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12 Setembro de 2020 | 09h27 - Actualizado em 12 Setembro de 2020 | 12h36

MOSAP II: "um verdadeiro amigo" no combate à fome

Cuito - O Projecto de Desenvolvimento da Agricultura Familiar e Comercialização (MOSAP), em implementação na província do Bié, desde 2011, constitui um ''amigo incansável'' no combate à pobreza e redução significativa da fome na região centro-sul do país.

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Camponeses apostam no milho

Foto: Leonardo Castro

Bié: Agricultura ensaia novas técnicas no cultivo do arroz (arq)

Foto: Angop

(Por Jilmar Enoque Chitondua, Jornalista da ANGOP)

Na sua segunda fase de implementação, a decorrer desde 2018 e vai até 2021, o MOSAP prevê investir mil milhões de kwanzas, em 102 sub-projectos agrícolas, em sete dos nove municípios da província do Bié, designadamente Cuito, Camacupa, Catabola, Chitembo, Andulo, Cuemba e Nhârea.

Os municípios do Cunhinga e Chinguar estão fora desta fase, por terem sido beneficiados na primeira fase de implementação do projecto, que decorreu no período de 2011 a 2017.

De 2018 a presente data, cerca de 500 milhões de kwanzas foram já aplicados em sub-projectos ligados preparação de solos, distribuição de sementes e fertilizantes, construção e reabilitação de sistemas de irrigação, aquisição de juntas de tracção animal, entre outros.

Os restantes 500 milhões de kwanzas serão aplicados, até 2021, em outros sub-projectos, nomeadamente no apoio às 200 Escolas de Campo existentes, construção de moagens, recuperação e construção de condições de stock de milho, feijão, mandioca, soja, tomate, repolho, couves, cebola, cenoura e pimento.

O MOSAP, em 2019, capacitou 4 mil e 200 produtores, sendo 3 mil e 600 agricultores e 600 pequenos produtores, que têm agora conhecimentos técnicos e científicos de como desenvolver actividade agrícola, visando o combate à fome e à pobreza no seio das famílias.

Quando o MOSAP começou, em 2011 e com duração de seis anos, foram investidos cerca de 50 milhões de Dólares, no fomento da produção agrícola, essencialmente nos municípios do Andulo, Catabola, Camacupa, Chinguar e Cunhinga.

O projecto foi criado para melhorar a segurança alimentar e reduzir a pobreza nas zonas rurais, através da prestação de melhores serviços e apoio ao investimento no campo.

A implementação do MOSAP I permitiu apoiar 31 técnicos da Estação de Desenvolvimento Agrário (EDA), assim como a formação em liderança e organização comunitárias de 162 associações.

Foram ainda formadas em agro-técnica nas culturas de milho, feijão e batata rena 74 associações, enquanto 61 facilitadores receberam formação em metodologias de escola de campo, além da formação de 17 alfabetizadores e 29 cooperativas agrícolas.

Permitiu igualmente o financiamento de 88 projectos, sendo 33 de mecanização, 30 de tracção animal e 25 moagens, assim como a aquisição de 137 toneladas de fertilizantes, que beneficiaram 4 mil 342 pequenos produtores.

Com a implementação da primeira fase do projecto, os rendimentos por hectare na produção de milho passaram de 400 para 700 quilogramas, da batata rena de quatro para sete toneladas e da mandioca de 11 para 17 toneladas.

Estão envolvidos na implementação do projecto, para além do Governo Angolano, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) e outros parceiros.  

Impacto do projecto

O director provincial da Agricultura, Florestas e Pescas, Marcolino Rocha Sandemba, assegura que, com a implementação da segunda fase do MOSAP, mais de 101 mil famílias camponesas têm sido assistidas com gado de tracção animal, semeadores, sementes, charruas, fertilizantes, entre outros bens.

Revela que na campanha agrícola 2019/2020 foram colhidas cerca de 300 mil toneladas de milho, mil 185 de arroz, 109 mil de leguminosas e as outras milhares de mandioca, batata rena e batata doce.

No total, precisa, foram colhidas cerca de 800 mil toneladas de produtos diversos, produzidos em aproximadamente 400 mil hectares, tendo destacado ainda a produção de 184 toneladas de café, nas localidades do Andulo e Nharea.

O governador da província do Bié, Pereira Alfredo, garante que, em função das cifras consideráveis registadas, as autoridades decidiram manter a produção de cereais, para aumentar a oferta e reduzir a fome, como prioridade na campanha agrícola 2020/2021.

