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12 Novembro de 2016 | 14h52 - Actualizado em 12 Novembro de 2016 | 14h50

Biocom supera meta e atinge um quinto da produção de açúcar

Malanje - A Companhia de Bioenergia de Angola (Biocom), com esforços e dedicação dos seus dois mil e 200 trabalhadores, juntou-se à estratégia do Governo, de aumento da produção interna para a redução das importações, ao atingir a marca de 51 mil e 514 toneladas de açúcar na safra 2016/2017, superando a meta estabelecida para este ano de 47 mil toneladas deste produto da cesta básica.

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Biocom e o pôr do sol

Foto: Pedro Parente

(Por Agostinho Kilemba)

Apesar de esta quantidade representar apenas um quinto da capacidade máxima da produção nesta primeira fase de implantação da unidade industrial localizada no município de Cacuso, província de Malanje, numa área de concessão de 80 mil hectares, dos quais 15 mil e 500 já em exploração, para a administração do projecto, que tem como director de produção o cidadão de nacionalidade brasileira Marco Brandão, foi um ano muito produtivo, por superar esta meta num ambiente de dificuldades, resultante da crise que o país vive.

Com uma capacidade máxima diária de produção a variar entre 30 a 40 mil sacos, a empresa está com uma produção diária entre oito e 10 mil sacos, em função da matéria-prima disponível para esta safra que termina em Março.

“Este sucesso da companhia, que reside no trabalho de uma equipa com formação contínua, disciplinada e dedicada, permite aumentar os níveis de confiança e optimismo da administração e dos trabalhadores que pretendem, na safra 2020 /2021, atingir a capacidade instalada total da fábrica, para processar anualmente 256 mil toneladas de açúcar cristalino branco com a marca “Kapanda”, facto que ajudará a reduzir as importações em mais de 50 porcento, uma vez que o consumo anual do país anda à volta de 400 mil toneladas”, afirmou Marco Brandão.

Na campanha 2015/2016, a Companhia de Bioenergia de Angola obteve uma produção de 24 mil e 770 toneladas de açúcar, 10 mil e 243 metros cúbicos de etanol e gerou 42 mil megawatts de energia eléctrica.

Marco Brandão, responsável por todo o processo produtivo da Biocom, revelou à equipa de jornalistas angolanos que se deslocou ao projecto para testemunhar o encerramento da colheita da cana-de-açúcar 2016/2017 que, para a unidade fabril atingir a produção de 256 mil toneladas de açúcar/ano a partir de 2020, serão necessários 40 mil hectares de área plantada, trabalho que está a ser feito diariamente.

Para a safra 2016/2017, a produção de etanol, sob produto do açúcar, chegou a 13 mil e 885 metros cúbicos e a geração de energia eléctrica a 38 mil e 589 Megawatts/hora. Em 2020, quando a planta industrial puder atingir o pico de produção de açúcar, a fábrica vai produzir 235 mil megawatts de energia e 33 mil metros cúbicos de etanol, o que poderá contribuir, deste modo, para a segurança energética do país e aumentar a oferta de álcool etílico no mercado angolano.

O trabalho de plantação da cana-de-açúcar de variedades do Brasil, da África do Sul e de Angola nesta unidade agro-industrial, inserida no Pólo de Desenvolvimento Agro-Industrial de Capanda, nas margens do rio Kwanza, começou em 2012, uma actividade feita por angolanos e brasileiros envolvidos no projecto. Já a produção experimental de açúcar, na unidade industrial, que também produz Etanol e energia eléctrica, iniciou em 2014.

Neste ano agrícola, a área total plantada com cana-de-açúcar atingiu 15 mil e 500 hectares, mas, até 31 de Março, final da campanha 2016/2017, o campo cultivável será alargado para 19 mil hectares, um trabalho desenvolvido diariamente por homens e máquinas que transformam este território, anteriormente dominado por enormes árvores, num espaço baldio, a fim de dar lugar a um grande canavial que, visto ao longe, a folhagem cruza com a linha do horizonte.

O alargamento da área de cultivo para 19 mil hectares permitirá aumentar o processamento de cana-de-açúcar de 512 mil toneladas este ano (2016) para 800 mil em 2017, uma meta a ser atingida com o engajamento dos dois mil e 300 trabalhadores, 70 porcento dos quais laboram no campo agrícola.

Na Biocom, projecto que além do açúcar produz etanol e electricidade, a definição da diversificação da economia nacional encontra o verdadeiro sentido, em virtude de o mesmo ter começado por ser desenhado há mais de cinco anos e agora está dar os primeiros resultados, com um aumento anual da produção que garante, a longo-prazo, o retorno do capital investido, bem como reduzir as importações e vislumbrar, no futuro, uma produção excedentária que permita ao país exportar e angariar mais divisas.

