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15 Janeiro de 2020 | 16h56 - Actualizado em 16 Janeiro de 2020 | 11h43

Endiama negoceia regresso da De Beers ao país

Luanda - A Empresa Nacional de Diamantes de Angola (Endiama) está a negociar o regresso em Angola da De Beers e a entrada da Rio Tinto, maiores empresas mineiras do mundo, anunciou o presidente do conselho de administração da empresa diamantífera angolana, Ganga Júnior.

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Diamantes

Foto: Pedro Parente

O gestor, que falava em entrevista ao Jornal de Angola, publicada na sua edição de hoje, reconheceu a importância do estabelecimento  dessas empresas no país para apoiar o sector nacional, ganhar dinheiro, assim como elevar a fasquia em termos de produção.

Disse ser  uma mais-valia essas multinacionais entrarem no processo de privatização da Endiama, frisando que “com a De Beers, temos estado a falar. Já esteve presente em Angola, é um parceiro antigo e tem interesse em regressar”.

Por outro lado, disse que a Endiama pretende entrar na bolsa de valor em 2022, o que significa ter transparência absoluta, as contas  abertas e sem relatórios de gestão cheios de reservas.

”Tem de haver transparência mesmo. Se este é o nosso objectivo, então os problemas devem estar resolvidos até 2022", salientou Ganga Júnior, explicando que o importante é que a entrada da Endiama na bolsa não vai pressupor a perda do controlo da parte do Estado.

Na entrevista ao Jonral de Angola, afirmou que ainda não está definida taxativamente a percentagem a libertar, mas disse que tudo aponta para que o Estado continue a deter uma participação não inferior a 70 por cento do capital.

Em relação ao desempenho da empresa, lembrou que em 2017 as contas apontaram para um prejuízo, mas em 2018 o quadro foi invertido e o lucro foi de cerca de sete mil milhões de kwanzas que, na altura, correspondiam a cerca de 22 milhões de dólares.

Para 2019, disse, a estratégia foi manter mais ou menos esta linha de resultados positivos, embora fosse um ano extremamente difícil, de investimentos na ordem dos 90 milhões de dólares (com recurso a fundos próprios).

“Estamos a criar condições para termos uma Endiama mais forte”, garantiu o gestor.

Quanto aos projectos que estão gerar lucros, referiu que o Chitotolo passou por uma mudança radical e está a andar bastante bem, ao passo que o Somiluana também teve uma grande mudança positiva, bem como o Uari.

Disse, porém, que no Cuango a empresa não conseguiu superar a onda do fraco desempenho, tendo registado um prejuízo de cerca de cinco milhões de dólares, pese embora a tendência para 2020 seja a de o Cuango regressar aos lucros.

“O Luó vinha com prejuízos acumulados e, infelizmente, quanto mais trabalhasse, maior era o nível de endividamento. Neste momento, está em recuperação”, enfatizou, acrescentado que Catoca, o quarto maior projecto diamantífero do mundo a céu aberto, continua bem.

Segundo Ganga Júnior, o Relatório e Contas de 2018 mostrava um activo corrente (cerca de 34 mil milhões de kwanzas), mais baixo do que o passivo corrente (cerca de 39 mil milhões de kwanzas) e um fundo de maneio negativo nos últimos três anos, ainda que em recuperação.

“A estratégia é trabalhar e proceder ao saneamento financeiro da empresa. Devo referir que a própria Endiama estava com um nível de endividamento superior a 500 milhões de dólares. Esta dívida deve ser saneada. Não estamos perante uma situação de falência técnica. Até porque devo referir que temos reservas provadas de diamantes de quase mil milhões de quilates”, sublinhou.

O presidente do conselho de administração da Endiama falou também dos projectos em curso que vão permitir ao país aumentar a produção, como a mina de Luaxe, irmão de Catoca, por possuir as mesmas características.

Afirmou tratar de um projecto em fase de conclusão da investigação geológica, sendo a meta da Endiama para este ano criar condições para que em 2021 o Luaxe possa entrar na fase de produção-piloto.

“A qualidade dos diamantes é razoável, mas a mina tem problemas técnicos que são desafiantes e significativos, nomeadamente a questão das águas. Ainda requer algum tempo para resolver, porque teremos de fazer um enorme desvio do rio”, esclareceu.

Explicou que enquanto decorrem os estudos complementares, a intenção é construir uma estrutura de tratamento e de produção experimental, para que em 2021 haja uma produção de, pelo menos, quatro milhões de quilates.

“Enquanto isso, vamos criar condições para, no futuro, termos uma estrutura mais ou menos semelhante à do Catoca, que produz oito a dez milhões de quilates por ano”, disse.

Em relação ao desafio de tornar a Endiama numa empresa de referência mundial, salientou que para serem bons produtores de diamantes, naturalmente, devem incidir a sua actuação na produção.

Lembrou que quando assumiu a gestão da Endiama, esta firma pública detinha apenas participações em empresas mineiras, sem  operatividade mineira directa.

"Apenas em 2019 a empresa começou a ter actividade mineira directa. Neste momento, estamos em dois projectos. Estamos a revitalizar o antigo projecto Luó, que foi reestruturado e agora chama-se Lunhinga. O Luó estava com uma situação económico-financeira dramática, com um elevado nível de endividamento (superior a 500 milhões de dólares) e em situação de falência técnica”, disse.


 

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