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06 Abril de 2020 | 16h42 - Actualizado em 06 Abril de 2020 | 18h21

Operadores piscatórios apontam causas da baixa captura

Benguela - A escassez de peixe no mar de Benguela deve-se fundamentalmente à má gestão dos recursos marinhos em anos anteriores, considerou hoje, segunda-feira, a presidente da Associação local dos operadores do sector, Jinofla Viegas.

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Benguela: Presidente da Associação dos operadores de Pesca, Jinofla Viegas

Foto: António Lourenço

Peixe Sardinha, vulgarmente conhecido como lambula

Foto: Rosario dos Santos

Segundo a também gestora da pescaria "Vimar e Filhos", as mudanças climáticas também influenciam negativamente na reprodução do pescado.

Jinofla Viegas disse que os operadores semi-industriais têm de ir para lá da Lucira, na província do Namibe, pescar, quando antes o faziam há duas horas de navegação (ainda em Benguela).

A Vimar possui actualmente oito barcos com capacidade de capturar 60 toneladas cada, que actualmente pescam mais espécies pelágicas, a sardinha e o carapau.

“O carapau vai aparecendo cada vez menos, pelo que é necessário que as autoridades continuem com medidas firmes para protecção dessa espécie no país, assim como também os operadores do sector são chamados a agir com responsabilidade, respeitando as quantidades e os períodos para sua captura”, disse.

Sobre o perigo da pesca de arrastão, a líder associativa disse que a nível de Benguela já não se verifica com frequência, em função das medidas de fiscalização adoptadas pelo ministério das Pescas.

Ainda assim, referiu, os operadores do sector piscatório da Baía Farta garantem cerca de 70 por cento do pescado produzido no país, algum do qual também chega ao mercado da RD Congo.

Já David Bernarda, director executivo da empresa "Alva Fishing", apontou as condições climatéricas, a falta de oxigénio no mar, como estando na base da escassez de pescado.

Segundo o responsável, os barcos têm de se deslocar cada vez mais distante, a sul da província de Benguela, já nas águas do Namibe, para conseguir pescar.

“Se antes os nossos barcos levavam algumas horas para capturar o pescado, actualmente levam de 24 a 48 horas para conseguirem as quantidades desejadas”, disse. A Alva Fishing opera actualmente com três barcos de 40, 30 e 20 toneladas, respectivamente.

Pesca artesanal, a mais sacrificada

Pescadores e armadores da zona do Lobito denunciaram recentemente à Angop que, além da situação climatérica, uma das principais razões da baixa captura é a entrada de barcos clandestinos com capacidade acima de 100 toneladas nas suas áreas de pesca, com fins inconfessos.

Segundo eles, estes barcos chegam mesmo a apagar as luzes de navegação nas áreas proibidas para não serem detectados e praticam pesca de arrastão.

Frederico Tavares, um jovem mestre de 35 anos, revelou que muitas vezes informam a fiscalização que, por sinal, tem um posto naquele bairro, mas estes alegam nunca terem visto nenhuma destas embarcações.

Em função da falta de pescado no perímetro Lobito, Benguela e Baía Farta, os pescadores são obrigados a ir a procura do peixe na vizinha província do Cuanza Sul.

“Há dois anos atrás, bastava chegar à Hanha ou ao Egipto Praia, tínhamos trabalho garantido. Hoje em dia temos de navegar até ao Kikombo (Cuanza Sul)”, lamentou.

Dados do sector provincial das Pescas e do Mar indicam que, em 2019, Benguela capturou 75 mil toneladas de pescado. A província tem duas mil e 44 pequenas embarcações que se dedicam a pesca artesanal e cerca de 40 (de maior dimensão) que praticam a pesca semi-industrial.

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