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31 Maio de 2019 | 20h37 - Actualizado em 31 Maio de 2019 | 20h37

Cabinda recupera indústria madeireira

Cabinda - O governo provincial de Cabinda prevê investir cerca de 10,5 milhões de euros na recuperação da indústria madeireira, com incidência para o complexo Pau-Rosa, ex-Mabel (Madeiras de Belize), paralisado há cerca de 20 anos.

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A produção de madeira é uma das riquezas de Cabinda

Foto: Amélia Oliveira/arquivo

Por: Pedro João

Segundo o secretário da província de Cabinda para a Indústria, Geraldo Ndubo Paulo, o valor previsto deverá ser reajustado, tendo em conta que a empresa a quem foi adjudicada a obra, em 2006, tarda em iniciar os trabalhos, apesar de ter recebido um pagamento adiantado.

A madeira é tida como um dos recursos mais valiosos e dos mais importantes na economia da província, em particular, e do país, em geral.

No quadro do Programa Nacional de Desenvolvimento, o governo provincial está empenhado em recuperar e renovar o parque industrial de transformação de madeira, a sua segunda maior fonte de receitas depois do petróleo.

Num passado recente, o sector madeireiro alavancou a economia local com a produção de laminados e prensados (contraplacados), através das variadas espécies caras e raras que a floresta do Maiombe possui.

O complexo Pau-Rosa, ex-Mabel (Madeiras de Belize), foi a principal unidade de transformação de madeira na província, com uma produção anual estimada em 15 mil metros cúbicos de contraplacados e laminados e sete mil e 500 de madeira serrada.

Em 1994, uma avaria da sua caldeira, principal equipamento na produção de prensados (laminados e contraplacados), provocou a paralisação do complexo Pau-Rosa.

A falta de divisas para a sua recuperação, bem como a não realização de investimentos propostos para a reabilitação do sector industrial madeireiro, levou a corrosão dos equipamentos, tornando moribunda aquela unidade fabril, até a presente data.

De acordo com Ndubo Paulo, com a recuperação do Complexo Industrial Pau-Rosa, património do governo provincial, pretende-se revitalizar o sector madeireiro em Cabinda, contribuindo para a diversificação da economia.

“São várias as razões que se colocam para a sua recuperação, tendo em conta a actual crise financeira que o país atravessa, assim como a requalificação da cidade de Cabinda, que prevê transferir todas unidades industriais  do centro urbano para a zona do futuro Parque Industrial do Fútila, com vista a proporcionar maior desenvolvimento à indústria na província”, disse.

O responsável do sector da indústria na província lamentou os problemas relacionados com a falta de matéria-prima (madeira) para dar novo impulso ao  sector de transformação, devido a inexistência das zonas de corte, o que leva a encarecer a sua produção.

O responsável refutou as informações segundo as quais o Complexo Industrial Pau-Rosa seria transformado numa grande superfície comercial (supermercado), à semelhança do que aconteceu com a unidade fabril Mogno, esta convertida no supermercado Intermaket.

“Não desejamos transformar esta zona da unidade Pau-Rosa numa grande superfície comercial. Continuamos a lutar para que rapidamente se defina políticas do seu destino”, referiu.



Um gigante adormecido


O Complexo Industrial Pau-Rosa é uma unidade fabril conhecida a nível internacional, devido à produção de prensados (contraplacados e laminados) e madeira serrada de alta qualidade, como kambala, livuite, longui, pau-rosa, pau-preto e ndianuno, que eram exportadas para Portugal, França, Espanha e Itália.

A Pau-Rosa, na era colonial pertencente ao grupo industrial Jomar África Limitada, foi confiscada no pós-independência e integrada na Panga-Panga-UEE, a empresa estatal que detinha o monopólio da actividade de exploração e produção da madeira e seus derivados ao nível do país.

Antes da independência, Cabinda detinha dois grandes complexos industriais de exploração e produção de madeira, nomeadamente o  complexo Pau Rosa (ex-Mabel-Madeiras de Belize), localizado na zona de Cabassango (posteriormente desintegrado da Panga-Panga UEE).

A outra é a unidade Mogno (ex-Jomar África, então pertencente ao português João Marquês Pinto), que, por razões diversas, viu as suas actividades paralisadas.

O Complexo Pau-Rosa, a maior unidade na província, funcionava com duas linhas de produção, nomeadamente a  Longui, no fabrico de contraplacados, e a Kambala, na produção exclusiva de laminado e a serragem de madeira.

A capacidade anual de produção do Pau-Rosa estimava-se em 15 mil metros cúbicos de contraplacados e laminados e sete mil e 500 de madeira serrada.

Contava, na altura, com uma força de trabalho de 470 trabalhadores, sendo 250 na área fabril e serração e 210 no sector florestal, nas áreas específicas de corte de madeira, nos municípios de Buco-Zau e Belize e na zona de Prata-Chingundo, município de Cabinda.

O Complexo Pau-Rosa, localiza-se no bairro Cabassango e está adstrita ao Instituto do Desenvolvimento Industrial de Angola (IDIA), órgão tutelado pelo Ministério da Indústria.

A tentativa da sua recuperação, tendo em vista o potencial económico que representa para o sector industrial madeireiro da província, mormente no fabrico de laminados e contraplacados, não passou de uma mera intenção.

Em 2005, o governo provincial conseguiu a transferência para a sua esfera patrimonial da Mogno (ex-Jomar África LDA), na zona de Lombo-Lombo, depois de anos de paralisação, devido ao conflito armado, mas o local acabou por ser convertido numa superfície comercial.

Para além da produção de madeira, há outros indicadores positivos no parque industrial de Cabinda, com o surgimento de infra-estruturas ligadas à produção de água mineral, cervejeiras e panificadoras que tentam animar a oferta de produtos diversificados às populações.

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