade é outra condicionante que contribui para o encarecimento dos serviços, segundo o director-geral da empresa, António Nunes.

Afirma, por outro lado, que nos últimos dez anos o mercado angolano de telecomunicações é o que mais cresceu, em relação aos países vizinhos de Angola, com a instalação de redes nacionais e internacionais.

Apesar disso, reconhece, a qualidade dos serviços de telecomunicações em Angola ainda estão aquém do desejado, comparativamente aos mercados de outros países.

Para melhorar esse quadro, António Nunes aponta a necessidade da existência de infra-estruturas de telecomunicações eficientes, para que os serviços cheguem aos utentes com o custo mais baixo possível e a qualidade desejada.

A criação dessas infra-estruturas, explica, permitirá desenvolver o comércio digital.

"Com a evolução das telecomunicações é possível vender e comprar qualquer tipo de produto ou serviço em diferentes países do mundo, através de plataformas digitais, tornando a vida dos fornecedores e compradores mais económico e eficiente", diz.

Neste sector, refere, a comercialização de bens e serviços ou troca de informação/conhecimento é feita de forma mais célere e eficiente, sem pagar, por exemplo, taxas alfandegárias nem ter barreira fronteiriça.

Em Angola, o serviço de internet da multinacional está concentrado apenas em Luanda, por não existir entidades provedores de serviços de internet (Internet Service Provider, ISP, sigla inglesa), nas comunidades, de acordo com António Nunes.

A Angola Cables é uma multinacional angolana de telecomunicações que começou a actividade em 2012, actuando no mercado grossista. O seu negócio é a venda de capacidade de transmissão internacional através de cabos submarinos de fibra óptica e

IP trânsito.

ITEL

Por sua vez, André Pedro, director-geral do Instituto de Telecomunicações (ITEL), refere que a estabilização desse sector depende da cooperação/conjugação de forças de vários sectores, para que os projectos das empresas sejam sustentáveis.

Para tal, sugere, é necessário haver mais investimentos no sector, que devem ser feitos pelos empresários.

Refere que o Comité de Coordenação de Infra-estruturas de Comunicações Electrónicas (Infracom), a ser implementado pelo Governo, vai garantir a estabilização do mercado das telecomunicações.

O Infracom permitirá a partilha de infra-estruturas entre as operadoras nacionais.

O Comité Coordenador de Infra-estruturas de Comunicações Electrónicas (INFRACOM) é uma entidade consultiva independente, que apoia o Órgão Regulador das Comunicações Electrónicas nas acções orientadas pelo Executivo.

Para superar o défice do mercado das telecomunicações em Angola, o Governo está a criar condições para realização de concurso público para entrada em funcionamento da quarta operadora de telefonia móvel no país.

A construção do Angosat-2, na Rússia, e Angosat-3, em França, também faz parte dos grandes projectos do Governo angolano, para melhorar a qualidade dos serviços das telecomunicações.

Assuntos Telecomunicações  

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