Angop - Agência de Notícias Angola PressAngop - Agência de Notícias Angola Press

Ir para página inicial
Luanda

Max:

Min:

Página Inicial » Notícias » Educação

22 Novembro de 2019 | 00h35 - Actualizado em 22 Novembro de 2019 | 07h37

Investir no educador

Luanda - A educação constitui o pilar fundamental para o desenvolvimento e fortalecimento de qualquer Nação, sendo que, em tese, uma sociedade sem instrução tem tudo para fracassar.

Envia por email

Para compartilhar esta notícia por email, preencha os dados abaixo e clique em Enviar

Corrigir

Para reportar erros nos textos das matérias publicadas, preencha os dados abaixo e clique em Enviar

1 / 1

Governador de Luanda, Sérgio Luther Rescova, visita escolas do ensino secundário (foto ilustração)

Foto: Henri Celso

Crianças na sala de aulas no Lubango

Foto: Clemente dos Santos

(Por Márcia Manaça)

Na verdade, é com o conhecimento científico que se pode moldar um povo e orientá-lo, de forma segura e correcta, para conhecer e interpretar os fenómenos do seu mundo exterior.

Só com educação, uma sociedade consegue criar condições favoráveis para a formação de cidadãos conscientes dos seus deveres, direitos e das obrigações para com o Estado.

Em Angola, a educação é um direito adquirido, plasmado na Constituição, que estabelece a gratuidade até ao ensino primário (da iniciação à 6ª classe).

Apesar de o ensino ser gratuito, ainda é considerável a percentagem de crianças fora da rede escolar, devido à falta de escolas e ao insuficiente número de educadores.

Os dados do Governo indicam que, até ao momento, Angola tem 78 mil professores, para um universo de mais de 10 milhões de alunos na rede pública e privada.

Isso representa um rácio preocupante de aproximadamente 128 alunos por professor, num país em que os índices de analfabetismo ainda são altos (quase 30 por cento).  

Com esses indicadores, é imperioso reflectir-se com urgência sobre a qualidade e os desafios do professor, numa altura em que o país celebra o Dia do Educador (22 de Novembro).

A realidade do dia-a-dia mostra que ser professor em Angola continua a ser uma tarefa "espinhosa", tão enormes são os problemas e desafios da classe.

Em muitos casos, os educadores continuam a debater-se com a falta de condições laborais e, de uma forma global, com um excessivo número de alunos nas salas de aulas.

Para contrapor esses problemas, o Governo tem vindo a investir na construção de novas salas de aulas e contratação de mais docentes, por via de concursos públicos.

Apesar do esforço das autoridades para melhorar o desempenho dos educadores, é cada vez mais evidente a necessidade de reforçar as verbas para o sector da educação.

Afinal, o país precisa de crescer, reencontrar o caminho do desenvolvimento económico e social, metas que só serão atingidas com uma sociedade sã e bem instruída.

Nos últimos cinco anos, o Estado já deu sinais claros nessa direcção, com o reforço gradual da verba relativa à Educação no Orçamento Geral do Estado (OGE).

Na Proposta do OGE 2020 (está em discussão no Parlamento), por exemplo, o Governo propõe-se a atribuir ao sector da educação 71.796.040.822,00 milhões de kwanzas.

Desse montante, 12.972.540.654,00 (18,07 por cento) milhões devem ser gastos com a gestão e formação do pessoal docente.

O reforço das verbas na Educação representa um passo importante para a classe, que, por largas décadas, se viu desvalorizada pela sociedade e, em alguns casos até, marginalizada.   

Atendendo à realidade social do país e à necessidade de se continuar a lutar contra o analfabetismo, o investimento e a formação dos professores deve ser prioridade do Estado.

Não há dúvidas que estamos diante de um grupo social indispensável no processo de formação do homem novo, num país que se quer instruído e à altura dos desafios do futuro.

Esta deve ser a aposta do Ministério da Educação, que precisa continuar a investir na formação de formadores e de docentes, para elevar e melhorar o desempenho dos quadros, com execução dos projectos de Aprendizagem para Todos (PAT) e “Teach”.

Trata-se de dois projectos já em execução, com os quais o departamento ministerial procura melhorar a performance da escola e garantir o aprendizado do estudante.

O objectivo é ter uma rede permanente de formação, não apenas incidir nos professores, mas também nos gestores escolares e centros de recurso para apoio às escolas.

Por outro lado, o propósito é melhorar os conhecimentos e as competências dos professores, a gestão das escolas e desenvolver um sistema eficaz de avaliação de alunos.

Nas suas duas primeiras fases, o PAT, cuja execução decorre em parceria com o Banco Mundial, permitiu formar 274 formadores e docentes das Escolas do Magistério Primário do país.

Avaliado em 70 milhões de dólares, o PAT, lançado em 2016, tem como meta formar 18 mil professores, num processo de formação contínua.

