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17 Maio de 2015 | 06h29 - Actualizado em 17 Maio de 2015 | 06h29

Benguela: Investigador diz que implementação do acordo ortográfico merece moratória

Benguela - A implementação do acordo ortográficos de 1990 deve merecer alguma moratória, na medida em que o país necessita aumentar as suas infra-estruturas e colocar todas as crianças no sistema normal de ensino, disse Sábado, em Benguela, o investigador em ciências de educação e assessor do ministro da Educação, Filipe N'Zau.

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Arquivo: Filipe N´Zau, Prelector

Foto: Rosário dos Santos

Filipe N'Zau teceu essas considerações durante a conferência sobre a posição de Angola face ao Acordo Ortográfico de 1990 (AO90) e seu impacto no contexto socio-económico, realizada em Benguela, no âmbito da V Feira Internacional que decorre nesta cidade de 13 a 17 deste mês.

O também coordenador adjunto da Comissão da posição de Angola face ao Acordo Ortográfico de 1990 disse que, uma das implicações da inserção desta nova forma de escrever e falar, implicaria a formação de professores e de alunos, isto é, do ponto de vista educativo.

Segundo o prelector do workshop, do ponto de vista económico o governo gastaria com isto mais de 600 milhões de dólares (60 triliões de kwanzas) para a reprodução de manuais escolares em todos os níveis de ensino, sendo do ensino primário ao superior.

“Pede-se ponderação, porque o país precisa aumentar o número de infra-estruturas para albergar as mais de 300 mil crianças que se encontram fora do sistema normal de ensino”, referiu.

Fez saber que, até mesmo em Portugal, o Acordo Ortográfico de 1990 também encontra prós e contras, por isso, outros aspectos a considerar são culturais, pois Angola possui várias línguas étnicas.

Para si, um dos constrangimentos tem que ver com a inexistência do vocabulário ortográfico comum (VOC),  utopia na existência de uma única grafia da língua portuguesa, elevado o número de palavras com dupla grafia, entre outras.

Para tal, acrescentou, são chamados especialistas como linguistas, sócio-linguistas, psicolinguistas, economistas, jornalistas, juristas,   metodólogos, editores,  gráficos e livreiros, para darem o seu contributo para a posição de Angola face ao novo acordo ortográfico, para além da integração de mais ministérios sobre a posição do país.

Referiu que, actualmente, a comissão está constituída pelo Ministério da Educação, Ministério das Relações Exteriores, e Ministério da Cultura.

O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 pretende instituir uma ortografia oficial unificada para a língua portuguesa, com o objectivo explícito de pôr fim à existência de duas normas ortográficas oficiais divergentes, uma no Brasil e outra nos restantes países de língua oficial portuguesa, contribuindo assim, nos termos do preâmbulo do Acordo, para aumentar o prestígio internacional do português.


 

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