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03 Junho de 2019 | 15h41 - Actualizado em 04 Junho de 2019 | 12h35

Moxico: Projectos agro-pecuários - avanços e recuos

Luena - A implementação dos projectos agro-pecuários na província do Moxico (Leste), iniciada em 2010, na perspectiva de garantir a segurança alimentar aos cerca de um milhão de habitantes locais, encontra-se paralisada devido à crise económica e financeira que se regista no país.

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Produtos cultivados na província do Moxico

Foto: David Dias

Por David José
 
Com efeito, projectos como o Agro-Pecuário de Sacassange e a Fazenda Agro- Industrial de Camaiangala, bem como a reabilitação do Perímetro Irrigado do Luena, iniciada em 2008, foram afectados pelo actual contexto.
 
Gizados pelo governo provincial e financiados pelo estado, os programas visavam o reforço da produção das culturas que constituem a base da alimentação da população local.
 
Aproveitando a estabilidade resultante da paz conquistada pelo país, em 2002, a província tinha obtido avanços no tocante ao fomento da produção, incluindo mais de 40 mil famílias regressadas das zonas em que se tinham deslocado ou refugiado durante o conflito armado.
 
A meta era o alcance, o mais rápido possível, de níveis de segurança alimentar próximos dos da época colonial, em que o Moxico era potência produtiva e exportadora de arroz, mel e cera, mas a falta de dinheiro, aliada à má gestão dos recursos financeiros, inviabilizaram a execução dos programas.
 
Antes da crise financeira, originada pela baixa do preço do petróleo no mercado internacional, a paz também estava a viabilizar a implementação do Programa de Desenvolvimento Rural, com a introdução de tecnologias modernas, na expectativa de melhorar e aumentar a produtividade.

Além da crise financeira, a estiagem na região é outro factor que prejudica as culturas, daí que a produção agrícola deste ano, estimada em 1.092.065,6 toneladas de produtos diversos, não será alcançada, de acordo com o director do Gabinete Provincial da Agricultura e Pescas, António Augusto da Silva.
 
Prognosticando uma baixa produção na ordem de 45 por cento, o responsável afirmou que os resultados da colheita da campanha agrícola 2018/19 não serão satisfatórios, com destaque para as culturas de cereais, leguminosas, oleaginosas e da actividade pesqueira.
Cerca de 151.714 famílias camponesas e 575 pequenos produtores estão envolvidos nas actividades agrícolas na província, sendo que 39.800 famílias são apoiadas pelas administrações municipais e a Organização filantrópica Federação Luterana Mundial (LWF).

Para a presente época agrícola, tinha sido preparado pelo menos 136.546 hectares para o cultivo de produtos diversos, 136.232 dos quais de forma manual e 28 através da tracção animal.

O director do Gabinete Provincial da Agricultura e Pescas lamentou o fracasso da campanha agrícola, apesar de se ter aumentado a quantidade de insumos, com a distribuição de 29.5 toneladas de adubos, 9.75 de ureia, igual número de amónio, cinco de sementes de milho, 2000 catanas, mil pás, 300 enxadas, 200 machados e 15 charruas de tracção animal.

Sobre o assunto, o director do Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA), Eduardo Vieira, frisou que factores ambientais também influenciaram negativamente os resultados da colheita deste ano, estimada no quadro do Programa de Extensão e Desenvolvimento Rural (PEDR).

A escassez de chuva, no princípio da época agrícola, foi por si apontada como principal factor que contribuiu para a fraca produção agrícola, explicando, que em determinadas áreas, as sementes lançadas à terra em Setembro de 2018 secaram e as semeadas em Novembro tiveram uma colheita razoável, porque as chuvas foram regulares até ao mês de Janeiro.

Ao contrário do director do Gabinete Provincial da Agricultura e Pescas, o responsável do Instituto de Desenvolvimento Agrário disse recear o surgimento de insegurança alimentar, salientando que a cultura do feijão, milho e cucurbitáceas (abóbora, melão, melancia, bucha, cabaça (cuia), abobrinha, pepino) é a que mais riscos correm, já que os solos da província são arenosos.

Segundo o responsável, os indicadores da actividade pecuária são tímidos, atendendo à limitação do seu efectivo, estimado em 281.450 unidades de diferentes espécies, na posse de 63.080 criadores do sector tradicional e empresarial.
Muitas empresas do sector, a maioria de exploração rudimentar, têm a sua capacidade produtiva reduzida consideravelmente, tendo algumas delas falido, devido à escassez de recursos financeiros para a aquisição de insumos.

A pesca artesanal, em que se destaca o município da Cameia, com uma estimativa de produção de cerca de 300 quilogramas, está com poucas condições logísticas, sendo o pescado vendido por via informal e com controlo sanitário inadequado.

