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28 Maio de 2020 | 14h49 - Actualizado em 28 Maio de 2020 | 15h18

EKA deixa de produzir em Junho

Dondo - A empresa Cervejeira EKA, situada no Dondo, município de Cambambe, província do Cuanza Norte, pondera suspender a produção a partir do mês de Junho deste ano, devido ao aumento dos custos operacionais.

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Unidade de enchimento de Cerveja na Fábrica da EKA

Foto: Diniz Simão

A paralisão da produção da cervejeira, segundo o seu director-geral, Marc Mayer, que falava hoje, quinta-feira, à ANGOP, poderá mandar ao desemprego 147 trabalhadores.

O responsável revelou que a empresa enfrenta "enormes" problemas de tesouraria, agravados pelas dificuldades de aquisição de matéria-prima e peças sobressalentes para a manutenção.

Os gastos, com a aquisição de matéria-prima e peças sobressalentes, disse, consomem, no total, 70 por cento das receitas da empresa, sem avançar dados da facturação, situação que implicou a redução significativa do volume de produção.

Conforme o responsável,  devido a esta realidade, o remanescente das vendas da empresa reverte-se apenas para o pagamento de impostos e salários dos trabalhadores, razão que provocou a decisão da paralisação das suas actividades.

Explicou que neste momento a empresa labora com 197 trabalhadores, dos quais 147 serão despedidos por via da cessação dos contratos firmados por tempo limitado, e 50, com contratos por tempo indeterminado, poderão permanecer para assegurar a manutenção dos serviços mínimos da empresa.

Fez saber que, após o seu encerramento, a empresa será transformada em entreposto comercial dos produtos do grupo Castel, como as marcas de cerveja Soba Catumbela, Cuca e a Cobeje.

Há dois anos, a cervejeira registou uma baixa de 40 por cento nos níveis de produção, em consequência da desactivação, em Junho de 2019, da sua primeira linha de enchimento, devido ao estado absolecto do equipamento.

Em decorrência da paralisação da linha fabril, a empresa reduziu a sua capacidade de produção de 55 mil litros de cerveja por hora para os actuais 27 mil litros/hora.

Apesar disso, os níveis de produção continuaram a baixar, face aos custos operacionais.

Inaugurada em 1972, a EKA beneficiou, em 2008, de um investimento de 30 milhões de dólares, que permitiu a modernização da unidade fabril através da instalação de uma segunda linha de enchimento, com um sistema moderno e automatizado.

Uma fonte da comissão sindical da EKA, contactada pela ANGOP, reconheceu que os resultados do investimento realizado foram pouco satisfatórios devido aos compromissos com os fornecedores integrados na cadeia de produção de cerveja.

Acrescentou que outro factor que tem estado a prejudicar a unidade fabril se prende com os altos rendimentos em forma de dividendos, distribuídos aos demais accionistas da empresa.

A fonte receia que a medida adoptada pelo grupo Castel Angola, maior accionista da EKA, vise pressionar o Estado, enquanto membro da estrutura accionista, a acelerar o processo de privatização da empresa.

Na EKA, a Castel Angola detém 46 por cento das acções, enquanto o grupo de entidades privadas agrupam 50 por cento e o Estado com os restantes quatro.

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