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03 Outubro de 2019 | 22h29 - Actualizado em 03 Outubro de 2019 | 22h28

Empreiteira CR20 garante operacionalidade total da linha férrea do CFB

Lobito - Os mil 344 quilómetros de linha férrea entre o Lobito e o Luau estão preparados para atender o fluxo de passageiros e mercadorias durante os próximos anos, afirmou hoje, quinta-feira, o director-geral da CR-20, empreiteira chinesa que executou as obras de reabilitação e modernização do Caminho de Ferro de Benguela (CFB).

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Linha ferroviária já recebeu comboio de turistas

Foto: David Dias

Comboio do CFB

Foto: cedida pela fonte

Han Shu Chen, que falava na cerimónia de recepção definitiva das obras de reabilitação e modernização do CFB por parte do Ministério dos Transportes, realizada na estação de passageiros de primeira classe do Lobito, garantiu que a linha férrea está totalmente operacional, 10 anos depois da intervenção a cargo da empresa China Railway – 20, também conhecida como CR-20.  

O director-geral daquela firma do gigante asiático descreve a recepção definitiva da reabilitação do Caminho de Ferro de Benguela como momento histórico, enquanto o povo chinês está a celebrar o 70º aniversário da fundação da República Popular da China, assinalado a 1 de Outubro.

Para o responsável chinês, o CFB virou um corredor internacional que liga dois oceanos, nomeadamente o Índico e o Atlântico, e atrai a atenção de toda a África, depois que, em Julho deste ano, o comboio de luxo do operador turístico sul-africano Rovos Rail partiu da Tanzânia atravessando a Zâmbia e República Democrática do Congo até chegar ao Lobito.

“Este troço ferroviário foi o mais confortável e seguro do comboio turístico. Isto já comprova que a linha está em condições para ser entregue ao governo angolano”, acredita Han Shu Chen, que até se gaba de que esta linha férrea do CFB está a carregar a “inteligência e a esperança” do povo chinês e angolano, sendo um símbolo da amizade entre os dois países.

Diz, todavia, estar feliz por ver a qualidade do transporte ferroviário do CFB e os benefícios trazidos para as populações, nomeadamente na melhoria do nível de vida das pessoas, a circulação de produtos agrícolas e a prosperidade de projectos de negócios ao longo da linha.

Também destacou o facto de a CR-20 ter sido a primeira empresa chinesa recebida pelo Presidente da República, João Lourenço, em Outubro de 2018, durante a sua visita oficial à China, como reconhecimento pela obra do CFB, iniciando assim uma nova página para o desenvolvimento daquela construtora em Angola.

Manutenção assegurada

Apesar de a linha já ter sido entregue às autoridades angolanas, Han Shu Chen assegura que a empreiteira chinesa vai continuar a prestar assistência técnica nos trabalhos de manutenção, garantindo assim a segurança e a operacionalidade da linha, em conjunto com o CFB, para beneficiar o povo angolano.

“Depois da entrega definitiva da linha, não vamos sair do CFB. Ainda temos equipas permanentes ao longo da linha para os trabalhos do CFB, mas ao mesmo tempo é muito importante iniciar o processo da manutenção”, disse, garantindo que, embora longa, o tempo de vida útil desta linha depende da sua manutenção, tal como os sistemas de controlo e comunicação.

60 mil angolanos e três mil chineses na obra

Durante os 10 anos da empreitada, mais de três mil funcionários chineses e 60 mil construtores angolanos estiveram envolvidos na obra.

O gestor da CR-20 em Angola até ressalta a dedicação para que a obra fosse concluída com sucesso, mas se lembra das várias dificuldades enfrentadas, como desastres naturais, doenças e escassez de recursos. 

Segundo ele, os resultados da obra são admiradores, não obstante ter sido pago um preço muito alto, já que 31 funcionários chineses e dois angolanos perderam a vida nestes 10 anos.

“Mas com esta contribuição e empenho do povo, é que conseguimos a amizade e a cooperação entre a CR-20 e Angola”, referiu. E finaliza: “Queríamos pegar o comboio do desenvolvimento de Angola e se unir com o povo angolano para um futuro mais próspero”.

Transferência de responsabilidade

Já o director do Instituto Nacional dos Caminhos de Ferro de Angola (INCFA), Ottoniel Daniel, um dos signatários do termo de recepção definitiva da obra de reabilitação e modernização do Caminho de Ferro de Benguela, explicou estar assim transferida para o dono da obra a responsabilidade de toda a infra-estrutura reabilitada e modernizada.

Trata-se nomeadamente da plataforma de via, pontes, passagens hidráulicas, edifícios de estações, apeadeiros, sistemas de telecomunicação e sinalização, sistemas de electricidade e água, em toda a extensão da linha férrea.

Segundo aquele responsável, a qualidade do projecto foi aprovada e os resultados dos testes aos equipamentos comprovaram estarem em condições de satisfazer os requisitos internacionalmente exigidos nas operações e circulação ferroviário.

Testemunhado pelo vice-governador provincial de Benguela para os Serviços Técnicos e Infra-estruturas, Leopoldo Muhongo, o termo de recepção definitiva das obras de reabilitação e modernização do Caminho de Ferro de Benguela, lavrado em língua portuguesa e chinesa, foi assinado pelo director do INCFA, Ottoniel Daniel, pelo presidente do Conselho de Administração do CFB-EP, Luís Teixeira, e pelo empreiteiro China Railway CR20, Han Shu Chen.

Depois de uma destruição total provocada pela guerra, os comboios do CFB voltaram, em 2015, a circular do Lobito ao Luau, quase 30 anos depois. Tal só foi possível graças à reabilitação e modernização do Caminho de ferro de Benguela, uma empreitada de grande envergadura que o governo adjudicou, em Janeiro de 2006, à construtora CR-20, com um custo estimado em 1,8 biliões de dólares norte-americanos financiados por uma linha de crédito da China.

Com uma extensão de 1344 quilómetros do Lobito ao Luau e 67 estações e apeadeiros entre as províncias de Benguela, Huambo, Bié e Moxico, o CFB tem actualmente 48 locomotivas adquiridas à multinacional norte-americana General Electric (GE Transportation) e 66 carruagens, entre a 1ª, 2ª e 3ª classes.

Quando funcionar em pleno, prevê-se o transporte de 20 milhões de toneladas de carga diversa e de quatro milhões de passageiros por ano.

A linha férrea do lado da RDC encontra-se reabilitada entre a Ponte (P.K.1344, 310), fronteira com Angola e a estação de Dilolo.

O município do Luau é a última estação do CFB em Angola e está interligado com a rede ferroviária da República Democrática do Congo.

O comboio do CFB pode atingir até 90 quilómetros por hora.

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