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09 Janeiro de 2017 | 00h30 - Actualizado em 06 Janeiro de 2017 | 23h07

Retrospectiva2016: MPLA "aguça" manutenção do poder, oposição alinha estratégias

Luanda - As cinco formações políticas representadas no Parlamento concentraram-se, em 2016, no fortalecimento das suas estruturas de base, tendo em vista às Eleições Gerais de 2017.

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Deputados votam durante reunião extraordinária da assembleia nacional

Foto: Rosario Santos

(Por Damásio Gomes)

A caça do voto constitui, desde já, o motor da máquina partidária com acento parlamentar, MPLA, UNITA, CASA-CE, PRS e FNLA - para só falar destes - que se mostram prontos para acelerar para a meta (vencer o escrutínio).

O MPLA afina a sua máquina organizativa para se manter no poder, mas este é igualmente ambicionado por outras formações políticas da oposição para governar o país nos próximos cinco anos.

MPLA

O VII Congresso Ordinário do MPLA, os festejos em torno do 60º aniversário da sua fundação (10 de Dezembro), e a mobilização dos cidadãos para a necessidade do registo eleitoral, foram as acções que mais engajaram as estruturas do partido no poder, visando a vitória eleitoral em 2017.

Em três dias de conclave, os dois mil e 530 delegados reelegeram, para mais cinco anos, o presidente do partido, José Eduardo dos Santos.

Da agenda de cinco pontos fundamentais, cujas abordagens resultaram recomendações pertinentes do partido que governa Angola, realce para a Moção de Estratégia, apresentada por José Eduardo dos Santos, e aprovada por aclamação, pelos congressistas.

Sob o lema "MPLA - Com o povo rumo à vitória", o conclave trouxe à luz uma visão abrangente e estratégica do partido, para manter a estabilidade política, consolidar a democracia e acelerar o crescimento sócio-económico do país.

A eleição de João Gonçalves Lourenço e de António Paulo Kassoma para os cargos de vice-presidente e secretário-geral do partido, respectivamente, são demonstrativas das reformas profundas que o MPLA pretende imprimir nas suas estruturas, nos próximos cinco anos.

Sobressaiu também a celebração do 60º aniversário da fundação do MPLA, cujo acto central foi orientado pelo vice-presidente do partido, João Lourenço, em representação do seu líder, José Eduardo dos Santos, tendo levado para o Estádio 11 de Novembro, em Luanda, milhares de militantes, simpatizantes e amigos da organização.

O político fez um retrato do papel desempenhado pelo então Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) desde a luta pela independência de Angola, sublinhando ter chegado a hora de se começar a desenvolver o país com ou sem petróleo, explorando ao máximo os recursos naturais que Deus disponibilizou para Angola.

A grande batalha que o partido deve enfrentar agora é a do desenvolvimento, disse, e apontou para a necessidade de se descobrir, entre os cerca de 25 milhões de angolanos, os generais da paz e do desenvolvimento.

Pela efeméride, o MPLA outorgou, em todo o país, medalhas de mérito a distintos militantes, como reconhecimento pelos feitos protagonizados em prol da luta de libertação nacional, engrandecimento do partido e preservação da paz.

Instituído em 2010, o Sistema de Distinções do MPLA visa os militantes, simpatizantes e amigos do partido pelo seu trabalho e incentivá-los ao engajamento, cada vez maior, de modo firme e consequente nas actividades político-partidárias, económicas sociais e laborais.

Em 2016 predominou também o apelo permanente aos militantes, simpatizantes, amigos do partido e aos cidadãos maiores, em geral, para a necessidade da actualização dos seus dados eleitorais, prova de vida e cadastramento dos jovens que completam 18 anos em 2017.

UNITA

A maior força política da oposição na Assembleia Nacional, onde detém 32 deputados, depois do MPLA, com 175, a UNITA realizou o seu Congresso em finais de 2015 e realinhou a sua estratégia no início de Dezembro de 2016, na II reunião ordinária da Comissão Política.

Este evento, orientado pelo presidente do partido, Isaías Henrique Ngola Samakuva, analisou a situação política, económica, social, diplomática do país e a vida interna da organização, tendo reiterado o engajamento da UNITA para com a paz, estabilidade, progresso e harmonia social em Angola.

Reafirmou o compromisso do partido aos princípios do Estado Democrático de Direito, o pleno desenvolvimento económico e social do país, visando a construção de uma Angola una, inclusiva, igual para todos.

No ano em que Angola vai realizar as 4ª eleições na sua história, o partido do “Galo Negro” anunciou ter ultrapassado a barreira dos três milhões de militantes, até Novembro de 2016, mais do que duplicando o número de apoiantes devidamente certificados no espaço de nove meses.

CASA-CE

A par da mobilização dos militantes e dos cidadãos para o registo eleitoral, a Convergência Ampla de Salvação de Angola - Coligação Eleitoral (CASA-CE) realizou o seu Congresso em Setembro, que visou o aprimoramento da máquina organizativa para os desafios eleitorais.

O conclave da segunda maior força política da oposição, que conta com oito dos 220 deputados à Assembleia Nacional, contou com 850 delegados eleitos nas conferências municipais, provinciais e junto das comunidades de angolanos no exterior do país.

Reelegeram o presidente Abel Chivukuvuku, que em 2016 privilegiou o contacto directo com os militantes das estruturas de base e com os cidadãos, viajando por províncias do país, bem como escolheram os vice-presidentes e os membros para o Conselho Deliberativo Nacional (CDN) da coligação.

Por se concretizar fica a intenção de a coligação (formada pelo PALMA, PPA, PNSA e PADDA) transformar-se em partido político, tendo sido entregue um requerimento com este objectivo ao Tribunal Constitucional, a 20 de Outubro, propósito a que os delegados ao II Congresso Ordinário da CASA-CE deliberaram.

PRS

O Partido de Renovação Social (PRS), liderado por Eduardo Kuangana, contando com três deputados, não foi capaz de organizar o seu IV Congresso Ordinário para traçar a estratégia eleitoral, por alegado falta de verba.

O conclave havia sido anunciado pelo presidente na cidade do Huambo, no segundo semestre de 2016, durante um acto político que juntou militantes deste partido, mas isso não passou de mera intenção.

Na altura, Kuangana, que já havia manifestado a intenção de concorrer à sua sucessão, não avançou uma data concreta do congresso, pois, segundo disse, a indicação da data dependia dos resultados das comissões técnicas criadas.

FNLA

A meses da realização das próximas Eleições Gerais, a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), com dois acentos na casa das leis, continua à procura de soluções para se acertar internamente, ao ponto de adiar o seu II Congresso Extraordinário.

A falta de dinheiro, segundo o seu presidente, Lucas Ngonda, foi uma das causas apontadas para a não realização do evento, que deveria ter lugar em Fevereiro, com o propósito de preparar a campanha eleitoral.

Como denominador comum, o registo eleitoral, iniciado a 25 de Agosto, de forma simbólica, com o cadastramento do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, concentrou os interesses dos partidos políticos, destacando-se a presença de fiscais nos postos e brigadas de registo, bem como os constantes apelos de adesão massiça ao processo.

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