Para o efeito, cooperativas e associações de camponeses decidiram priorizar o cultivo de milho, trigo e arroz, não só para a província se tornar auto-suficiente, mas também ajudar cada vez mais a minimizar a fome e a pobreza no seio das famílias angolanas.

De acordo com Pereira Alfredo, os camponeses vão receber 200 toneladas de fertilizantes, que estão já a ser recepcionadas do Ministério de tutela.

Por sua vez, o coordenador do MOSAP II no Bié, Guilherme Chivinda, garante que, com a materialização do projecto, a província tem vindo a contribuir para a produção de cereais, em grande escala.  

Afirma ainda que grande parte dos produtos colhidos é também comercializada nas províncias do Huambo, Luanda, Moxico, Cuando Cubango e Benguela.  

Guilherme Chivinda salienta que, para se manter estes objectivos, está em curso a mobilização de mais inputs agrícolas, de modo a possibilitar que os camponeses continuem estimulados no fomento da produção nacional.

O chefe de Departamento do Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA) no Bié, Domingos Fernando Teves, considera “positiva” a materialização do MOSAP II, pelo apoio que presta às famílias camponesas, a quem incentivou a criação de caixas e fundos comunitários, para que sejam auto-sustentáveis.

Ressalta o impacto directo do projecto no aumento da oferta de produtos agrícolas, nos mercados formal e informal, e defende a necessidade do Governo assegurar a continuidade do MOSAP, depois de 2021, assim como a expansão do mesmo aos municípios do Cunhinga e do Cuemba.

Por seu lado, o chefe da Estação de Desenvolvimento Agrário (EDA) do município do Cuito, Francisco Dumbo Elavoko, destaca, entre outras valências do MOSAP II, a criação de sementes diversas e a produção em grande escala de tomate, cebola, cenoura, couves, repolho, pimento e batata rena, permitindo a redução da fome nas famílias.  

Sistemas de irrigação  

Este mês, três valas de irrigação começaram a ser construídas e reabilitadas nos municípios do Cuito, Andulo e Chitembo (província do Bié), no quadro do MOSAP II.  

O coordenador do MOSAP, Guilherme Chivinda, confirma que, com a recuperação e construção dos sistemas, espera-se irrigar mais de 400 hectares, contra os actuais menos de cem, nas áreas abrangidas pelas três valas.  

Segundo Guilherme Chivinda, foi já consignada a obra de reabilitação da vala de irrigação da aldeia de Nguli, a 17 quilómetros a norte da cidade do Cuito, financiada pelo Banco Mundial, num valor de 165 mil 921 dólares. A obra deverá estar concluída em Novembro próximo.  

Sem adiantar o valor orçamentado para as outras duas valas, localizadas nos municípios do Andulo e Chitembo, Guilherme Chivinda salienta que o objectivo da reabilitação é assegurar a produção em grande escala tomate, cebola, alho, repolho, pimento, couves, beterrabas, batata rena e batata-doce.  

Os três sistemas de irrigação vão ajudar as famílias camponesas a “inundarem” os mercados com hortícolas, durante todo o ano, pontualizou Guilherme Chivinda.  

O MOSAP II é um projecto do Ministério da Agricultura e Florestas, implementado pelo Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA), com financiamento do Banco Mundial, e está a ser executado nas províncias de Malanje, Huambo e Bié.  

Tem por objectivo aumentar a produtividade, produção e comercialização de produtos agrícolas, com enfoque para a mandioca, milho, feijão, batatas e hortaliças. Actualmente, o sector da Agricultura no Bié controla oito mil 797 cooperadores, integrados em 245 cooperativas, e 52 mil 892 camponeses associados.  

Conta com um técnico superior e um engenheiro agrário, em cada um dos seus nove municípios. No total estão controlados 20 técnicos superiores, em toda a província do Bié.  

Com um milhão 455 mil 255 habitantes, a província controla mil 321 associações de camponeses e 850 Escolas de Campo, prevendo-se que até 2021 existam mil 360.  

Com uma extensão de 70 mil 314 quilómetros quadrados, a província do Bié produz também soja, gengibre, gergelim, entre outros produtos.  

A faltar menos de um ano para terminar, é consenso das autoridades e dos beneficiários que o MOSAP “continue a ser abraçado e seguido, pelo Executivo”, em benefício das famílias camponesas e como contributo importante à diversificação da economia nacional e a redução da importação de produtos.  

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