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01 Junho de 2018 | 19h50 - Actualizado em 01 Junho de 2018 | 23h22

Ministro da Comunicação Social defende respeito pela soberania dos povos

Porto - Um melhor entendimento entre os povos falantes de língua portuguesa ou de qualquer outra passa pelo respeito pela soberania de cada um, declarou esta sexta-feira, na cidade do Porto, Portugal, o ministro da comunicação social angolano, João Melo.

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Ministro da Comunicação social angolano, João Melo.

Foto: Rosário dos Santos

O também jornalista e escritor fez este pronunciamento numa conferência subordinada ao tema “A falar nos entendemos: a língua como activo estratégico”, no âmbito da celebração do 130º aniversário da fundação do Jornal de Notícias (JN), que hoje se assinala.

Diante de uma assistência prestigiada com a presença dos Presidentes de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, e de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, o governante angolano apontou, também, como condições para a aproximação dos povos,  um melhor conhecimento mútuo.

O  fim dos complexos de superioridade e de inferioridade, abandono da visão baseada em dois pesos e duas medidas, e cumprimento dos acordos livremente assinados entre ou povos são outros pressupostos que o ministro da Comunicação Social angolano destacou.

“Transferindo essas démarches para a nossa profissão, trata-se de cumprir tão somente aquilo que é recomendado por qualquer manual de jornalismo: seleccionar os factos de acordo com a sua relevância e importância, com base em critérios abrangentes, apurá-los adequadamente, através do cruzamento de fontes diversificadas, e relatar os acontecimentos de maneira objectiva, evitando a intromissão no texto das opiniões pessoais do respectiva autor”, sublinhou.

João Melo acrescentou que, “para que o jornalismo de língua portuguesa contribua para o fortalecimento do entendimento e da cooperação entre os países lusófonos e respectivos povos, não precisa de perder a sua identidade originária: comunicar factos. Ou seja, basta-lhe ser jornalismo e não activismo, propaganda, policialismo ou justicialismo”.

Especificamente, João Melo criticou a forma como a imprensa portuguesa retrata a realidade angolana, numa altura em que, disse, o país está a viver um momento único de abertura política, económica e diplomática.

"Salvo situações pontuais, o que os jornais portugueses fazem não é jornalismo, mas campanha", sublinhou.

Na mesma linha de pensamento, o ministro João Melo lamentou que os projectos de cooperação entre os países da CPLP sejam ignorados pela comunicação social.

Quanto ao português, o ministro destacou que as autoridades de Angola independente fizeram muito mais em 43 anos pela sua expansão do que as autoridades coloniais em 500 anos de presença no território.

A este propósito, citou os dados do Censo Geral da População e Habitação, realizado em 2014, segundo os quais a língua portuguesa já é a mais falada em Angola, seguida pelo umbundo (língua angolana da região sul do país).

 “O papel da língua portuguesa na cooperação entre os oito países que a usam como idioma oficial é uma das questões complexas, que não se compadece com discussões simplistas”, sublinhou.

Na visão de João Melo, os factos que, contraditória mas inelutavelmente, foram gerados historicamente entre os falantes da língua portuguesa exigem, para se fortalecerem cada vez mais, de uma discussão intelectual rigorosa, honesta e franca.

Neste aspecto particular, refutou a versão de um intelectual católico português, cujo nome omitiu, que – segundo destacou – recentemente escreveu num jornal online local exprimindo que a “colonização portuguesa foi sobretudo missionária”.

João Melo argumentou, a este respeito, que não é preciso inquirir as vítimas, pois basta ler os três volumes da História Geral das Guerras Angolanas, obra de António de Oliveira de Cadornega, militar e historiador português nascido em Vila Viçosa, em 1623, e, posteriormente, radicado em Angola, onde faleceu em 1690.

Por outro lado, João Melo destacou que o actual processo de globalização da humanidade, em curso desde meados dos anos 80, implica, muito mais do que os anteriores, uma tendência implacável para a uniformização não apenas económica, mas também social, cultural, filosófica, moral e política.

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