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12 Outubro de 2018 | 13h34 - Actualizado em 12 Outubro de 2018 | 13h42

Dom Mata Mourisca aponta educação e saúde como pilares do desenvolvimento

Luanda - O bispo emérito da Diocese do Uíge, Dom Francisco de Mata Mourisca, realçou nesta sexta-feira, em Luanda, a necessidade de o Executivo reforçar as acções destinadas a melhoria dos serviços de saúde e de educação nas comunidades.

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Dom Francisco da Mata Mourisca, Bispo emérito da da Diocese do Uíge

Foto: Lucas Neto

Em entrevista à Angop, o bispo que completa 90 anos de idade e 50 anos no sacerdócio, afirmou que sem uma educação e saúde de qualidade não se pode falar de desenvolvimento sustentável das comunidades, por serem os dois principais eixos que contribuem na formação e garante da saúde das populações.

Dom Francisco de Mata Mourisca adiantou que o Executivo sob liderança do Presidente da República, João Lourenço, deve olhar, principalmente, para a vertente da saúde, aumentando a oferta em termos de unidades sanitárias e medicamentosa, bem como melhorar as condições e humanizar o atendimento dos pacientes.

Relativamente a acção da Igreja Católica nas comunidades, o bispo frisou que tem participado activamente no desenvolvimento sociocultural do país, através dos seus programas de educação, saúde e assistência humanitária.

“No Uíge, por exemplo, construímos escolas do primeiro nível ao ensino médio que facilitou o acesso das  populações rurais ao ensino. Nessa esteira, construímos ainda escolas primárias em todas as missões, uma Escola de Formação de Professores e o seminário, aliás não havia nenhuma outra instituição, nem sequer estatal, que tinha nesta província uma rede escolar comparável à da Igreja Católica a nível liceal”, afirmou.

Sobre o actual momento político e social no país, Dom Francisco de Mata Mourisca considera de esperança por dias e um futuro melhor, tendo em conta os sinais dados pelo Presidente João Lourenço, sobretudo na educação e saúde.  

“É importante que se olhe para a saúde do povo. É um aspecto que merece muita atenção. Em termos de educação as coisas não estão assim tão mal, mas também merecem uma atenção especial”, reforçou.

Em relação ao combate ao fenómeno religioso, Dom Francisco de Mata Mourisca considerou-a acertado, apesar de se tratar de um estado laico, pois na sua visão não se pode permitir que as confissões religiosas continuem a extorquir os fiéis.

“Pelo país temos igrejas que não estão de acordo com a razão, já não digo com a fé. Muitas delas têm vertente comercial e há mesmo necessidade de o Executivo acabar com a acção destas”, reafirmou.

Recordando os anos de vivência em Angola, Dom Francisco de Mata Mourisca considerou ter passado bons e maus momentos.

“Foram anos dolorosos e anos de muita alegria. Os piores foram durante o conflito armado que provocou muito sofrimento nas populações, sendo que algumas das situações só foram ultrapassadas graças aos apoios das Caritas da Itália e da Alemanha que muito ajudaram para atenuar o sofrimento dos angolanos”, asseverou.

O dia mais feliz  da sua vida, segundo o religioso, ocorreu a 22 de Fevereiro de 2002 por altura da assinatura do acordo de paz no Luena (Moxico). “Por tudo o que vivi durante o conflito armado, a confirmação do calar das armas em Angola  tornou-se no dia mais feliz dos 50 anos que passei em Angola”, avançou.

Perfil

Francisco de Mata Mourisca, também chamado José Moreira dos Santos (nome civil), nasceu a 12 de Outubro de 1928, na então freguesia de Mata Mourisca (donde lhe vem o nome), Diocese de Coimbra, Portugal. Filho de Francisco dos Santos e de Deolinda de Jesus Moreira. Foi ordenado sacerdote, no Porto, a 20 de Janeiro de 1952, na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos.

Formou-se em Teologia, na Universidade de Salamanca, Espanha, em 1957. Exerceu vários cargos de responsabilidade, entre os quais o de Ministro Provincial dos Capuchinhos em Portugal.

Nomeado Bispo do Uíje, pelo Papa Paulo VI, a 14 de Março de 1967, foi ordenado a 30 de Abril de 1967, no Porto, como primeiro Bispo da Diocese do Uíje, aonde entrou a 30 de Julho do mesmo ano. Acumulou por algum tempo os cargos de Bispo de Carmona e de Mbanza Kongo, até a criação da actual Diocese de Mbanza Kongo.

Como membro da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) exerceu o cargo de Secretário-Geral e Presidente do Movimento PRO PACE, em cujas funções organizou os dois Congressos Nacionais PRO PACE. Esteve no governo da Diocese durante 41 anos (1967-2008).

É o Bispo Emérito da CEAST que fez mais tempo no episcopado. Foi substituído por Dom Emílio Sumbelelo, como Bispo do Uíje, desde 2008. Ainda como membro da CEAST exerce actualmente o cargo de Presidente da Comissão Episcopal para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso.

Obras publicadas

É autor de vasta obra literária e doutrinal: África Renascida; Amor por Angola; O Escândalo da Justiça; Protagonistas do 3º Milénio; Lágrimas e Sombras: recordação de Angola; Cartas Políticas ou cartas de Amor, entre outros.  

Assuntos Angola  

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