A formação enquadra-se nos módulos I e II sobre a Língua Portuguesa, Matemática e Dinamização das Zonas de Influência Pedagógica (ZIP) como pólo de Formação Contínua de Professores.

Enquanto isso, o “Teach” vai beneficiar, numa primeira fase, 200 professores do ensino primário, para avaliarem a capacidade emocional do aluno em sala de aulas.

Trata-se de uma ferramenta de observação de aula, lançada em 2019, que fornece aspectos menos explorados e mais importantes da educação, ou seja, permite observar tudo quanto acontece na sala.

Com essas iniciativas, as instituições do país pretendem continuar a trabalhar para a melhoria crescente das condições dos professores, um desafio que deve ser diário.

Do ponto de vista do Governo, as competências profissionais são pilares para o alcance dos objectivos preconizados no Programa de Desenvolvimento Nacional 2018/2022.

Para tal, o comprometimento de cada um deve estar alinhado com o Decreto 17/16, Lei de Base do Sistema da Educação e Ensino, e o Decreto Presidencial 160/18, que aprova o Estatuto da Carreira dos Agentes da Educação e o Estatuto Orgânico da Educação.

Apesar de satisfeitos com essa acção do Governo, no que toca ao refrescamento dos docentes, o Sindicato Nacional dos Professores (Sinprof) e a Associação do Ensino Particular (AEP) apontam, igualmente, para a necessidade de valorização dos docentes.

Para tal, pedem a promoção de programas de intercâmbios internacionais, para ter-se uma noção de como anda a educação por outras bandas.

Para Guilherme Silva, presidente do Sinprof, o PAT é uma mais-valia, uma vez que  proporciona o aumento de conhecimentos dos professores do ensino na disciplina de Língua Portuguesa e Matemática, no domínio metodológico e científico.

Este programa permite ao professor trabalhar diversos conteúdos e uma multiplicidade de alunos numa sala de aula, mas o sindicalista é de opinião de que um dos seus aspectos “negativos” é o facto de não abranger sequer 1/3 dos professores do ensino primário.

Quanto ao “Teach”, reconhece que permite observar tudo o que acontece em sala de aula, ajudando o professor a conhecer as habilidades e competências dos alunos. 

Por sua vez, o presidente da Associação do Ensino Particular (AEP), António Pacavira, considera que esta valorização dos professores poderia ser “muito mais acentuada e significativa” se melhorassem, de igual modo, o ambiente de trabalho nas escolas.

Para si, um dos aspectos negativos do sector é o facto de os professores, na sua maioria, não terem acesso à internet nem bibliotecas, ficando com dificuldades em termos de recursos materiais e falta de manuais, facto que coloca em causa a investigação científica.

Considera que o PAT alimenta alguma “esperança” de melhoria da educação, nos próximos tempos, reconhecendo ser um processo e parte de um conjunto de vários projectos que, de forma isolada, não produzirá os resultados que se esperam.

Os parceiros reprovam também a "insistência" na mono docência. A esse respeito, consideram que, para um país como Angola, em que a qualidade dos professores não é a desejada, recomenda-se a mono docência assistida, como acontece no ensino privado.

É caso para se dizer que a questão da formação e do refrescamento contínuos são só pequenas amostras do quadro problemático da classe docente em Angola. Mas é, inequivocamente, uma questão central que deve continuar a ser vista com a maior atenção, por quem de direito.

Em pleno Dia do Educador, nada mais justo que olhar para os professores com atenção.

Apesar das contrariedades por que passa o país, por causa crise económica e financeira, o Estado deve continuar a assumir o seu papel de zelador da política educacional, acarinhando o educador. É ele, na verdade, o actor principal para a Angola do futuro.

Sem professores capacitados e motivados, jamais o ensino marcará passos e se mostrará eficiente. Por isso, é preciso repensar a política nacional do ensino, investir mais nos professores, para que se tornem, de facto, formadores de consciências limpas e produtivas.

Leia também
  • 24/11/2019 16:35:34

    ISPT e universidade americana iniciam parceria

    Luanda - O Instituto Superior Politécnico Tocoísta (ISPT) e a Universidade de Howard Washigton DC, dos Estados Unidos da América, estão a encetar contactos para enriquecer os planos curriculares dos diversos cursos ministrados na instituição angolana, informou, neste domingo, o bispo da Igreja Tocoista, Afonso Nunes.

  • 22/11/2019 11:40:33

    Profissionais da esperança

    Luanda - Desde os tempos remotos, o professor é visto como um segundo pai e um dos principais elementos no processo de transformação do aluno. Em todo o mundo é assim.

  • 20/11/2019 15:55:49

    MESCTI quer inter-comunicabilidade entre IES

    Luanda - O Ministério do Ensino Superior Ciência, Tecnologia e Inovação (MESCTI) pretende estabelecer uma rede de inter-comunicabilidade entre as Instituições de Ensino Superior (IES), de formas a facilitar o acesso à internet e consequentemente dar maior celeridade a esses serviços.