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14 Outubro de 2016 | 12h22 - Actualizado em 24 Outubro de 2016 | 12h45

Huambo: Conceito de bem-morar materializa-se no Lossambo

Huambo - A aquisição de um imóvel para morar é, certamente, o maior sonho de muitos angolanos, desejo cuja realização exige planeamento e disciplina financeira.

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Centralidade do Lossambo

Foto: cedida

(Por António Tavares)

Na província do Huambo, a entrada em funcionamento, desde Junho, na Centralidade do Lossambo (CL), a primeira de três em construção, inaugurou um novo conceito de bem-morar na cidade e materialização deste sonho.

Com 2.009 habitações e 90 lojas, a cidade resulta de um investimento  superior a 250 milhões de dólares e contempla infra-estruturas interna e externa, bem como equipamentos sociais.

A duração planeada da construção da CL foi de aproximadamente três anos, perto do final da obra foi adjudicada à Kora Angola a construção das infra-estruturas externas e equipamentos sociais de apoio, adicionando-se mais 12 meses.

A proximidade  com a cidade do Huambo foi um factor preferencial para a escolha da região do Lossambo, para além da disponibilidade de áreas adequadas à implantação de um projecto desta dimensão, assim como a eventual capacidade de expansão, tornando-a no foco do desenvolvimento e de implementação do Programa Nacional de Habitação "Meu Sonho, Minha Casa", no Huambo.

O director de Marketing da Kora Angola (empresa gestora da obra), Crispin Costa, declarou, em entrevista à Angop,  que actualmente estão já ocupadas cerca de 900 residências, entre apartamentos, moradias térreas e moradias de dois pisos.

Fez saber que a CL se encaixa num conceito totalmente inovador do novo paradigma de habitação em Angola, desde a inovação no processo construtivo, utilizando o Betão Celular Autoclavado.

O material, utilizado desde 1880 no mundo, mas novidade no país, de acordo com o interlocutor, foi escolhido devido às características de facilidade de construção de edifícios, respeito ambiental, bem como pelas vantagens logísticas que permitem a edificação de um grande volume de imóveis em reduzido tempo.

Caracterização da Centralidade

 Com duas mil e nove habitações do tipo T3 e 90 lojas, a CL contempla 1.482 apartamentos, 184 moradias térreas e 343 moradias de dois pisos.

Além dos imóveis, foi construído um conjunto de equipamentos sociais, já prontos para entrar em funcionamento, dos quais dois centros infantis, um jardim-de-infância, duas escolas primárias, uma secundária e um posto de saúde.

Para a autonomia da Centralidade, foram construídas, igualmente, várias infra-estruturas que estão, já neste momento, em pleno funcionamento e que se caracterizam por um sistema de captação, adução, tratamento e distribuição de água potável (construído a nove quilómetros da mesma), sistema de captação e tratamento de águas residuais, sistema de produção e distribuição de energia eléctrica, um campo desportivo, assim como seis quilómetros de acesso viário entre a CL e a cidade do Huambo.

Processo de comercialização

Conforme Crispin Costa, o processo de comercialização das casas está a decorrer sem constrangimentos e de uma forma muito tranquila para os candidatos.

Explicou existirem três formas de se aceder a um imóvel, designadamente, renda resolúvel, arrendamento e venda livre (pronto-pagamento).

A renda resolúvel é dirigida, exclusivamente, aos funcionários públicos, e a forma de candidatura é por intermédio de uma lista nominal, que é enviada para o Governo Provincial do Huambo, pelas várias entidades, empresas ou organismos públicos, indicando os funcionários que, por sorteio ou listagem, irão ter acesso aos imóveis se cumprirem com um conjunto de requisitos, como um valor mínimo de remuneração possível para poder aceder.

O valor da renda é de 39 mil Kwanzas mensais para uma duração do contrato de  25 anos, no final dos quais o imóvel passa para a titularidade do inquilino, que se torna no proprietário.

O arrendamento, prosseguiu, tem regras de acesso iguais às da renda resolúvel, mas com um carácter muito mais social. “Esta modalidade é dirigida, também, aos funcionários públicos dentro de uma faixa de salários totalmente balizada e beneficia pessoas que, de outra forma, não tinham o sonho de uma habitação condigna”, acrescentou o responsável.

O valor do arrendamento são 12. 500 Kwanzas mensais e a duração do contrato é de dois anos renovados automaticamente.

Já a venda livre, precisou, é dirigida a clientes e empresas particulares que possam adquirir imóveis e lojas na Centralidade. O valor dos imóveis é de 11 milhões e 670 mil Kwanzas e das lojas, três milhões 670 mil da mesma moeda nacional.