As metas preconizadas pela Biocom são alcançáveis, porque a empresa oferece toda uma estrutura humana e física necessária ao alcance dos objectivos e conta, para o efeito, com o mais moderno laboratório agrícola de Angola, com capacidade para analisar solos, folhas, correctivos e adubos, que fornecem informações relevantes para a tomada de decisões técnicas que resultam em melhor produtividade da cultura da cana-de-açúcar.

Marco Brandão diz que os laboratórios industriais e de solos permitem à Biocom produzir o açúcar “Kapanda”, com alto padrão de qualidade internacional, facto que permitirá à companhia, quando as necessidades internas estiverem satisfeitas, partir para as exportações no futuro.

“O nosso laboratório agrícola participa num projecto de certificação internacional no Brasil, que tem laboratórios espalhados pela América do Sul. Estamos muito bem classificados, e, trimestralmente, envia-nos amostras de solos”, explicou.

“Na parte dos laboratórios industriais, todos os anos temos formação específica. Vem aqui uma empresa credenciada na área, para fazer uma validação efectiva dos nossos resultados, que é a base para podermos ter uma certificação internacional”, acrescentou.

Plano de crescimento e valorização da mão-de-obra angolana na Biocom

Para a sustentabilidade do projecto, que conta com uma tecnologia de última geração do sector de refinação de açúcar, e como a Biocom deve ser gerida por quadros angolanos, além dos trabalhadores de base que recebem formação no centro de formação, a Companhia de Bioenergia de Angola tem recrutado jovens com formação média e licenciatura em diversas áreas do saber, para assumirem desafios e responsabilidades dentro da empresa.

Hoje, fruto dos cursos ministrados pelo centro de formação aos integrantes angolanos de base, para o desenvolvimento das capacidades individuais, as máquinas, como as 25 colhedoras de cana-de-açúcar, outrora conduzidas por expatriados, são tripuladas por nacionais, quer homens, quer mulheres, que acreditam no desenvolvimento da fábrica.

No quadro do programa de redução de expatriados, para proporcionar valências técnicas aos trabalhadores angolanos, o Centro de Formação da Biocom formou mais de 370 integrantes em diversas áreas.

Além dos trabalhadores de base, a Biocom aposta em ter, na sua estrutura de produção e gestão, técnicos angolanos licenciados. É o caso do jovem Vagner Pacheco, de Luanda, formado em Biotecnologia na Universidade de Pretória, África do Sul. Depois de terminar a sua formação, levou o seu currículo para os escritórios desta empresa, em Luanda.

O licenciado, de 29 anos, trabalha há oito meses no Laboratório Agrícola, onde faz a análise dos solos, e é actualmente analista júnior. O laboratório funciona há um ano e meio, já realizou mais de duas mil pesquisas sobre a qualidade dos solos e ajuda a área agrícola a atingir metas, bem como a cuidar da parte vegetal do negócio.

Outro cidadão que está a fazer carreira na Biocom é Adilson Rodrigues, que saiu do Huambo para Malanje, a fim de abraçar o desafio de ajudar no crescimento desta companhia de açúcar, etanol e energia eléctrica.

Adilson, formado em Agronomia pela Faculdade de Ciências Agrárias do Huambo da Universidade José Eduardo dos Santos, é o líder do viveiro a céu aberto e de estufa da cana-de-açúcar da Biocom. Em conversa com a Angop, o trabalhador fez saber que recebeu o convite com outros colegas para abraçar o desafio lançado pela fábrica, de integrarem os quadros da empresa, mas apenas ele aceitou. Os companheiros rejeitaram.

Em Malanje, já há três anos, o responsável pela reprodução das espécies da cana nativa, brasileira e sul-africana, já constituiu família.     

A par da cana-de-açúcar, Adilson diz que o viveiro da Biocom também faz a multiplicação de eucalipto e de outras espécies de árvores nativas de Cacuso, que estão a ser desmatadas nas áreas de cultivo, que devem ser preservadas noutro local.

Bartolomeu Zumba, 27 anos, técnico médio, formado na Escola Agrária do Cuanza-Norte, é o líder de produção da mesma empresa. Diz estar satisfeito por fazer parte deste projecto e por ajudá-lo a atingir as metas de aumento da produção, para a redução das importações no país.

Já Ana Mendes, 28 anos, entrou há um ano como trabalhadora rural, com a função de catadora  de paus (recolha de troncos de árvores das áreas desmatadas). Em virtude do seu comportamento e empenho, fez formação “on job” e hoje conduz tractores  e máquinas colectoras de cana.     

