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26 Agosto de 2019 | 11h01 - Actualizado em 26 Agosto de 2019 | 18h53

Japão reafirma parceria com africanos

Yokohama (Dos enviados especiais) - O Japão vai reafirmar nos próximos dias o seu interesse de reforçar a parceria estratégica com os países africanos, quando acolher, de 28 a 30 de Agosto, a 7ª Conferência Internacional de Tóquio para o Desenvolvimento de África (TICAD7).

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Torre Landmark, edifício mais alto do Japão, situado em Yokohama

Foto: Agostinho Kilemba

As relações de cooperação entre japoneses e africanos remontam aos anos 50, mas só ganharam dinamismo e intensidade nos últimos 26, com a institucionalização da TICAD, evento que tem permitido a aproximação nipónica ao "continente berço".

Com esse fórum, o Japão pretende ajudar a tornar sustentável o crescimento económico de todos os países com os quais mantém relações, nas próximas décadas, apostando na construção de infra-estruturas de qualidade e na formação de recursos humanos.

Foi a pensar nessa aposta que durante a TICAD VI, realizada em 2016, no Quénia, o Japão anunciou um investimento de cerca de USD 30 mil milhões, em três anos (2016-2018), em projectos público-privados para assegurar o futuro sustentável de África.

A título ilustrativo, o Japão apoia actualmente em África, no quadro da TICAD, a construção de infra-estruturas e projectos agrícolas em Angola, no Senegal, Quénia, na África do Sul, em Moçambique, Cabo Verde, no Rwanda e Madagáscar.

Esse apoio representa um estímulo para o desenvolvimento do continente africano que, segundo dados do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), duplicou o seu Produto Interno Bruto (PIB) nos últimos dez anos, com um crescimento médio anual de 5 por cento.

O Japão investiu 23,3 biliões de ienes (USD 221 milhões e 290 mil) em formação de recursos humanos, incluindo formação profissional para mais de 16 mil pessoas em vários países africanos, desde 2016.

O "gigante asiático" investiu outros 152,6 biliões de ienes (USD 1,4 mil milhões) em apoio humanitário para o desenvolvimento na região de Sahel, desde 2013.  

Em Angola, o Japão tem participação no projecto de reabilitação e expansão do Porto Comercial do Namibe e do terminal mineiro de Saco-Mar, que permitirá ao país voltar a exportar o minério de ferro da Jamba Mineira, província da Huíla.

Também está presente no sector das telecomunicações, tendo assegurado, em Março de 2016, um financiamento para a Angola Cables S.A, através do Banco Japonês para Cooperação Internacional (JBIC), assente na aquisição de equipamentos e serviços de empresas japonesas (NEC, OCC).

Isso serviu para a execução do projecto de instalação de cabo submarino óptico no Atlântico Sul.

Outro sector com presença notória dos japoneses é o têxtil, em que financiaram USD mil milhões na reabilitação das três indústrias em Angola, designadamente a Satec, na província do Cuanza Nortes, Textang II, em Luanda, e a Alassola, em Benguela.

Além destes sectores, os nipónicos também participam activamente no processo de desminagem, apoiam projectos na agricultura, formação profissional e saúde, como a reabilitação do Hospital Josina Machel, em Luanda.

Por sua vez, no Senegal o Japão apoia um projecto agrícola de produção de arroz, desenvolvido nas margens do Rio Senegal, em Podor.

O projecto aposta na transferência de tecnologia e na formação dos produtores locais, tudo em prol das boas prestações e da autonomia dos beneficiários, a longo prazo.

Pelo menos 600 pessoas trabalham na produção de arroz, num terreno com 700 hectares, um projecto que tem permitido melhorar a eficácia e a qualidade da produção.

Entre 2010 e 2014, foram instalados, por exemplo, sistemas de irrigação mais eficazes, o que permitiu melhorar os métodos de cultivo.

A produção nos campos de arroz passou de quatro para sete toneladas por hectare, sendo que os rendimentos dos produtores aumentaram cerca de 20 por cento.

Além de produzir mais, as tecnologias utilizadas permitem produzir melhor, possibilitando que o arroz seja mais valorizado pelo consumidor local, o que leva a uma redução das necessidades de importação.

Na África do Sul, mais especificamente no sector mineiro, a Corporação Nacional de Óleo, Gás e Metais do Japão (JOGMEC) tem realizado, desde 2009, o projecto conjunto de exploração de metais do grupo platina na África do Sul.

No Quénia, construiu uma fábrica de fertilizantes e outras para geração de energia eléctrica, sobretudo a energia de origem geotérmica. Grande parte das plantas de geração de energia neste país da África oriental contou com o concurso do Japão.

Ainda no quadro da parceria estratégica com África, está em curso em Moçambique o projecto de infra-estruturas ferroviárias e portuárias, no corredor de Nacala.

No Madagascar, o Japão está a apoiar um projecto de produção de arroz em grande escala, e hoje o país dispõe de uma produção anual de quatro milhões de toneladas.

Com base no apoio japonês, o Rwanda vive hoje uma revolução no sector das tecnologias de comunicação e informação, e forma milhares de jovens neste domínio.

Com o Quénia assinou o Acordo de Investimento Bilateral (BIT) em Agosto de 2016. 

Actualmente, o Japão negoceia com países como Argélia, Angola, Costa do Marfim, Gana, Marrocos, Tanzânia e Zâmbia para a assinatura do BIT, a fim de proteger e promover o investimento.

Em Abril de 2017, o Japão enviou uma delegação de negócios público-privados para o Quénia, na qual 65 empresas, incluindo japonesas, visitaram a área prevista para o desenvolvimento do Porto de Mombaça e da Zona Económica Especial de Mombaça.

Além disso, em Maio de 2017 o Japão enviou a 10ª delegação público-privada para a promoção de comércio e investimento em África, especificamente para Marrocos e Nigéria, que contou com a participação de 16 empresas privadas.

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