No âmbito da estratégia de implementação da aquicultura, para se atingir as metas estipuladas no Plano Nacional de Desenvolvimento (PND)/2018-2022, o sector das pescas controla 360 tanques povoados de alevinos (peixes recém saídos do ovo).
O director do Gabinete Provincial da Agricultura e Pescas defendeu que os municípios devem gizar estratégias para potenciar os pescadores, a fim de melhorarem e aumentar as capturas nos rios e lagos que abundam na região.

A actividade enquadra 34 piscicultores individuais, nove associações, perfazendo 281 associados. Esta produção é notória nos municípios do Moxico, Camanongue, Luau, Alto Zambeze e Bundas, mas os níveis de captura estão aquém do desejável, devido à dificuldades várias, desde a falta de formação, de ração e de um centro de apoio a alevinos.

Para fazer face à provável insegurança alimentar que ameaça a região, o director da Agricultura sugeriu ao ministério de tutela que se priorize a criação de projectos capazes de contornar os efeitos nefastos das calamidades naturais (seca, inundações, ventos fortes, entre outros).

Sem revelar a actual capacidade de produção agrícola da província, Augusto da Silva adiantou que só no termo do recenseamento Agro-pecuário e Pesca (RAPP), actualmente em curso, o sector poderá aferir com mais propriedade o que existe (quantidade, onde estão e com quem estão).

Disse que só a injecção de novo capital possibilitará a inversão do actual quadro, para que os grandes empreendimentos criados na província consigam exercer a sua função social: dar empregos e produzir alimentos.

Empreendimentos falidos

Projecto agro-pecuário de Sacassange - Desenhado em 2010, no âmbito da diversificação da economia, para produzir hortofrutícolas para os mercados do Moxico, Lunda Sul e Lunda Norte, o empreendimento previa também cultivar hortícolas para exportar para os países vizinhos, principalmente a Zâmbia, com a finalidade de captar divisas para o país.

Com uma área de 10 mil hectares, dos quais apenas 2,5 hectares foram explorados, e com produção a base de estufas, o projecto contava com uma área fabril de produção de ração animal, matadouro, aviário, currais e estábulos para a criação de suínos e caprinos.

A fazenda Sacassange chegou a empregar 65 trabalhadores, sendo 15 do sexo feminino, e colhia entre 250 a 300 toneladas de hortícolas, sobretudo pepino, tomate, cebola, alho, beringela, couve, alface, couve, batata e oleaginosas.

Tinha uma capacidade de produção de nove mil ovos por dia e possuía quatro naves, uma para a criação de pintos e três para a produção de ovos, contando, até à data do seu encerramento, com doze mil aves.

A produção real da fazenda, embora em regime experimental e de estudos de viabilidade, começou em 2013, altura em que foram colhidas 120 toneladas de tomate, pepino, beringela, cenoura, couve e alface.

Fazenda Agro-Industrial de Camaiangala - Localizada no município de Camanongue, 62 quilómetros a norte da cidade do Luena, esta fazenda possui uma área de 18.622 hectares. Foi criada para substituir a importação de fuba de milho para a província do Moxico.

Detentor de dois tipos de solos (argiloso e arenoso) profundos e adequados para a agricultura, a fazenda cultivou cerca de 950 toneladas de milho e soja, numa área de mil e 917 hectares, durante a campanha agrícola de 2016/17.

A unidade agrícola previa a criação de porcos e uma pequena fábrica de alimentos, oficinas de abate e salas de refrigeração de carne.

Camaiangala tem uma estação de bombeamento com uma capacidade de 2,90/ha, suportada pelo Cassai, canal de entrada que alimenta oito pivôts centrais, com uma cobertura de 400 hectares.

A base principal da fazenda de Camaiangala tem 3,300 metros quadrados de espaço residencial, incluindo um bongalô, dormitórios, restaurante e escritório, bem como 5.900 metros quadrados de armazéns industriais e edifícios, incluindo viveiros de porcos.

A fazenda possui um conjunto de material circulante (tractores, ceifeiras e pulverizadores), assim como tractores auxiliares, camiões de construção e rolos niveladores.

Reabilitação do Perímetro Irrigado do Luena - Visava revitalizar o antigo Pomar do “Luso”, que era o maior fornecedor de fruta no mercado da cidade e a indústria produtora de licores que existia.

Gerido através do “Projecto Luena - Rega”, o Perímetro Irrigado do Luena foi inaugurado em 2011, compreendendo uma área de mil e 710 hectares e um canal de irrigação.

Dos seus 27 quilómetros de extensão, 17 foram explorados com a implementação da piscicultura, agricultura e fruticultura.

Situado a sudoeste da cidade do Luena, o Perímetro Irrigado do Luena tinha sido recuperado, numa iniciativa dos Ministérios da Agricultura e da Economia, no âmbito da erradicação da pobreza e combate à fome. Empregava 20 trabalhadores, número que esperava aumentar progressivamente.

Além da plantação de eucaliptos e acácias, a iniciativa, que congregava mais de 30 pequenos agricultores, incluía o cultivo de cerca de 100 mil toneladas de produtos diversos, principalmente, milho e frutas.

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