Ana, que estuda a 8.ª classe na escola n.º 22 de Cacuso, à noite, das 18 às 22 horas, sonha ser engenheira informática e, antes de fazer parte dos integrantes da Biocom, era vendedora ambulante.    

A funcionária conta que foi através de uma vizinha que soube da existência de vagas para mulheres sem qualificações na Biocom. Aceitou o desafio, começou como “catadora”, agora é operadora de máquina (tractor para a colheita de cana-de-açúcar). Com estudos, espera crescer e fazer carreira na empresa.

Biocom muda trajectória económica de Cacuso

O município de Cacuso conta com outros grandes projectos agro-industriais, como “Pedras Negras” e Fazenda “Pungo a Ndongo”, mas é a Biocom que está a “dar cartas” e fazer renascer as esperanças de ser possível transformar esta região rica em recursos hídricos, bom clima e solos férteis e numa das maiores produtoras do país de hortícolas, grão e fibras.

Ao invés de pensar em crescer sozinha neste segmento de negócio e depender apenas da sua cana-de-açúcar, a empresa pretende integrar empresários angolanos que tenham vastas parcelas de terra na região, razão pela qual se tem desdobrado em contactos permanentes com empreendedores locais, para incentivá-los a cultivarem a cana, serem fornecedores e venderem à companhia.

O director de produção, Marco Brandão, revelou existir uma iniciativa concreta, com base na qual, num espaço agrícola de um empresário da localidade, está a ser plantada a cana pela Biocom, para que este aprenda como todo o processo é feito e gerido.

Segundo o responsável, o objectivo é fazer que esta experiência-piloto possa ser alargada para outros empresários que queiram apostar no cultivo de cana em grande escala e ser fornecedores da Biocom.

“Hoje, temos um empresário cuja cana-de-açúcar está a ser plantada por nós, para ele acompanhar como é feito o processo, pois a nossa pretensão é, no futuro, alargar para mais empreendedores, que queiram ser fornecedores deste produto. O nosso objectivo é, também, o crescimento da região de Cacuso e não sermos só dependentes da nossa cana, mas ter também fornecedores”, esclareceu.

Projectos sociais apoiados pela Biocom

No âmbito do cumprimento do seu programa de responsabilidade social na comunidade onde está implantada, a Biocom tem estado a desenvolver vários projectos económicos e sociais, com destaque para o programa de agricultura familiar, liderado pela Sociedade de Desenvolvimento do Pólo Agro-Industrial de Capanda (SODEPAC), de produção de hortícolas.

O projecto conta com a integração de mais de 300 famílias camponesas dos bairros de Cacuso, Malanje, Quizenga e Lucala (Cuanza Norte) que beneficiam de formação técnica.

A produção dos camponeses inseridos neste projecto tem por principal cliente a Biocom, que compra a maioria da produção de cenoura, repolho, alface, tomate, pimento, beringela, pepino e couve.

Marcos Brandão salienta que, antes deste programa, os agricultores locais produziam apenas milho, mandioca e ginguba, facto que não permitia ter uma renda efectiva mensal nem diversificar da melhor maneira a dieta alimentar.

“Além do rendimento, melhorou a dieta alimentar das famílias. Vários bairros foram abrangidos por este programa, desde Pedras Negras, Malanje, Quizenga a Lucala. Com formação técnica, elas não estão dependentes de adubos defensivos para trabalhar as hortícolas, o que não as obriga a estarem dependentes do mercado. Algumas sementes, já produzem”, explicou.

A par da componente alimentar e do aumento de rendimento das famílias, a Biocom está preocupada com o nível cultural das comunidades, razão pela qual desenvolve um programa de educação para adultos e para aqueles que não estão inseridos no sistema normal de ensino.

As aulas, da primeira à 5ª classe, cujos seleccionados eram numa primeira fase os trabalhadores da empresa, são ministradas no período nocturno, das 16 às 20 horas. No total, estão matriculados 180 estudantes, enquadrados no processo de ensino “Dom Bosco”, ou seja, um ano duas classes.

A fábrica também está a oferecer oportunidades a crianças e jovens de Cacuso, no sentido de beneficiarem de programas de desporto, nos quais se destaca, neste sentido, a escola “Palancas Negras”, que oferece aulas de judo, jiu-jitsu e capoeira.

Muitos dos integrantes das aulas destas artes marciais têm estado a participar em campeonatos nacionais e a alcançar vitórias e medalhas.

A Biocom criou, igualmente, para mulheres da localidade, um projecto de fabricação caseira de sabão, iniciativa que congrega, actualmente, mais de 20 senhoras, que produzem, diariamente, 72 barras de sabão, comercializada ao preço de 100 Kwanzas cada.

Assuntos Economia  

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