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28 Março de 2020 | 11h46 - Actualizado em 28 Março de 2020 | 11h45

Pescadores do Lobito Velho vivem momentos difíceis

Lobito - Pescadores artesanais da zona do Lobito Velho, na província de Benguela, estão a viver dias difíceis devido ao fraco nível de captura nas suas áreas tradicionais de pesca, apurou a Angop.

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Peixe cada vez mais difícil no mar de Benguela (arquivo)

Foto: Rosario dos Santos

Numa ronda efectuada recentemente pela Angop, àquela zona, pescadores e armadores foram unânimes em denunciar que, além da situação climatérica, uma das principais razões da baixa captura é a entrada de barcos clandestinos com capacidade acima de 100 toneladas nas suas áreas de pesca, com fins inconfessos.

Segundo eles, estes barcos chegam mesmo a apagar as luzes de navegação nas áreas proibidas para não serem detectados.

Frederico Tavares, um jovem mestre de 35 anos, revelou que muitas vezes informam a fiscalização que, por sinal, tem um posto naquele bairro, mas estes alegam nunca terem visto nenhuma destas embarcações.

Em função da falta de pescado no perímetro Lobito, Benguela e Baía Farta, os pescadores são obrigados a ir a procura do peixe na vizinha província do Cuanza Sul.

“Há dois anos atrás, bastava chegar a Hanha ou ao Egipto Praia, tínhamos trabalho garantido. Hoje em dia temos de navegar ate ao Kikombo (Cuanza Sul)”, lamentou.

Em relação as capturas, o mestre Tavares, conforme é conhecido entre os seus colegas, lembrou que em 2017 as embarcações traziam 20 a 30 toneladas de vários tipos de peixe, com destaque para a sardinha, carapau, cavala e cachucho, ao passo que, actualmente, fazem grandes sacrifícios para conseguir pescar uma tonelada de espécies diversas.

“Às vezes somos obrigados a permanecer três a quatro dias no mar até apanhar alguma quantidade que justifique o regresso à casa”, sublinhou.

Para facilitar a estadia no mar, têm de reforçar a comida, o combustível, sal e gelo.

Outro mestre, Joaquim da Costa, com 42 anos nesta actividade, lamentou o facto de ter de violar as duas milhas permitidas para pescar, deslocando-se até 68, só para conseguir apanhar algum peixe.

“Antigamente, saíamos às 21 horas, num barco com 10 a 12 pescadores, para voltar no dia seguinte, porque bastava navegar cinco milhas e já estávamos em cima do cardume”, relevou o velho capitão.

A falta de peixe no mar, acrescida do preço do combustível, da comida e dos materiais de pesca, encareceu a venda do pescado em terra.

Há dois anos, o quilo de carapau custava 200.00 kwanzas, hoje está a 1.200.00 kz, a caixa de sardinha que custava 5.000.00 kz, compra-se actualmente a 25.000.00 kz.

Quanto a segurança, não tem havido razões de queixa, porque as embarcações, antes de serem lançadas ao mar, são inspeccionadas, tanto fisicamente como em termos de documentos.

Por sua vez, o presidente da Associação dos Pescadores do Lobito Velho, António Cordeiro, afirmou essa instituição foi constítuída em 2001, mas encontra-se inoperante por razões conjunturais.

Questionado sobre o recém inaugurado Centro de Apoio à Pesca Artesanal, confirmou que foi contactado pelo administrador comunal do Egitpo Praia, José Manuel Faria.

Segundo ele, os pescadores estão interessados, principalmente na conservação do peixe e na aquisição do gelo, mas o único transtorno é o acesso das suas embarcações, devido a turbulência das águas por causa da foz do rio Balombo.

O presidente não precisou o número actual de pescadores artesanais do Lobito Velho, por alguns não estarem filiados na Associação, mas adiantou que estão controladas cerca de 345 embarcações, sendo na sua maioria de pesca de cerco.

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