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02 Agosto de 2011 | 19h22 - Actualizado em 02 Agosto de 2011 | 19h32

Escândalo das escutas ilegais reabre debate sobre as limitações de jornalismo

Angola

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Jornalista Reginaldo Silva, o debate não termina no jornalismo

Foto: Angop

Luanda – O recente caso das escutas telefónicas ilegais na Grã-Bretanha e que levou ao encerramento do secular tablóide “News of the Word (NW)”, do império jornalístico de Rupert Murdoch, reabre o debate sobre as limitações que a lei e ética impõem ao jornalismo.

A opinião foi emitida hoje (terça-feira), em Luanda, pelo jornalista Reginaldo Silva, em entrevista à Angop que visou abordar o escândalo de escutas telefónicas ilegais que para além de encerrar o jornal, levou a morte do jornalista que denunciou o facto.

O escândalo também provocou as demissões do chefe da Scotland Yard (polícia judiciaria) Londres e a de Andy  Coulson, um assessor do primeiro-ministro britânico, David Cameron.

Para Reginaldo Silva, “sendo já ponto assente que a utilização das escutas telefónicas por parte dos jornalistas é formalmente proibida por lei e pela ética, tal barreira não pode impedir-nos de questionar o impacto desta limitação, diante de algumas situações, como aquelas que atentam gravemente o interesse público”.

Membro do Conselho Deontológico do Sindicato de Jornalistas Angolanos (SJA), o jornalista admite não conhecer, “por razões ligadas às limitações deontológicas da profissão, nenhum código que permita expressamente que os jornalistas façam recurso a escutas para obterem informação”.


 
Porém, questiona a fonte, “no conflito entre a busca da verdade e a ética, qual seria a atitude mais correcta do ponto de vista jornalístico se, numa dessas escutas, o jornal tivesse conhecimento que estava em marcha um plano que colocava em risco a vida da Rainha da Inglaterra”.


 
Por outro lado, Reginaldo Silva chama a atenção para o facto da lei que proíbe as escutas telefónicas sem mandato judicial, “ser sistematicamente violada pelos próprios governos”.

Por isso, prosseguiu o entrevistado, muitos escândalos políticos tiveram origem na “intromissão abusivas de governos e autoridades policiais na esfera privada da vida dos cidadãos”.

O jornal “News of the World” foi publicado pela última vez em 3 de Julho, na sequência do escandalo das escutas telefónicas ilegais, em que quatro mil pessoas foram vítimas do procedimento do tablóide.

O escândalo iniciou em 2006, quando uma fuga de informação permitiu saber que alguns jornalistas do News of  the World recorriam às escutas para interceptar comunicações de famosos, como mensagens nas caixas de entrada de celulares, para conseguir assim exclusivas, e desde então começou a ser investigado pela Polícia.