Apoio ao Cliente

Segundo Crispen Costa, para além da garantia contratual, a Kora Angola disponibiliza aos habitantes um serviço de Apoio ao Cliente, pioneiro nas centralidades em Angola.

Iniciando o processo de acolhimento e tratamento nos escritórios de venda, o cliente é atendido mediante um sistema de agendamento com senhas, que faz uma gestão horária, para que não existam filas de espera nem aglomerados de pessoas.

Um sistema informático permite uma segurança no manuseamento da informação, no cruzamento de dados e na distribuição dos imóveis aos moradores, o que previne erros ou utilizações dolosas.

As entregas dos imóveis são personalizadas; uma equipa de comerciais acolhe os futuros moradores, acompanha-os até à sua morada e explica-lhe detalhadamente todas as funcionalidades da casa, apoiando-se num manual de morador, no qual estão descritas as manobras e as valências.

O manual traz, ao mesmo tempo, um conjunto de informações importantes sobre o imóvel, as redes internas de energia, água e esgotos, bem como regras de utilização e coexistência na CL.

Através do número de apoio ao cliente, fez saber, os habitantes poderão reportar avarias, dificuldades ou ver esclarecidas dúvidas que venham existir sobre a melhor forma de habitar os seus imóveis.

“A Kora Angola dispõe de uma equipa altamente preparada para acolher as chamadas telefónicas e esclarecer todos os tipos de dúvida relativa aos processos de comercialização das centralidades, bem como rastrear dificuldades e enviar técnicos  especializado em resolver problemas diários”, afirmou Crispin Costa.

Projecto “Ondjo Yetu”

O interlocutor da Angop disse a Kora Angola estar a desenvolver, desde Junho, em parceria com a Agência Piaget para o Desenvolvimento (APDES), o projecto “Ondjo Yetu”, palavra da língua Umbundu que em Português significa “Nossa Casa”, com o objectivo de contribuir para a preservação e uso adequado das infra-estruturas e dos espaços públicos da nova cidade.

Crispin afirmou que, através de uma lógica preventiva e de diminuição dos riscos, o plano promove a utilização correcta das fracções privadas e dos espaços comuns, para  estimular a criação de um sentido de pertença e boa convivência entre os moradores, servindo como base para a promoção do desenvolvimento comunitário.

Nesta perspectiva, técnicos têm desenvolvido diversas actividades, entre formações e acções de sensibilização sobre “gestão de orçamento familiar”, “comunicação interpessoal” e “vida em comunidade”.

O programa contempla, ao mesmo tempo, actividades artísticas e culturais para crianças e jovens, assim como a promoção de reuniões entre moradores.

Para além destas acções, está a ser conduzido um estudo que permitirá obter uma caracterização sociodemográfica dos habitantes da CL.

Voz dos moradores

Os moradores confirmam o novo centro urbano oferecer condições essenciais para um bem-estar social, dentro dos parâmetros habitacionais exigidos.

Em entrevista à Angop, alguns residentes declararam o projecto basear-se nos conceitos de inclusão social e do viver comunitário, bem como de harmonia com o meio ambiente.

Nadir Gomes realçou o facto de a CL integrar todas infra-estruturas sociais de apoio às famílias residentes, tais como: centros infantis, lugares de lazeres, estabelecimentos escolares e hospitalares.

No seu entender, ao contemplar igualmente sistemas de captação e abastecimento de água potável, de tratamento de águas residuais, de produção e abastecimento de energia eléctrica e acessos viários, a CL permite a satisfação das necessidades vitais dos moradores.

A também arquitecta se debruçou sobre a qualidade das infra-estruturas e referiu que os equipamentos usados constam dos novos modelos internacionais de construção das zonas urbanas, pelo que a durabilidade dos imóveis, com tempo indeterminado, depende essencialmente do modo como são utilizados.

A moradora Victorina Mangata disse encontrar um novo espaço de viver, com todas as condições essenciais para a realização da sua vida de forma digna.

A interlocutora detalhou que anteriormente vivia numa das zonas da periferia da cidade, numa casa arrendada e com espaço bastante restrito à sua família e, como se não bastasse, privada de água potável e de energia eléctrica.

Em virtude disso, realçou que a aquisição da nova casa, do tipo T3, constitui um salto significativo para a sua vida, o que lhe tem permitido albergar membros da sua família num ambiente favorável.

Erikson Alexandre sublinhou o facto de o projecto permitir aos jovens a realização do sonho da casa própria.

Já Martinho Saraiva considerou que o Lossambo reflecte sobre os efeitos das políticas do Governo angolano, relativamente à garantia das condições de habitabilidade dos cidadãos, para a melhoria da sua qualidade de vida.

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